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Temos em direto ao telefone o antigo jogador do Benfica e do Porto, Rui Águas. Boa tarde, Rui Águas. Foi treinado por Artur Jorge no final dos anos 80. Que marca é que ele deixa no futebol português?

Boa tarde. Eu acho que já se disse um pouco das marcas que deixou, desportivamente falando. Em relação a mim, vivi várias fases, como selecionador, como treinador, depois fui seu assistente, por isso foi um conhecimento bem mais alargado. Uma pessoa muito especial, diferente, num meio que não parecia o dele, parecia sempre uma pessoa extra.

Algum episódio especial que recorde com o Artur Jorge?

Não, nada de especial. Só uma marca que ele, em privado, era uma pessoa completamente diferente, bem-humorada, fresca, conversadora e em trabalho não era isso. Ou por estratégia ou por defesa. Ele era um pouco introvertido também, de alguma maneira. Tinha uma postura mais séria, mais seca, se calhar mais estratégica até.

Isso teria, eventualmente, o objetivo de focar os jogadores também para esses treinos e para o trabalho diário?

Mas porque a liderança está muito estudada, e está muito estudada porque é um fenómeno que não é fácil, depende das pessoas, dos jogadores que se encontram, dos líderes. É um mundo muito complexo e nessa fase eu imagino que também se dessem os primeiros passos para um conhecimento mais aprofundado da matéria. Ele foi dos poucos jogadores que eu me lembro que fez um curso superior enquanto jogador. Foi dos poucos que, na altura também não havia muita coisa, mas tirou um curso específico de treino de futebol, que não havia em Portugal, tirou na Alemanha. Marcou desde logo.

E isso fez a diferença para a carreira dele enquanto treinador?

Talvez sim. Desde logo, levou a um patamar, em termos públicos, diferente. Foi uma pessoa desde cedo mais considerada do que o normal agente de futebol. E depois, claro, gostou de provar no decorrer do tempo a sua valia.