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Manuel Caldeira Cabral é antigo ministro da Economia. Para esta pasta, o escolhido de Montenegro é Pedro Reis, gestor, economista, presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal no tempo de Passos Coelho. Vai ter a tutela do Turismo, da Economia e do Comércio. Perguntava-lhe primeiro que expectativas tem para Pedro Reis como ministro da Economia?

Eu tenho muito boas expectativas de Pedro Reis para ministro da Economia. É uma pessoa que conheço, que conheço o trabalho que fez na AICEP, que penso que conhece as empresas e os desafios desta pasta e é uma pessoa que eu considero pragmática, determinado e penso que poderá fazer um bom trabalho no Ministério da Economia, com a tutela que tem da AICEP, mas espero também no turismo e nas outras áreas do Ministério da Economia. Penso que é uma altura importante e que Pedro Reis poderá dar, de facto, esse impacto. É uma pessoa que eu acompanhei em vários momentos, desde conferências, congressos que participamos em conjunto e em outras ocasiões públicas, mas também no Banco de Fomento, também estava comigo no Conselho Consultivo do Banco de Fomento e com quem tenho acompanhado e penso que é uma pessoa que poderá fazer um bom trabalho nessa pasta. Penso que foi uma boa escolha do Luís Montenegro.

Deixe-me perguntar-lhe também que expectativas é que tem para este governo da Aliança Democrática.

Eu penso que é um governo que começa com uma situação econômica e financeira boa e, portanto, tem condições boas para atuar. Tem talvez menos condições políticas, no sentido que tem uma maioria curta no Parlamento, mas eu penso que terá que fazer um esforço para ultrapassar isso. Gostaria de salientar nos ministros também Fernando Alexandre, que é meu colega da Universidade do Minho e que penso que é uma pessoa que pelo envolvimento que já teve também na gestão universitária, na gestão da Escola de Economia e Gestão, que eu acompanhei, é uma pessoa que tem capacidade, de facto, para o cargo em que está. É um cargo bastante exigente, porque tem educação no ensino superior e inovação, mas é uma área em que ele conhece bem e que eu também tenho expectativas importantes. É importante, obviamente, com um ministério tão amplo, os secretários de Estado que vá ter, em particular para o ensino superior, ter um bom secretário de Estado, mas também na área da inovação, que foi uma área que estava na minha tutela no Ministério da Economia e que agora está com o Fernando Alexandre. Ele tem livros escritos sobre isso e o trabalho que fez sobre o Made of Portugal, é interessante a abordagem que tem, mas é uma área muito importante e é muito importante esta ligação de conseguirmos pôr o ensino superior, de pôr o conhecimento mais ligado à inovação e, portanto, é uma pessoa que eu também tenho uma expectativa bastante boa. Eu penso que o governo tem várias pessoas neste governo que têm qualidade, que algumas delas trabalhei com eles no Parlamento, o Joaquim Sarmento, por exemplo, contactei com ele só em outras ocasiões, mas são pessoas de qualidade e que entram no governo num momento em que a economia portuguesa tem tido um ciclo de crescimento bom, que entram no momento em que as contas públicas estão equilibradas, o saldo externo está equilibrado e nesse sentido têm boas condições para fazer um bom trabalho para ajudar a resolver os problemas do país. É isso que eu desejo e parece-me que, neste caso de Fernando Alexandre, foi uma boa aposta. É uma pessoa que vem com uma visão diferente do ensino, não é um economista, é da Universidade do Minho, mas é uma pessoa que tem reflexão sobre esses assuntos e que tem também já experiência, em particular na outra parte da pasta do ensino superior, tem experiência já de um trabalho na universidade, etc., que lhe dá capacidade para fazer aí também um bom papel.

Fica também essa nota importante. Uma das propostas é o IRC nos 15%. O último ministro da Economia a propô-lo foi António Costa Silva, também o que lhe mereceu uma reprimenda, de alguma maneira, de outros membros do governo. Perguntava-lhe se a AD está neste momento capaz de avançar com esta diminuição do imposto.

Eu penso que isso é uma perspectiva que terá a ver com o equilíbrio que se vai conseguir e também com conseguir passar isso no Parlamento, essa proposta no Parlamento, num contexto em que as maiorias no Parlamento poderão ser mais difíceis de conseguir. Eu penso que, de facto, as contas públicas neste momento têm espaço para haver diminuições de impostos. Pode haver uma escolha entre descer mais uns impostos do que outros, mais os impostos sobre o trabalho ou mais os impostos sobre as empresas. Penso que neste momento, e é uma das propostas do PSD, é normal que avancem com essa proposta. Se o vão conseguir ou não, vai depender do equilíbrio que conseguirem no orçamento e do equilíbrio que conseguirem num Parlamento que, neste momento, não é um Parlamento fácil para conseguir maiorias.

Deixe-me também perguntar-lhe, aqui numa visão mais alargada à legislatura, perguntava-lhe se acha que este governo da Aliança Democrática vai durar a legislatura inteira.

Eu penso que isso seria fazer futurologia, mas temos que olhar para um governo, e penso que as pessoas que estão a entrar, o Fernando Alexandre, o Pedro Reis, etc, estão a entrar para construir, para fazer coisas positivas e temos que dar esse voto de confiança de um governo que tem que ser para durar. Se vai conseguir durar ou não a legislatura, eu penso que vai depender da forma como conseguir negociar os diferentes dossiês e em particular também os orçamentos, mas vai também depender muito de conseguir, de facto, mostrar que é capaz de governar. O que o governo conseguir fazer vai em parte ditar a sua longevidade. E, portanto, eu penso que os que estão a fazer vaticínios de que o governo deverá durar muito pouco e cair muito rapidamente, podem se enganar muito, mas obviamente a situação parlamentar não é uma situação que garanta a estabilidade, portanto, também não é certo que o governo vá durar toda a legislatura, mas os votos que faço é que dure e que não seja um governo para cair rapidamente, porque isso não seria bom para o governo, mas não seria bom principalmente para o país.