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Contamos agora com Ricardo Fernandes, presidente da Câmara Municipal do Bombarral. Bem-vindo a esta emissão especial da Rádio Observador. Ricardo Fernandes, o seu concelho é atravessado pela A8. Vimos imagens perfeitamente apocalípticas da A8 coberta de árvores, folhagem. Teve a oportunidade de ir ver a autoestrada, como é que as coisas estão?
Muito boa tarde a todos os ouvintes da Rádio Observador. Ricardo, a si também muito boa tarde e muito obrigado pelo convite. No nosso caso, fomos de alguma forma bafejados por alguma sorte relativamente à entrada desta depressão, que todos sabem que entrou de uma forma muito violenta, muito rápida no nosso país, um pouco a norte exatamente do nosso território. Posso lhe dizer que imediatamente a seguir, já com o município das Caldas da Rainha e depois também Nazaré, muito atingidos, mas de facto o território do Bombarral foi, por algum motivo, poupado a todas estas fatídicas ocorrências e desde já apresentar as condolências pelo falecimento destas pessoas que agora a rádio está a revelar e que agora são conhecidas. Sem dúvida nenhuma, às suas famílias e amigos, apresentar as nossas mais profundas condolências. Este, de facto, como disse e muito bem, é um estado de calamidade. Nós tivemos 77, 78 ocorrências, fundamentalmente com árvores caídas. A destruição de algumas estruturas, sendo que algumas também são municipais, outras de particulares, mas também associado aos cortes de energia em algumas localidades do nosso concelho. O concelho do Bombarral ainda assim está praticamente já todo reposto com energia, eletricidade toda reposta, mas ainda há localidades onde, de facto, falha.
Quais são?
Que se saiba, neste momento-
Mais a norte do concelho?
Sim, mais a norte do concelho, a freguesia do Pó e uma aldeia, que é a Columbeira, da freguesia da Roliça. Temos exatamente ainda a informação de que não conseguiram repor a eletricidade e energia. Esperemos que consigam, mas também é evidente que todas estas entidades estão a fazer os possíveis e impossíveis para que seja reposta toda a normalidade no nosso concelho.
Está a ser dada alguma atenção especial à população idosa que o concelho do Bombarral tem?
Fundamentalmente com a colocação de aparelhos para fornecer energia. Neste caso, geradores que, numa ou noutra entidade, nomeadamente algumas RPIS, mais comummente conhecidas como lares, possam necessitar e estamos já no terreno a colocar estes equipamentos para que, de facto, em pessoas, e diz muito bem, com mais idade não sejam tão afetadas por esta calamidade.
E será o pior que tem nessa altura com que lidar, será tentar garantir o apoio a essa população mais idosa? Porque o Conselho de Bombarral, infelizmente, como todos os conselhos deste país, tem muitos idosos sozinhos. Essa é a maior preocupação agora ou há outras?
Exato, é uma preocupação imensa, como pode compreender. Evidentemente que sim. Embora contamos sempre e temos sempre esta resposta imediata das nossas juntas, as juntas de freguesia que respondem imediatamente e que conhecem ainda melhor que as próprias câmaras municipais, aquelas pessoas que estão isoladas, sozinhas e que respondem imediatamente a toda esta necessidade de se ver que nada lhes falha.
E aí, portanto, a autoestrada, a A8, Nacional 8, está tudo a funcionar dentro de alguma normalidade?
Completa normalidade. Aqui, de facto, a A8, sei e tenho conhecimento, até pelas imagens, que depois da A8, quando chega mesmo a Leiria, que foi extremamente atingida, a própria A17, a continuação da A8, por assim dizer, daquele lado, que de facto esteve de uma forma quase diria surreal, uma coisa mesmo terrivelmente quase difícil de se ver, tudo aquilo que ocorreu na A17. A A8 também, de alguma forma, no nosso território, que somos atravessados mesmo a meio pela A8, nada ocorreu a esse nível, portanto, está tudo na maior das normalidades.
E a nível das explorações agrícolas, já agora, porque o Bombarral é a capital da Pera Rocha. Está tudo bem?
Está tudo bem. Sabe que nessa altura do ano, as árvores, neste caso as nossas pereiras, estão muito despidas e são árvores de pequeno porte, por assim dizer, propositadamente. É assim mesmo que se faz também esta produção. E portanto, a este nível, fomos completamente poupados a esta calamidade, a esta intempérie.