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Albano Lemos Pires, eu começava por lhe perguntar sobre este caso. Inês de Sousa Real é acusada de ter empresas agrícolas que não respeitam os princípios que defende o partido. Eu começo por lhe perguntar como é que estão a acompanhar esta história.

Primeiro, é uma não-história, é um não-caso, porque o marido da Inês de Sousa Real tem um projeto agrícola exemplar, biológico, sustentável, essencialmente local, com práticas que são exatamente aquilo que o PAN defende. Estamos a falar de produção de frutos silvestres, que são naturalmente frágeis, que são plantados com imenso carinho, com imenso cuidado, sem produtos químicos, obviamente, e certificados. Portanto, qual é o problema? É o PAN perceber de agricultura ou haver dentro do PAN quem perceba de agricultura? Se esse é o problema, para nós não é. Sempre o dissemos. Não somos contra os agricultores.

Diz que isto é um não-caso, uma não-história. Acredita então que terá sido aqui uma espécie de manobra numa altura sensível, não é? Estamos perto das eleições legislativas. Acredita então que terá sido nesse sentido que esta história surgiu, é isso?

Obviamente, mas quem pensar o contrário é ingénuo ou tolo. Ninguém pode pensar que numa altura destas, de repente lembrarem-se: "Olha, ela tem uma hortazinha de frutos silvestres, vamos lá acusá-la de ser agricultora." Isto é quase nonsense. Isto parece um filme dos Monty Python.

Mas compreende os pedidos de demissão de Inês de Sousa Real?

Claro que não, são completamente disparatados. É que não fazem sentido. Para usar até uma expressão que nos poderia ser cara, é de preso por ser cão e por não ser cão. Um dia somos urbano-depressivos, no dia seguinte somos agricultores e, portanto, somos uns demónios. Francamente, não há palavras para isto. É do mais baixo possível.

O Albano Lemos Pires é membro da direção do PAN. Eu pergunto-lhe, independentemente de considerar que isto é um não-caso, se esta história, este caso em volta de Inês de Sousa Real, afeta de alguma forma a imagem do partido, se belisca o PAN, e também se entende que estará em causa aqui a direção do PAN ou se se mantêm tranquilos.

Absolutamente. Isto só pode afetar pessoas com alguma deficiência cognitiva, porque não há sequer matéria para conversar. Isto eu nem sei como é que houve órgãos de comunicação social que pegaram neste não assunto. Olhe, eu tenho um vaso na janela. Não sei se é um crime ou não, mas tenho. Eu gosto de plantas na janela. Espero que isto não seja um dia destes uma notícia.

Foi uma denúncia que surgiu, não é?

Pronto, um dia podem denunciar que eu tenho vasos na janela, que é um perigo, porque pode vir um furacão e eles podem cair na cabeça de alguém. Quando se quer prejudicar alguém, tudo serve.

Entende então que esta história surgiu para prejudicar o PAN e, em concreto, Inês de Sousa Real, mas só para eu perceber, este caso entende que afeta ou não a imagem do partido?

Não, não tem que afetar.

Ou seja, no fundo, mesmo considerando que é um não caso, se apesar de tudo, pode ter aqui alguma espécie de influência na imagem do PAN aos olhos dos portugueses, dos eleitores.

Eu não faço assim tão má imagem das pessoas. Penso que as pessoas de uma maneira geral são inteligentes e não iriam cair nesta. Mesmo os poucos órgãos que fizeram alarde disto são órgãos que estão ao serviço de determinados partidos, a quem o crescimento do PAN incomoda. Mas os seus eleitores talvez acreditem, mas esses eleitores de qualquer maneira já não gostam do PAN, já não gostam da agricultura biológica, já não gostam da defesa da natureza e preocupam-se com os movimentos ecologistas e, portanto, para eles já era mau e era, portanto, não é por aí.

Expressa, por isso, total confiança na líder do PAN?

Sim, total. Tanto hoje como na semana passada, como há duas semanas, é exatamente igual. Aliás, cada dia mais.

E as eleições legislativas estão marcadas para 30 de janeiro. Acredita que este caso não vai beliscar de alguma forma os resultados que o PAN chegará a ter na noite eleitoral?

Não acredito mesmo, de todo.

Só mesmo para terminar, Albano Lemos Pires, eu perguntava-lhe a quem esteja a associar este caso ao caso de Robles e da especulação imobiliária. Pergunto-lhe se há alguma comparação.

Nenhuma, é um absurdo. Mesmo absurdo, porque aqui não há caso nenhum. Aqui descobriu-se que Inês de Sousa Real, além de ser advogada, também tem uma paixão pela agricultura biológica. E não vemos aí nenhum mal ao mundo.

Portanto, a direção está totalmente tranquila.

O PAN nunca se manifestou contra a propriedade privada, também não é por aí. Portanto, não estou a ver em que é que isto possa beliscar sequer a imagem de Inês de Sousa Real.

Portanto, a direção está totalmente tranquila em relação a este caso e em relação à confiança que têm em Inês de Sousa Real?

Obviamente.