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Peço desculpa por esta voz um pouco rouca. Não foi dos festejos de ontem à noite, podem ter a certeza. Caros amigos e camaradas, nesta campanha eleitoral, nesta luta por tudo aquilo que importa na vida dos trabalhadores, do povo, da juventude e do país, afirmamos a CDU com uma grande força de coragem, a força de seriedade e a força de confiança. E isso também é fruto do trabalho de todos aqueles que aqui estão e os milhares, e os milhares, e os milhares pelo país fora se afirmaram. Queríamos aproveitar para saudar os nossos aliados do Partido Ecologista Os Verdes.
O Partido Ecologista Os Verdes, que volta a falhar o regresso à Assembleia da República, acusado de ter sido uma meta apontada por Paulo Raimundo.
Mas também os milhares de homens, mulheres e jovens sem filiação partidária, fizeram desta campanha eleitoral uma notável jornada em defesa de um novo rumo para o país. Muito obrigado por esse esforço.
Paulo Raimundo é agora interrompido por bandeiras no ar e gritos de apelo à CDU. Começa como começou, aliás, todos os discursos desta campanha eleitoral, com um agradecimento às pessoas que ajudaram a fazer a campanha.
Saudamos, de forma particular, a juventude, a quem nos dirigimos de forma particular ao longo de toda a campanha e com a sua participação, a sua força, a sua energia, a sua criatividade, a sua alegria e a sua combatividade, deu a esta campanha eleitoral uma expressão de grande dinâmica, de grande audácia, uma expressão eleitoral que teve frutos no presente e vai ter frutos no futuro. Uma grande saudação à juventude.
São vários os compassos de espera feitos pelo secretário-geral do Partido Comunista Português durante este início de discurso. É constantemente interrompido pelas dezenas de apoiantes que estão aqui no Centro Metropolitano.
Todos os que votaram na CDU e em particularmente aqueles que o fizeram pela primeira vez. O resultado da CDU, marcando resistência num quadro particularmente exigente e face a múltiplos vaticínios, não reflete nem a expressão de apoio e de reconhecimento que a campanha mostrou, nem o que a situação do país exigia, com uma CDU mais reforçada para responder aos problemas e para enfrentar as forças e os projetos reacionários. É um resultado inseparável, de fatores objetivos e subjetivos, em que pesaram a difusão de elementos de preconceito, a recorrente falsificação e menorização da CDU e das suas propostas, de uma opção eleitoral ditada não pela resposta aos problemas de cada um, mas condicionada por alegadas disputas de maiorias eleitorais. Queríamos dizer, com grande satisfação, que tudo indica manteremos o mesmo número de deputados na Assembleia da República.
Para já, a CDU tem três deputados eleitos. Falta ainda fechar Lisboa e Setúbal. No ano passado, a CDU elegeu dois deputados na capital, o próprio Paulo Raimundo e também António Filipe.
E como afirmamos em toda a campanha, cada voto na CDU conta. Nenhum voto será desperdiçado, nenhum voto na CDU será traído. Cada voto na CDU é uma expressão de compromisso com outro rumo na vida política nacional, um voto de exigência de rutura com a política de direita e que contarão para enfrentar com coragem, com muita coragem, a direita, a extrema-direita e os interesses do capital. Podem os trabalhadores, o povo e a juventude contar com a iniciativa e intervenção da CDU para dar resposta às soluções e às questões que colocam na vida de cada um de nós. Salários, pensões, saúde, habitação, educação, direitos das crianças e dos pais, das mulheres, da juventude, o ambiente, a conservação da natureza, o fim da guerra, a solidariedade com a Palestina.
São também as bandeiras que Paulo Raimundo trouxe a esta campanha eleitoral.
Podem contar com a CDU para defender a liberdade, a democracia, a Constituição da República e a paz. A competição na Assembleia da República tem uma evolução negativa marcada pelo crescimento da AD, do Chega e da Iniciativa Liberal. O resultado obtido pela AD foi alcançado pela instrumentalização da ideia da estabilidade governativa, a partir de uma política que promove todos os dias a instabilidade na vida de cada um, do uso e abuso ilegítimo de atos de um governo em gestão, da vitimização que procurou fomentar, associado à falta de credibilidade do PS que, não só não assumiu uma perspetiva de caminho e opções distintas da AD, como antecipadamente se mostrou disponível para viabilizar um seu governo. O resultado obtido pelo Chega é inseparável dos meios financeiros, mediáticos e outros, que hoje estão colocados pelo capital ao serviço da promoção de um quadro de valores reacionários e antidemocráticos, favorecendo forças que alimentam a demagogia, a mentira, a manipulação e o ódio, elementos amplamente evidentes durante esta campanha eleitoral O quadro institucional agora resultante, com uma maioria na Assembleia da República de PSD, CDS, Chega e Iniciativa Liberal, independentemente dos arranjos que venham a verificar-se entre estas forças, comporta o perigo da intensificação da agenda retrógrada, neoliberal e antissocial. Este é o momento para dizer com clareza e com coragem, sem taticismos, ao que se está e ao que se vai. Face a estes resultados eleitorais, que não subestimamos, este não é o tempo de conformação ou de entendimento com a direita e as suas conceções reacionárias, retrógradas e antidemocráticas. Este não é o tempo para dar a mão à direita e dar suporte à sua política antipopular. Este é o tempo de combate à política dos baixos salários e pensões, de ataque aos direitos dos trabalhadores, de ataque aos serviços públicos, de negação do direito à habitação, de combate às privatizações e outras negociatas, à promiscuidade, de mais e mais favores ao capital, submissão nacional e de corrida aos armamentos. Este é o tempo de democratas e patriotas assumirem o caminho de resistência e da luta contra o retrocesso e abrir o caminho que o país precisa. Desenganem-se os que acham que o neoliberalismo e a ação reacionária se vão impor ou que a luta dos trabalhadores e do povo vai deixar arrastar os seus direitos e fazer regredir o país. A situação de hoje evidencia ainda mais o papel decisivo da luta dos trabalhadores e do povo, a necessidade de uma ação comum de democratas e patriotas, a importância da CDU e dos seus deputados para enfrentar a política de direita e o governo que a concretize, para enfrentar os projetos reacionários e a revisão subversiva da Constituição da República. Os trabalhadores do povo e a juventude contam com o PCP e a CDU, e nós contamos, confiamos na força do nosso povo, na força dos trabalhadores, na força da juventude para enfrentar com a sua luta, com a sua determinação e abrir um novo rumo que se coloca ao nosso país. Viva a CDU!