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Junta-se a este jornal agora o politólogo Bruno Ferreira Costa, professor de Ciência Política da Universidade da Beira Interior. Muito bom dia, Bruno Ferreira Costa. As campanhas já estão na estrada, aliás, já estão há muito tempo, oficialmente desde ontem. O que é que podemos esperar deste último debate?
Muito bom dia. Em primeiro lugar, dar nota precisamente para a ausência de um dos candidatos. Não é uma novidade, já o fez anteriormente, mas de certo modo demonstra, e eu não poderia deixar de o salientar aqui, algum desrespeito institucional para com os organizadores, até pela gestão com que foi feita esta sua ausência, mas também em relação aos ouvintes. Eu creio que esta é uma excelente oportunidade para se abordar um conjunto de temas que têm estado ausentes da campanha eleitoral ou da pré-campanha eleitoral. E portanto, parece-me que aqui os moderadores, aqueles que terão a responsabilidade também de ir introduzindo os temas, podem ir além das questões que têm sido habituais, nomeadamente ultrapassar a questão das coligações ou dos cenários de coligações, dos cenários de viabilização, porque de facto os líderes políticos, à partida, iriam estar a repetir ou a reiterar aquilo que têm dito nos últimos dias. Parece-me que aqui a questão da política externa e do posicionamento de Portugal no conflito da Ucrânia poderia ser uma boa oportunidade para marcar diferenças entre os partidos políticos, no momento em que se assinalam precisamente os dois anos da invasão da Ucrânia pela Rússia. Mas temas, por exemplo, como a educação, poderiam estar aqui presentes neste debate. Portanto, é uma boa oportunidade para ouvir os líderes políticos em maior detalhe, eventualmente com menor interrupção. Essa é uma das vantagens também de podermos estar a falar em rádio. Haverá certamente uma preocupação maior de permitir que cada um, no seu tempo, exponha as suas posições ou as ideias principais dos seus partidos, para expor um conjunto de propostas políticas para alguns setores, seja a área da Justiça, seja a área da Educação, seja a área da Saúde. Parece-me que são temas que irão estar certamente no centro do debate, mas também no centro da divisão entre as propostas políticas dos principais intervenientes.
Sendo que, Bruno Ferreira Costa, os candidatos nesta altura terão de falar mais para essa camada significativa de indecisos que parece que ainda temos nesta altura, ou para confirmar e segurar os votos que à partida estão a acumular nesta altura.
Esse é um grande desafio, até porque de facto as sondagens apontam um número muito elevado de indecisos, entre 15% a 20%, e nós sabemos que esses indecisos não irão decidir hoje ou amanhã. A grande parte decide, de facto, o seu sentido de voto mesmo à entrada da urna e, portanto, há que estabelecer aqui prioridades. Eventualmente, a prioridade neste momento é a galvanização de um eleitorado já predisposto a votar no partido e, portanto, cimentar essa disposição inicial de voto, até porque parte do eleitorado, ou uma parte significativa, poderá já exercer o voto antecipado no próximo dia 3 de março, mas ao mesmo tempo procurar aqui entrar em faixas do eleitorado próximo. E portanto, Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos, com a preocupação de atingir um eleitorado mais suscetível ao voto útil, e portanto uma dramatização da campanha e do apelo ao voto em blocos, ou seja, o bloco da esquerda e o bloco da direita, enquanto que os outros partidos irão aqui procurar assinalar a importância de afirmar o voto no seu partido com base precisamente na construção dessas maiorias. Ou seja, procurando esvaziar esse apelo direto que certamente Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro procurarão evidenciar no seu discurso. E esta é uma das últimas oportunidades, senão a última oportunidade deste diálogo entre candidatos e certamente que qualquer deslize ou qualquer afirmação soundbite mais evidente pode naturalmente galvanizar as hostes e ajudar ao desempenho durante a campanha eleitoral.