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Como é que vocês se depararam com esta situação? Alguém viu no site desta estilista?

Posso dizer que foi quase de imediato. Eu recebi cerca de uma dezena de chamadas telefónicas, foi por Messenger, foi por e-mail, e eu própria me apercebi disso no jornal, o Público. Posso dizer que a indignação deve ter sido tanta, não só dos poveiros, mas de muitas pessoas que vivem noutras zonas do país, que imediatamente, conhecendo que a Pátria e Povo tem como missão defender o património material e imaterial da Póvoa de Varzim e da região Norte e de todo Portugal, entraram em contato conosco. E de fato, a minha indignação foi, como podem imaginar, total. Ver que temos uma estilista norte-americana, a Toni Birch, a vender uma camisola no website da própria estilista, apresentando este produto tradicional português da Póvoa de Varzim como sendo de inspiração mexicana, o que chega a ser surreal. Pode acreditar que nós de imediato começamos logo a tratar do assunto. Esta camisola, que é apresentada pela estilista, é curiosa porque ela mantém todos os elementos identificativos próprios deste artigo tradicional, como por exemplo, os elementos marítimos dos pescadores, os elementos monárquicos. Portanto, estes aspectos continuam na camisola. Faz alguns pequenos ajustamentos, mas de fato são inconfundíveis os bordados, as cores, as siglas poveiras, o que tornam estas camisolas únicas no mundo. É preciso não esquecer que estas camisolas são muito antigas, remontam ao início do século XIX. E nós, de fato, quando vemos o nosso produto, que é nosso como poveira e como portuguesa, espalhado pelo mundo, com algumas alterações pelos designers, que muito aproveitam, no bom sentido, como inspiração, isso é uma coisa completamente diferente. Outra coisa é este aproveitamento indevido, este plágio de um produto que é marcadamente poveiro, marcadamente português. De imediato, a Associação Pátria e Povo enviou uma carta à estilista a denunciar esta situação e estamos atentos. Não vamos deixar passar em branco uma situação desta gravidade. É preciso, e vou repetir isto de uma forma exaustiva, estas camisolas tradicionais pertencem aos portugueses, são dos portugueses e dos poveiros, e têm que ser tratadas com respeito. Por isso é tão importante que o processo de certificação, que está a decorrer, seja feito de uma forma muito célere, que realmente a proteção exista para comportamentos desta natureza. Aproveito também, na qualidade de presidente da Associação Pátria e Povo, para congratular a pronta intervenção do senhor presidente da União de Freguesias Póvoa de Varzim, Leiriz e Argivai, nesta matéria. Foi muito importante que estivesse atento e que também tivesse em marcha todo este trabalho de travar este abuso.

Estava a falar do processo de certificação. O que é que falta para o processo estar completo?

Não é a Pátria e Povo que está a liderar esse processo. Nós estamos a trabalhar, ainda não podemos revelar, portanto algumas surpresas guardadas para a promoção desta camisola artesanal, mas creio que é a própria autarquia que está a desenvolver o processo da certificação, está há cerca de seis meses a ser tratado. Não sou a pessoa mais indicada para realmente esclarecer sobre essa matéria da certificação. Não o estamos a fazer porque sabemos que está a ser bem tratado e que em breve estará concluído.

Falei com o presidente da Câmara há pouco. Ele dizia que a autarquia ia pôr um processo, que estava a tratar de pôr um processo para resolver a situação. Da vossa parte, vão fazer alguma coisa?

Com certeza, nós estamos sempre do lado da autarquia, seja com a Câmara Municipal, seja com a Junta de Freguesia, para levar a bom porto esta nossa indignação, seja do ponto de vista legal, seja por todos os meios possíveis. Portanto, por aí, podem contar sempre com a Pátria e Povo para pôr fim a uma situação que nós achamos verdadeiramente escandalosa.

Na vossa página de Facebook diziam que já tinham enviado um e-mail à marca, certo?

Sim. Estamos ainda a aguardar resposta. É natural, daquilo que nós já nos apercebemos, que neste momento, seja o comportamento que foi junto da Câmara Municipal e junto da Junta de Freguesia, de não responder. Não sei. Neste momento ainda não obtivemos resposta, estamos a aguardar. Não vou dizer com muita serenidade, porque quando as coisas nos ofendem, nós normalmente agimos de uma forma mais emotiva. Mas vamos estar atentos, vamos dar resposta. A Câmara Municipal e a Junta de Freguesia podem contar com a nossa total colaboração naquilo que for preciso e vamos também pelos nossos próprios meios fazer chegar a quem de direito todo o problema que nós encontrámos e que nos surpreendeu. Posso dizer que estamos absolutamente surpreendidos. Apanhou o mundo da moda também. Eu falei com vários dirigentes que fazem parte do mundo da moda e do mundo empresarial, que têm, para com este produto, referência tradicional de Portugal, um carinho muito especial e posso dizer que até falei com o ModaTech hoje de manhã e todos, de uma forma muito triste, viram que a camisola poveira estava a ser tratada de uma forma que nós consideramos muito pouco razoável.