Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
João, seguimos já em direto e sem mais demoras para a cidade do Porto.
É lá que decorre a esta hora uma manifestação, um protesto por parte dos empresários da restauração, comércio e hotelaria. E é lá que está também a repórter do Observador, Catarina Peixoto. Catarina, tu que acompanhaste esses momentos de tensão vividos e que obrigaram a intervenção da Polícia de Segurança Pública.
Houve aqui um momento de tensão, no momento em que os manifestantes estavam a incendiar um caixão, que aqui simboliza a morte do setor, de acordo com os manifestantes que aqui estão na Avenida dos Aliados. Houve uma altura em que começou a ficar tudo mais confuso, gritava-se vergonha e a polícia teve de intervir. Houve garrafas que foram atiradas para o chão, muita confusão, enquanto a polícia tentava indicar alguns dos manifestantes para um dos carros, precisamente, das forças de segurança que aqui estão estacionados. Entretanto, a confusão já acalmou um bocadinho, o ambiente já está mais calmo, mas foi um momento em que as pessoas já não se manifestavam, neste caso, contra as medidas do governo, mas sim contra a polícia que aqui estava a intervir. De referir que estão aqui cerca de mil pessoas em protesto na Avenida dos Aliados. São pessoas de vários setores, da restauração, mas também da hotelaria, da cultura. Vão-se ouvindo muitos cânticos dos manifestantes a dizerem que querem trabalhar, muitas faixas de protesto contra as medidas que foram anunciadas pelo governo. Mesmo tendo em conta o apoio que também o governo anunciou ontem, os manifestantes consideram que não é suficiente. O cenário é de muito fumo também. Os manifestantes incendiaram um dos caixões, como já referi, que estão aqui expostos em plena avenida para simbolizar a morte do setor. Entretanto, continuam os cânticos e Rui Moreira, há cerca de meia hora, foi convidado também a falar. Ele que desceu da Câmara e veio à rua falar com os manifestantes, foi convidado também para pegar no megafone e começou por dizer que compreende a mágoa dos trabalhadores deste setor da restauração e que estão em causa aqui milhares de postos de trabalho.
Venho aqui para vos manifestar a minha solidariedade e o meu respeito pela situação que todos vivem. Queria vos dizer que a situação que os vossos setores, porque são vários, têm vivido, é absolutamente trágico e nós compreendemos bem a vossa mágoa, a vossa preocupação e a vossa inquietação. Estamos a falar em milhares de postos de trabalho, estamos a falar em centenas de empresas, muitas delas pequenas, em que as pessoas puseram tudo aquilo que tinham. E também compreendemos que o tempo da confiança e dos apoios não chega.
Rui Moreira aqui também a dizer que admite que os próximos tempos vão ser duros, mesmo com a existência de uma vacina.
Mesmo que apareça uma vacina no prazo de três meses, dificilmente os setores vão recuperar no tempo necessário. Aquilo que vocês compreendem, é que aqui na Câmara, o dinheiro que nós temos não é do presidente da Câmara, nem é dos vereadores. O dinheiro das Câmaras é o dinheiro das pessoas. E aquilo que quisemos aguardar, foi pelas decisões que o governo está a anunciar. A nosso ver, não se resolve a nível de linhas de crédito. As linhas de crédito é um modelo que podia ter funcionado, mas que se esgotou. E, portanto, estamos disponíveis, naturalmente, para olhar a outras medidas.
Palavras de Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, que se junta a esta manifestação dos empresários da restauração, no mesmo dia em que a autarquia também anunciou que quer isentar todas as atividades econômicas da cidade, das taxas municipais. Os protestos, entretanto, continuam. Houve aqui momentos de confronto, a polícia teve mesmo de intervir. O ambiente, para já, está mais calmo. Ainda se está a tentar perceber o que é que aconteceu para que a polícia tivesse de intervir. Sabe-se apenas que foi no momento em que um caixão estava a ser incendiado, que se gritava vergonha. A polícia interveio, houve muitas garrafas a serem atiradas ao chão aqui na Avenida dos Aliados. Estamos a tentar perceber, efetivamente, o que é que aconteceu e se houve pessoas que foram detidas.
Ana Catarina Peixoto, era isso que te ia perguntar, se haveria detenções, mas para já é algo que estamos ainda a tentar apurar. Para já, a Polícia de Segurança Pública está a montar alguma espécie de cordão policial para evitar que se repitam também essas situações de há pouco, esses momentos de maior tensão que obrigaram a intervenção da polícia?
Sim, a polícia está aqui mais atenta, estão a rodear os manifestantes, estão em frente ao carro da PSP que está aqui estacionado e que também, na altura dos confrontos, foi para onde alguns dos manifestantes terão se dirigido. Como já disse, o ambiente está mais calmo, a polícia também já deu algum espaço, ainda que relativamente aos minutos anteriores, a polícia está muito mais à volta dos manifestantes para tentar acalmar os ânimos e evitar que aconteça mais alguma situação de confronto.
E neste momento consegues perceber também se este é um movimento, o movimento Pão e Água, que está concentrado aí na Avenida dos Aliados, no Porto, mas pelo que conseguimos perceber, são empresários que vêm de várias zonas do Grande Porto, por exemplo, não são apenas do centro da cidade.
Precisamente, são empresários que vêm de várias zonas do norte do país, Porto, Aveiro. O protesto foi organizado, aliás, nas redes sociais. Na segunda-feira foi organizado um primeiro protesto. Agora volta-se a protestar. São vários empresários de restaurantes, mas também de hotelaria, da cultura, que aqui se juntam. Mas foi um movimento, um protesto organizado através das redes sociais, por cidadãos. Não há aqui qualquer associação, neste caso, que está envolvida na organização deste protesto. São empresários individuais, empresas também que se juntam, fornecedores, entretanto, também, para protestar contra as medidas do governo, mas foram cidadãos que criaram e que organizaram esta manifestação.
Obrigado, Ana Catarina Peixoto, repórter do Observador, neste momento, no centro da cidade do Porto, na Avenida dos Aliados. É lá que ainda decorre, com esses momentos de tensão à mistura, esse protesto do movimento Pão e Água, composto por empresários do setor da restauração, comércio e hotelaria. Exigem apoios financeiros ao governo para atravessarem esta fase mais difícil para o setor da restauração. Temos ouvido também ao longo dos últimos dias vários reparos por parte de entidades que representam o setor, quer em relação aos apoios que são exigidos, quer também em relação a esses horários que muitos empresários do setor da restauração dizem não compreender. De resto, sublinhar também que já a partir de amanhã, sábado e domingo, neste fim de semana, o recolher obrigatório será a partir da 13h. Foi algo que já foi criticado, e muito, pelas entidades que vão representando estes setores da restauração, da hotelaria e também do comércio.