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Durante a noite de hoje, a Embaixada dos Estados Unidos encerrou a embaixada em Kiev por informações sobre um ataque significativo à capital da Ucrânia. Entretanto, outras embaixadas fecharam, como a italiana e a espanhola. Há pouco, o Ministério dos Negócios Estrangeiros disse ao Observador que a embaixada poderia ser encerrada, que estavam alerta para essa situação. O que lhe pretendíamos perguntar é: em que circunstâncias é que as embaixadas encerram e como é que é feita essa decisão?

A decisão é unilateral, portanto, cada país decide isso em função daquilo que considera serem as condições de segurança para a operação da embaixada. O encerramento é técnico, no sentido de que fica sempre alguém. No nosso caso, já não é a primeira vez que a Embaixada de Portugal em Kiev encerra. No início desta guerra, houve um encerramento temporário dos serviços da embaixada em Kiev e depois houve o regresso das pessoas a Kiev. Normalmente, há pessoal local que fica a tomar conta da estrutura física da embaixada e encarregado de acompanhar a preservação dos locais. Mais do que isso, saem o embaixador e as pessoas que normalmente são destacadas no país e que vão especificamente para o país. Neste caso, as pessoas que foram de Portugal, o embaixador e alguns colaboradores que tenham vindo de Portugal, normalmente regressam a Lisboa ou, em alguns casos, já aconteceu no passado, vão para um outro país e regressam quando as condições normalizarem. Normalmente, o que acontece para esta decisão é que os países mais informados, quer dizer, que normalmente são tidos por mais informados, neste caso os Estados Unidos, o Reino Unido e a França, são normalmente os países referência nesta matéria, quando dão instruções às suas missões diplomáticas ou consulares para encerrarem temporariamente, que é um encerramento temporário, fazem-no com base em informações que têm sobre as condições de segurança ou agravamento das condições de segurança. Os outros países que têm menos informações e que têm menos dados, normalmente seguem-nos e fazem essa sequência. Já aconteceu no passado de ser tomada pela União Europeia, em recomendação da própria União Europeia, mas normalmente é uma decisão de natureza individual de cada país.

E estas informações que poderão levar ao encerramento de embaixadas são verificadas. Durante a noite, a Embaixada dos Estados Unidos encerrou, Grécia, Espanha e Itália, se não estou em erro, mas agora há notícias de que este ataque massivo a Kiev estava a ser desmentida pela Ucrânia.

A Ucrânia pode desmentir, mas quem podia desmentir era a Rússia, porque o ataque será feito pela Rússia, eventualmente. O que acontece é o seguinte: tendo em atenção que não é plausível que a escalada que foi feita através da autorização dada às autoridades ucranianas para utilizar os mísseis de longo alcance seja respondida de forma nuclear, que era a dúvida que se punha, se havia uma retaliação nuclear, se a Rússia ia fazer um ataque nuclear tático. O que é mais plausível é que haja um reforço das ações de natureza ofensiva russas, como forma de dar resposta a essa subida de patamar. Por outro lado, há aqui um ponto que não deixa de ser importante considerar nesta conjuntura. É que Trump, há uma semana ou há 10 dias, creio eu, pediu à Rússia alguma contenção e a Rússia não deixará de ter, na sua resposta à Ucrânia nesta nova conjuntura, seguramente em conta essa recomendação de Trump, porque a Rússia está à espera de Trump, clarissimamente. E portanto, não fará nada que possa, de certa maneira, alterar a predisposição, que pelos vistos é favorável, de Trump relativamente a umas certas reivindicações russas. A Rússia medirá, com certeza, a sua resposta. E por isso mesmo, um ataque maciço a Kiev, vamos lá ver o que é um ataque maciço a Kiev. A Rússia normalmente diz, nem sempre tem sido assim, mas di-lo, que os ataques são feitos em instalações logísticas de natureza militar ou outra similar, depósitos, etc. E em particular, nos últimos tempos, em instalações de natureza elétrica e energética. A Rússia nunca disse que ia atacar alvos civis. Independentemente de não o ter dito, tem-no feito no passado. E há alvos civis que já foram atingidos e por isso é que morre gente, às vezes por virtude de estar próxima dos locais militares atingidos, mas se calhar noutros, por decisão russa, não sei. É pouco plausível, neste momento, que a Rússia faça um ataque muito forte sobre Kiev, por exemplo, às estruturas de Estado. Imagine que a Rússia decidia atacar o Palácio Presidencial, atacar o Parlamento, a sede do Governo, etc. Resta saber, nós não sabemos, se a Ucrânia tem mecanismos de defesa antiaérea que lhe permitissem contrariar esses ataques. Mas imagine um ataque que atacasse sobre o Palácio Presidencial, onde está a família de Zelenski ou o governo, etc. Isso teria uma importância brutal e teria uma dimensão que criaria para a imagem da Rússia ainda uma imagem pior do que aquela que ela tem. E portanto, acho que seria muito difícil que o mundo aceitasse uma coisa desse gênero, a eliminação da classe dirigente ucraniana. Potencialmente, em guerra, tudo se pode fazer, mas apesar de tudo, a Rússia não deixa de ter em conta, a meu ver, a circunstância de vir aí um presidente americano que promete alguma proposta de compromisso. Eu acho que a Rússia vai medir muito bem o que vai fazer em termos de ataques de natureza convencional à Ucrânia nas próximas semanas.