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Rodrigo Eirós e Melo, director executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo. Saiu hoje a notícia no Jornal de Notícias de que escolas privadas estão a ter dificuldades em combater a pandemia de Covid-19. Não é apenas uma situação que afecta as escolas privadas, mas olhamos aqui para elas porque algumas estão a reforçar já o ensino online. Esta é a solução mais fácil ou mais acessível para combater este aumento de casos?
Neste momento, o aumento de casos está a tornar o ensino muito disruptivo e por isso muitos colégios estão a pensar optar por um ensino à distância mais decidido. Ou seja, são esses alunos mais velhos para quem já sabemos que o ensino à distância está a funcionar e é possível continuar com as aprendizagens. O entra e sai, não sabemos até que ponto não é melhor para os mais velhos permitir que cada colégio, consoante a sua situação concreta, possa optar por ensino à distância.
E para além desta medida, que outras alternativas é que podem ser aqui encontradas ou mesmo soluções para tentar conter o aumento de casos nas escolas?
Há aqui uma situação que nos preocupa, que é a necessidade de haver apoios aos pais e ser mais claro que quando há muitos dos adultos, e aqui a questão é nas crianças mais novas, que não podem ficar sozinhas em casa e temos muitas situações onde os educadores estão com Covid-19, estão isolados e é preciso que seja possível declarar os surtos ou arranjar um qualquer mecanismo que permita, porque as crianças têm de ficar em casa, haver apoios às famílias, que neste momento está a ser muito difícil.
E doutor, há também outros profissionais do ensino que apontam aqui para outros professores a quem têm de pedir horas extra, no fundo, para evitar ter de fechar portas, devido também a pessoal que está infetado com Covid-19, leva assim a essa falta de pessoal. Conhece também casos que têm de pedir horas extra aos professores?
Repare, isso é uma grande novidade no público, mas no ensino particular e cooperativo é muito frequente. E portanto, quando nós temos, mesmo em situações normais, as faltas de professores, nós não temos folgos e portanto quando falta um professor, há alguém que vai dar, se é uma baixa ou se é algo mais prolongado, imediatamente um colega assume algumas das turmas. Aqui a questão é que neste momento, quando são muitas pessoas que estão infetadas, não é possível pedir mais horas aos colegas e portanto, as horas extras é o nosso primeiro recurso, mesmo em situação normal, para não haver disrupção no ensino. Neste momento o problema é que isso não chega.
Continua a haver, ainda assim, falta de profissionais, mesmo com essa compensação.
Exato. E atenção que o nosso problema é especialmente nos alunos mais novos, porque repare, se falta um professor a titular de turma do primeiro ciclo e a auxiliar, não há horas extras que compensem. As horas extras só são solução nos mais velhos, onde é mais uma hora, menos uma hora ou uma disciplina que tenha mais duas ou três horas semanais. E aí já é uma prática frequente no ensino particular e cooperativo, que isso é que nós temos sempre os alunos todos com aulas. A nossa questão é mais nos mais novos, quando falta um docente, são logo 25 horas que nos faltam, e não é possível ter horas extra. E nos mais velhos, pensamos que permitir, especialmente nos sítios, nas freguesias, nos sítios onde há maior incidência de casos, permitir-se quem necessitar avançar decididamente com o ensino à distância, nos mais velhos, isso resolvia os problemas. Portanto, dentro do menos bom, era o menos mais estável.