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Miguel, temos informação de que os transportes vão ser reforçados na área metropolitana de Lisboa.

É uma informação de última hora, um reforço em 90% a partir do dia 1 de julho, em comparação com o mesmo período do ano passado, sobretudo nos autocarros que transportam passageiros para Lisboa. A decisão foi hoje tomada numa reunião do Conselho Metropolitano da Área Metropolitana de Lisboa, que tem funções como a autoridade de transporte, na sequência da redução do número de autocarros desde meados de março, durante o confinamento provocado pela Covid-19. Esta era uma exigência há muito feita pelo presidente da Câmara Municipal de Loures, que se junta agora a esta edição das 14h. Boa tarde, doutor Bernardino Soares. Satisfeito com essa decisão? E pergunto-lhe se este reforço chega para diminuir o risco de contágio entre as pessoas que todos os dias têm que viajar para Lisboa a partir do Conselho de Loures.

Muito boa tarde. Em primeiro lugar, eu queria dizer que esta decisão vem ao encontro do que temos vindo a reivindicar já há várias semanas, há mais de um mês, e durante algum tempo praticamente a pregar sozinhos esta necessidade. Mas finalmente o governo introduziu no orçamento suplementar uma verba para esse fim e, a partir daí, a nossa pressão foi no sentido de garantir que, antes da aprovação do orçamento, se pudesse iniciar já este processo de aumento de capacidade da rede de transportes públicos, porque o orçamento suplementar está ainda em debate na Assembleia da República, ainda vai demorar mais algumas semanas até ser publicado e não nos parece que a situação que temos, até do ponto de vista epidemiológico, possa comportar tanto tempo para encontrar soluções mais robustas para os transportes públicos. Se esta solução chega, eu diria que é um avanço significativo. Naturalmente, nós sabemos que já em condições normais a rede de transportes públicos tem insuficiências, é por isso que a área metropolitana está a trabalhar para a partir do próximo ano aumentá-la significativamente. Mas, em função da realidade que temos tido no último mês, eu penso que este passo vai ser um passo num sentido positivo e vai fazer diferença na vida das pessoas e numa maior segurança nos meios de transporte. Se vai ficar tudo perfeito, certamente que não. E é por isso também que é significativo que esteja em cima da mesa a possibilidade de, mesmo durante estes dias, até o dia 1 de julho, poder ainda haver alguns reforços em áreas mais críticas. E pela minha parte, eu acho que tudo o que tenha a ver com as freguesias que estão consideradas para se manter em estado de calamidade, deve ser equacionado como prioritário. Por outro lado, há também a possibilidade, mesmo depois do dia 1 de julho, em algumas zonas mais sensíveis e em alguns horários mais sensíveis, podermos ainda trabalhar no reforço para além dos 90%. Portanto, eu acho que as perspectivas são positivas. Vêm um pouco tarde, é verdade. Não vão deixar tudo perfeito, longe disso, mas é um avanço que era essencial neste momento.

Eu vou aproveitar a oportunidade para lhe perguntar se já tem ideia de quais as medidas que serão aplicadas nas freguesias de Loures no âmbito deste esforço anunciado pelas autoridades de saúde e pelo governo para conter a epidemia nos conselhos mais afetados pela Covid-19.

As medidas são as que foram anunciadas pelo senhor primeiro-ministro depois da nossa reunião na segunda-feira. Não tenho conhecimento de outras medidas. Aliás, as medidas que foram anunciadas, tirando a disponibilidade de meios para intervir no terreno, meios das autoridades de saúde, meios das forças de segurança, eram medidas que se aplicavam a toda a área metropolitana, como em alguns casos não pode deixar de ser. Portanto, em relação ao Conselho de Ministros de hoje, não tenho nenhuma novidade adicional em relação àquilo que foi anunciado na segunda-feira.

Como será feita a fiscalização dessas medidas anunciadas no início da semana?

Há dois tipos de fiscalização. Há uma fiscalização por parte das forças de segurança, incluindo também a participação da Polícia Municipal de Loures, que dá um apoio à PSP, que tem o trabalho fundamental, e a GNR, mas sobretudo a PSP nas zonas urbanas nesta matéria. Por outro lado, há um outro tipo de fiscalização muito importante e extremamente eficaz, que é a fiscalização das equipas mistas da Saúde, da Segurança Social e do município, que estão todos os dias, hoje também estão, nos sítios com maior foco de casos, com os focos com maior número de casos, a fazer os contactos com as pessoas que estão infectadas, a ver as suas condições de habitabilidade, a ver as suas condições sociais, a garantir que se criam as condições para que elas fiquem em casa e a fazer também a sensibilização nesse sentido e a educação para a saúde nesse sentido. Essa fiscalização, uma fiscalização com base nestas equipas, é essencial, eu diria tão essencial como a fiscalização dos incumprimentos que naturalmente é feita pelas forças de segurança.

O Público noticiava a possibilidade de nesta fiscalização serem envolvidos militares. Vê com bons olhos essa eventualidade, essa possibilidade?

A declaração de estado de calamidade permite a utilização também das forças de segurança no que diz respeito a missões de proteção civil. Neste momento não temos essa necessidade em cima da mesa. As forças de segurança e a autoridade de saúde e os nossos meios, que têm sido muito importantes neste trabalho, estão a dar conta do recado, a fazer tudo o que é possível e, portanto, naturalmente, essa é uma possibilidade que sempre existirá, mas não estou a pô-la em cima da mesa neste momento.