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Muito obrigada por esta oportunidade. A principal notícia é que estamos todos bem, não só a nossa equipa de negociadores, como também os deputados que estão aqui, os jornalistas que estão connosco, o senhor secretário de Estado do Mar e das Pescas, que tinha acabado de sair há cinco minutos para ir para o aeroporto. Está tudo bem. Nós estávamos no Pavilhão de Portugal, foi muito perto de onde começou o incêndio, mas nós não chegámos a ver a chama, porque eu e os outros colegas sentimos imediatamente e chamámos a atenção que havia um cheiro a queimado e era importante sair, porque tínhamos a noção do perigo que poderia ser. Portanto, assim que eu comecei a sentir o cheiro a materiais queimados, disse-lhes: "Peguem só nos passaportes e vamos correr pra porta". E foi isso que aconteceu. Fomos os primeiros, a delegação portuguesa, a sair e depois dei a indicação para sairmos para longe, bastante longe do pavilhão, porque um incêndio pode ter grandes dimensões, não se deve ficar perto. Foi isso que fizemos e estamos todos bem. Nós não chegamos a ver as chamas, depois vimos nas redes sociais. Houve um ou dois elementos que ficaram pra trás e que nos contaram que depois faltou a eletricidade e aí gerou-se algum pânico, porque era difícil sair. Nós saímos logo no princípio, que é o comportamento que se deve ter nesta situação. Felizmente, o nosso pavilhão está na avenida principal, muito bem localizado, não muito longe da saída e, portanto, foi rápido chegar à porta e depois continuar a andar. Andámos até bastante distante do pavilhão da COP e aí apanhámos viatura para vir para o hotel e agora estamos a aguardar. Parece que vamos ter reuniões à distância, online, pra continuar com as negociações, porque estão a fazer toda a averiguação do que é que se está a passar e não estão a deixar voltar a entrar, pelo menos hoje. Aquilo tem várias zonas. Isto foi na zona chamada zona azul, blue zone, onde são os pavilhões, muito perto de Portugal. Depois há outra zona das salas de reuniões. Aí o incêndio não chegou, mas de qualquer maneira eles não vão deixar entrar, porque penso que estarão a verificar tudo e todas as condições de segurança antes de voltar a entrar. Penso que talvez amanhã já se possa ter reuniões presenciais. Hoje vamos ter a reunião à distância, a reunião de negociação, porque hoje era um dia muito importante de negociação. Amanhã, em princípio, é o último dia, a não ser que se prolongue pro sábado. Estávamos muito confiantes de avançar bastante as negociações hoje e tivemos que interromper. Isto passou-se às 14h, agora são 16h, portanto há 2h30. Já perdemos este bocado sem estar a negociar. Vamos ver o que é que ainda conseguimos fazer hoje à distância.

Também sobre as condições do evento, que têm sido um pouquinho alvo de críticas por parte da imprensa brasileira nas últimas semanas. Sabemos também de relatos de que este incêndio pode ter sido um curto-circuito também devido a um carregador de telefone, aparentemente. Mas e as condições do evento, como é que estão? É que têm sido alvo de críticas, como é que a ministra vê estas condições?

É muito difícil fazer um evento aqui, porque é muito calor. Hoje está particularmente quente, um sol muito quente e há muitos cabos. Isso era uma das coisas que eu notei, há muitos cabos elétricos, por vezes muito perto uns dos outros, e poderá ter sido ali um curto-circuito de um telefone ou não, mas talvez tenha sido um curto-circuito. De resto, as condições eram as condições que costumamos ter na COP. Claro que estamos perto do Equador e, portanto, muita humidade, muito calor, mas havia ventilação, por isso estava muito quente, mas estávamos bem. Isto pode acontecer a qualquer evento, um curto-circuito. E há uma coisa que se tem que dizer: para as dimensões que o incêndio teve, que eu vi nas redes sociais e na televisão, uma dimensão grande, conseguiram dominá-lo em cerca de 15 minutos. Portanto, os colegas que ficaram pra trás reportaram isso, que o incêndio foi dominado muito rapidamente. Nós, felizmente, nem vimos as chamas e muito menos o combater das chamas, porque saímos logo.