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Está conosco neste jornal das 15h, Lino Ferreira, o presidente desta associação que representa o comércio, indústria e serviços, também o turismo da região de Leiria. Bem-vindo, obrigado pela disponibilidade. Começava por lhe perguntar quantos associados desta associação reportam prejuízos decorrentes do mau tempo.
Neste momento, um levantamento que foi feito recentemente, temos cerca de 530 empresários com queixas. Estou a falar de pequenas PMEs neste momento, porque há resultados muito superiores a nível da grande indústria também, da média indústria.
Que setores é que foram mais atingidos, precisamente? A indústria ou o setor do comércio e serviços?
Eu acho que foi mais a parte indústria e agricultura. O comércio também foi, mas não foi tão fortemente, embora o comércio neste momento possa vir a ser afetado, dado que está no fim da linha. Ou seja, se as empresas não conseguirem começar a laborar, não conseguirem pagar os seus ordenados aos seus funcionários, não conseguirem fazer suas exportações, não conseguirem fazer também para o mercado nacional, o comércio vai sentir, porque as pessoas depois não têm dinheiro para ir ao comércio. É tudo um ciclo vicioso, é transversal a todas as áreas. Portanto, o problema grave que temos neste momento é a ergaleria, em todos os sentidos. É para o comércio, é para tudo. Eu acho que é uma altura tão difícil para todos nós aqui que eu, sinceramente, custa-me às vezes ter que vir dizer que se é CTR ou se é CX. Neste momento, Leiria está a passar por um ciclo muito grande, transversal a todas as áreas, também nas questões pessoais das pessoas que estão com problemas. E aquilo que temos neste momento é uma bolsinha de nada. Não há respostas, não há nada, ninguém sabe e portanto, isto é um bocado desanimante. Temos situações de empresários que já dizem que mais valia terem caído debaixo do telhado ou ter-lhes dado uma coisa assim pior do que está no momento em que estão a viver. Diga.
Ia perguntar: os apoios já anunciados pelo governo não são suficientes para fazer face a estas situações mais difíceis?
Não. Ainda hoje o IAPME esteve aqui fazer uma apresentação em Leiria com os seus secretários de Estado, tiveram muitos empresários. E as questões são muitas e são questões mesmo dramáticas. As pessoas já estão a entrar numa fase mesmo dramática. Sabe o que é dramática? As pessoas estão a se ver com as suas indústrias sem telhado, as máquinas a levar com água em cima, os fornecedores, muitos internacionais do mercado internacional, não conseguem contatar com eles, desistem das encomendas. Isto é um drama total. É preciso vir alguém que realmente pegasse nisto como deve ser. Eu lembro perfeitamente quando foi a situação do Covid, houve a coragem de colocar alguém militar que fez um trabalho espetacular. E acho que o governo devia ter a humildade de arranjar alguém que criasse efetivamente um ponto na região centro de apoio a este sentido empresarial que está a haver neste momento. Não andar aqui com visitas que não levam a nada, que são passeios. Os senhores ministros vêm, todos passear, muitas conversas, mas depois no fim do dia, nada. E temos aqui empresas de primeira linha que estão sem luz há 14 ou 15 dias. Isto é impossível. Não é com geradores. Os geradores também consomem energia, também consomem combustível. E depois também, quem é que vai pagar o combustível? Estamos a falar aqui que isso é caótico. Muitas vezes acho que a perceção que as pessoas têm e no governo não têm uma visão real do que é que se está a viver exatamente.
Portanto, depreendo das suas palavras que os apoios ainda não começaram a chegar aos empresários aí da região.
Sim, não começaram a chegar e penso que não vão chegar tão depressa, não.
O processo de reconstrução de alguns dos edifícios e infraestruturas afetadas ainda não começou?
Não. Tem sido feito cada um a se arriscar por si. Depois chegar à frente. E depois é assim, também há aqui outra situação que complica ainda mais. Temos que agilizar este tipo de apoios. Não podemos andar com 500 documentos, precisamente isso tudo, quer dizer, já no passado era assim. E agora numa situação desta crise, não podemos andar com isto. Temos que agilizar isso, tem que ser metros mais simples, mais fáceis, com que as pessoas consigam realmente entender. Crie-se um site nacional do governo para os apoios, em que as pessoas têm lá tudo pronto, as pessoas já sabem o que é que têm de fazer.
Mas existe esse portal.
É, está sim, mas é muito difícil para as pessoas aceder ao portal. Muito difícil. Ou cai, ou não está online, ou não se consegue perceber, ou as pessoas não entendem. Tinha que ser criada uma força, realmente. E criou-se aqui em Leiria, está com o Paulo Fernandes, que começava a fazer um trabalho, o ex-presidente da Câmara do Fundão. Sim, está a começar a fazer um trabalho, não é fácil e eu reconheço que não é fácil para ele. E vamos ver se a coisa vai andar, mas para já, eu acho que o governo devia pensar duas coisas: nos apoios que está a querer pôr no terreno, que são muito insuficientes para aquilo que é necessário. Se vale a pena criar desemprego, miséria, empresas com a falência, impostos que não chegam ao Estado, dinheiro que não chega à Segurança Social, se é mais importante isto do que vir para o terreno e apoiar diretamente as empresas. Vir casa a casa ver e dizer: "Sim, senhor, ok. Faça-se isto. É fácil fazer isto". É uma questão de querer, mas isto já não se ocupa nada.