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Ora bem, nós temos de facto um problema na região, não só em Gaia. Aliás, referiu a estação de São Bento, exactamente, no Porto, também a estação que serve o metro do Porto, a estação na cidade do Porto. Temos o Campo 24 de Agosto, também na cidade do Porto, e temos em Gaia, naturalmente, como existe noutros municípios aqui à volta, porque há aqui uma intempérie que começou a partir das 08h00, e por muito que haja equipas na rua e que estejam a trabalhar para prevenir o mais possível, a verdade é que o volume de água é absolutamente brutal, absolutamente anormal e causa problemas. Já tivemos situações na Afurada, temos situações em Canidelo, na Madalena. Portanto, há aqui um conjunto diversificado de situações. Felizmente, nenhuma delas com questões de vida, de danos pessoais, mas com problemas sérios, por exemplo, em automóveis que ficaram alagados, zonas de estacionamento que ficaram alagadas, algumas zonas comerciais que ficaram também com os seus parques de estacionamento alagados. Vamos ver. Temos ainda um dia pela frente com este tipo de chuvas. Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para minimizar. E claro, as pessoas estão angustiadas, como é evidente, e o nosso papel é ajudar a resolver o assunto.
Deixe-me perguntar-lhe, estava a dizer que ainda tem um dia longo pela frente. Podemos então presumir que o pior ainda não passou em Gaia?
Não. Aparentemente, nós temos pela frente um dia de chuva forte. Tivemos há bocadinho um pequeno estio, que felizmente nos permitiu ainda reforçar algum trabalho, mas neste momento já está outra vez, e aqui na passagem que estou a fazer de um local para o outro, da Afurada para Canidelo, já está outra vez aqui uma chuvada absolutamente brutal. E é evidente, nós passámos de um verão que deixou os solos secos para termos neste momento os solos completamente alagados e incapazes já de suportar mais água e, portanto, a lei da natureza. Agora, o nosso papel é, dentro do possível, garantir que as infraestruturas aguentam toda esta pressão e aquilo que não for possível aguentar, minimizar os problemas às pessoas. Felizmente, num concelho que, apesar de tudo, é muito grande e que tem uma frente marítima de 15 km e uma frente ribeirinha de 17 km, felizmente, as situações são em número reduzido. Agora, para quem as vive, são as mais importantes do mundo e o nosso papel é ajudar a resolver.
Nós falámos há pouco com a Proteção Civil e falou em 140 ocorrências, creio, na Área Metropolitana do Porto, a incluir Gaia. Dizia, no entanto, que a maioria destas ocorrências já estava resolvida. É isso que se vê em Gaia ou ainda há coisas por resolver?
Não. Neste momento, há coisas para resolver porque estão a ser resolvidas. Ou seja, é evidente que há situações, como aconteceu na Afurada, em que a resolução não é imediata. Até o escoamento precisa de tempo, mas todas elas ou estão resolvidas ou estão controladas. Não temos, felizmente, ocorrências de quedas de árvores. Não, isso não temos. As nossas ocorrências são, de facto, não posso dizer normais, porque ninguém quer que isto seja normalidade, mas são as ocorrências que resultam desta intempérie que se assemelha à que tivemos na semana passada, para pior. E, portanto, a capacidade de retenção da água e de gestão de todo este processo é uma capacidade diminuta. Está a afetar a região toda. Infelizmente, não é só a área metropolitana. Temos notícia de que a norte a situação também está complexa, mas também, como dizia há pouco, temos um dia pela frente, porque segundo as previsões do IPMA, vamos ter ainda durante a tarde e uma parte da noite, fortes quedas de água e portanto estamos com tudo no terreno para minimizar as questões.
Disse há pouco que fazia lembrar para pior o mau tempo que tinha acontecido na semana passada. Eu pergunto-lhe se faz também lembrar aquela semana de muito mau tempo que afectou quase Portugal de norte a sul do país antes do Natal. É uma situação assim semelhante?
Bom, como se lembrará, felizmente aqui no norte nós não tivemos esse impacto. Afetou o país todo, mas de facto o problema maior foi no centro e sul. E portanto, eu não o vivi diretamente, mas tanto quanto me foi reportado e quanto tenho visto, sim, são caudais de água absolutamente inacreditáveis, anormais e incapazes de serem geridos pela drenagem do solo, por um lado, e pelas próprias infraestruturas existentes. Nós vamos passar um problema, nós país e nós, se calhar, Europa, mundo, nós vamos passar um problema, que é depois do esforço que fizemos como sociedade para infraestruturar o território, para ter condutas de saneamento, para ter condutas de águas pluviais, nós vamos muito provavelmente ter uma necessidade de reinvestimento na mesma linha para substituir por alteração dos padrões de pluviosidade, de intensidade, de volume de água. E isso é um trabalho que temos pela frente. O cidadão, a cidade, a sociedade, vai cada vez mais caminhar para um processo adaptativo àquilo que a natureza nos está a impor, se calhar fruto de muitos erros que nós cometemos com a própria natureza. Por isso, é este processo adaptativo que vamos ter que assumir, porque a natureza manda mais.
Senhor Presidente, duas últimas questões que vou fazer agora de uma assentada. Eu presumo que seja ainda muito cedo para contabilizar os prejuízos, mas faço-lhe essa pergunta na mesma e pergunto também de que forma é que a Câmara está a trabalhar com as autoridades para garantir que estas situações são ultrapassadas.
Ora bem, neste momento está tudo no terreno. As autoridades estão todas completamente mobilizadas. Felizmente, temos um sistema de proteção civil em Vila Nova de Gaia muito bom, com os nossos sapadores, com as associações humanitárias de bombeiros. Portanto, felizmente, aí está tudo no terreno, a própria polícia na perspectiva de ajudar a normalização do trânsito, enfim, aí não temos problema nenhum, está tudo a funcionar. Não podem fazer mais do que aquilo que estão a fazer. Agora, é evidente que do ponto de vista dos prejuízos, nós vamos ter que os contabilizar. E mais uma vez, como aliás já aconteceu há 15 dias, vamos ter, seguramente, da parte do Estado, participações para aquilo que foram prejuízos que resultem das intempéries. E portanto, temos neste momento uma equipa a compilar, a fotografar, a fazer o levantamento todo, para que se possa depois demonstrar, porque também é muito importante que as coisas sejam muito claras e transparentes e, portanto, o levantamento tem que ser feito no próprio momento e com todas as condições de, repito, transparência. É verdade que queremos ajuda, mas queremos ajuda que se verifique no terreno o que é justo. E é isso que vamos compilar para ajudar os moradores, o comércio, alguns pequenos comerciantes que foram afetados, moradores que tinham os seus carros em zonas de estacionamento normais e que foram surpreendidos com tudo isto. É o nosso papel e vamos ter que o fazer e fazemo-lo com todo o empenho.