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Antes de mais, acho que aquilo que aconteceu ontem foi algo altamente inesperado e com uma dimensão que nenhum de nós conseguia imaginar. Foi um apagão que afetou Portugal, Espanha e ainda uma parte de França. Portanto, é algo inimaginável se tivéssemos a criatividade para perceber qual seria o incidente ou o impacto. Mas a verdade é que o domínio de topo de Portugal na internet, o .pt, basicamente aquilo que faz é gerir um sistema de nomes de domínio em termos do .pt, que está conectado com todo o resto do sistema de nomes de domínio em termos internacionais, com todos os domínios de topo, e que basicamente este sistema de nomes de domínio é o que faz com que a internet hoje seja aquilo que é, que é uma lista telefónica, mas uma lista telefónica melhor ainda, porque é uma lista telefónica hierárquica, distribuída e muito resiliente. E aquilo que basicamente acontece é que nós quando queremos consultar um domínio em .pt, aquilo que fazemos é contactar um servidor de nomes, um servidor que pode estar em Portugal, em Espanha, mas também pode estar em qualquer outro lado do mundo, porque a informação é propagada por todos os servidores que estão em todo o mundo. Nós temos vários pontos e vários pontos de presença localizados em muitas cidades, não só em Lisboa e no Porto aqui, se pensarmos no nosso país, mas também em Espanha, que no caso não funcionaria, mas depois em cidades em vários continentes, também na Europa, em Paris, Londres, Frankfurt, Amesterdão. Temos vários pontos de presença e esses pontos de presença, muitos deles estão distribuídos naquilo que nós chamamos uma nuvem anycast, que faz com que esta tecnologia permita que múltiplos servidores estejam a responder ao mesmo endereço IP. E isto é aquilo que fez com que o sucesso, quer do .pt, já sei também que o .es teve exatamente o mesmo comportamento, mantivesse todos os domínios terminados em .pt sempre em cima durante todo este tempo. E por isso foi possível ouvir e aceder ao observador.pt.
Era mesmo isso que eu queria saber. Ou seja, para que as pessoas possam perceber um bocadinho melhor, por que é tão importante a manutenção deste domínio? E por que foi tão importante ontem, apesar de haver muita gente sem qualquer rede no telemóvel, quem tinha rede podia efetivamente aceder a estes domínios. E por que isso é importante?
É isso que faz com que a internet, na sua essência, que é uma internet global e única, funcione. Porque um nome de domínio quando é registado, ele é registado num determinado classificador de país, que é o .pt neste caso, mas que está acessível em imensos servidores espalhados pelo mundo inteiro. E é isso que permite que mesmo que haja uma falha em termos generalizados e até mais do que de um próprio país, que foi o que aconteceu ontem, Portugal e Espanha, quem queria aceder a um domínio que acabasse em .pt ou mesmo em .es, conseguiria fazê-lo da mesma forma. E isto é mesmo a garantia de que nós temos uma presença na internet e que, salvo uma catástrofe global, que esperemos que nunca venha a acontecer, a internet vai sempre funcionar e os nomes de domínio vão sempre funcionar. E por isso também, ontem nós até falávamos sobre este assunto, que é tão importante ter um nome de domínio e não uma mera presença numa plataforma qualquer para ter uma presença na internet. E por isso foi possível acedermos às notícias durante todo o dia, porque os órgãos de comunicação social, todos os sites estiveram em cima, salvo, obviamente, um ou outro site, que não pelo fato do nome de domínio não estar em cima, mas por estarem alojados em algum sítio que porventura possa ter tido alguma questão. Mas foi possível continuarmos todos a aceder à Rádio Observador, ao site do Observador e dos outros órgãos de comunicação social.
Em termos de registo, de flutuação do acesso a estes domínios, já podemos ter mais informações? Como é que ocorreu nas últimas 48 horas?
O acesso foi o habitual, as pessoas continuaram. É normal que durante uma parte do dia em que as comunicações estiveram efetivamente ou intermitentes, algumas até estiveram embaixo, que as pessoas não tivessem conseguido aceder, não porque os domínios não estivessem disponíveis, mas porque a comunicação não lhes permitia aceder. Quem sempre teve a comunicação, acedeu normalmente e até diria que acedeu mais do que efetivamente fez noutras alturas, porque não tinha acesso à sua televisão para ver as notícias e, portanto, fez a consulta online.
Aí já dependia das operadoras, não é?
Isso já dependia, exatamente, do acesso em termos de comunicação. Sim. Não em termos do domínio, que o domínio estava lá e estava a responder.