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Temos conosco o padre Lino Maia, na qualidade de presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade. Bom dia novamente. Não sei se está a par dos dados que saíram hoje. O barómetro avança que o número de internamentos sociais aumentou 19% no mês de março, em relação ao ano passado, e ultrapassou os 2800 internamentos sociais. Qual é a sua reação perante estes números?

De um certo alarme, passe o termo. Era previsível. Aliás, as indicações que temos são as do aumento progressivo de casos em que pessoas que têm alta clínica não têm alta social, não têm para onde ir, ficam nos hospitais a vegetar. E as várias respostas que têm sido tentadas têm ajudado, mas não resolvem. Eu penso que é importante nós pensarmos em mais cuidados continuados, em mais lares, em mais apoio domiciliário, com mais vertentes, e numa outra resposta que, em devido tempo, a CNIS apresentou, que é o chamado programa de voltar a casa. Claro que cada uma destas respostas, lares não resolve tudo, cuidados continuados não resolve tudo, integram-se estas várias respostas, e penso que temos de olhar, de facto, para isso, até porque está em causa o respeito pela dignidade das pessoas. A pessoa que vegeta, passe o termo, num hospital, por um lado, sente-se abandonada, estando no meio de muitas pessoas em situação difícil e, por vezes, até vão ganhando mais enfermidades, vão ficando mais frágeis, mais débeis. Ora, é importante nós não enfiarmos a cabeça na areia e resolver. Para mim, não é a principal razão, mas até porque a ocupação de uma cama num hospital fica muito mais cara do que uma outra resposta.

Exatamente, o estudo até revela que esta ocupação de cerca de 14% das camas do SNS está, neste momento, a custar ao Estado mais de €350 milhões. Qual é que, para si, é então a principal razão? Qual é o motivo principal para isto continuar a acontecer?

É exatamente por aquelas razões que eu dizia. A resposta de cuidados continuados não é suficiente ainda. Lares ou ERPIS não são suficientes. Aliás, há, vinda da Europa, uma certa ideia de que se deve evitar a institucionalização e, por isso, não se tem investido convenientemente em mais respostas de lar. O apoio domiciliário também não é suficiente, porque muitas dessas pessoas precisam também de cuidados de saúde e a resposta que temos não resolve tudo. E por isso é que é necessário, de facto, termos uma resposta especial para estas situações. Aquilo a que nós chamamos pequenas residências de transição, em que as pessoas possam estar até dois anos e depois, provavelmente, transitarem para outra resposta social ou para a vida ativa, normal, residências que favoreçam, de facto, inclusive a socialização. E, portanto, é necessário nós olharmos mesmo isto, porque, repito, em causa está o respeito pela dignidade das pessoas. Uma pessoa que fica numa cama, num hospital, sem necessidade, digamos assim, não se sente respeitada na sua dignidade. E repito aquilo que dizia, que, de facto, para o Estado fica muito mais caro. Para mim, a principal razão não é a questão dos números, dos custos financeiros, é a questão da dignidade da pessoa. E por isso é que nós temos que olhar a sério. E, de facto, aquilo que temos notado é que tem havido sempre um aumento progressivo do número de pessoas que ficam nos lares. E depois, há pessoas que já estão ali há meses, sucessivamente. E, portanto, é importante responder isto.

Então acredita que a solução passa por mais apoios do Estado para a construção dessas residências?

Exatamente. As instituições de solidariedade estão disponíveis, até porque há casos que precisarão de algumas obras de adaptação, senão será o mais oneroso. Há instituições que têm, misericórdias que têm, algumas casas de outras que foram herdadas, doadas. Há também casas do Estado. Era a questão de, de facto, haver uma aposta mesmo na criação desta resposta social, em que a CNIS tem um contributo importante e estaríamos a resolver. Não era uma resolução eficaz e definitiva, mas é mais uma resposta para responder a muitas situações. Fundamentalmente, é isso. O que gostava de sublinhar novamente é que, de facto, não estamos a enfiar a cabeça na areia, porque vem aumentando progressivamente e tudo leva a crer que continue a aumentar, até porque o aumento da esperança de vida não é acompanhado por qualidade de vida. E muitas vezes as famílias não têm condições para ter um idoso em casa, a precisar de cuidados e, portanto, nós temos que olhar a sério para esta situação