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José Gouveia, André Ventura saiu da reunião com António Costa a dizer que o governo está a preparar a exigência de um duplo certificado, ou seja, para além do certificado da Covid-19, de vacinação, também um teste negativo para alguns acessos. Entre esses acessos estão o acesso a bares, a discotecas e a grandes eventos. Como é que a Associação Nacional de Discotecas reage a esta medida?
Tudo aquilo que evite medidas mais drásticas, tipo nosas, como é o caso desta possível medida que o governo possa tomar, que para nós é exequível, aceitamos com todo o agrado. O nosso receio será sempre que o governo opte por medidas mais drásticas.
José Gouveia, eu pergunto-lhe se apesar de preferir esta medida a medidas mais graves, nomeadamente o encerramento destes estabelecimentos, eu pergunto se isto não pode criar constrangimentos na afluência às discotecas nesta altura em que a retoma é tão importante.
Não, porque nós já fazíamos o rastreio através do certificado. Isto é mais um documento que a pessoa tem que acompanhar para entrar dentro da discoteca. Eu penso que é uma iniciativa válida no sentido em que nos vai proteger a todos e que vai haver mais uma informação, porque como todos nós sabemos, ter o certificado de vacinação não é sinónimo de a pessoa não estar contagiada. Portanto, isto é só para se proteger e portanto nós entendemos e acompanhamos o governo nessa decisão, se for o caso, claro.
José Gouveia, quando fala em medidas mais drásticas, que outras medidas é que pensa que poderiam deitar por terra o esforço dos estabelecimentos que representa nesta fase de retoma?
Repare, nós fomos os primeiros a fechar, os últimos a abrir. Abrimos a dia 1 de outubro e não abrimos todos, foi uma abertura gradual. Alguns ainda estão por abrir e encerrar passados dois meses, por exemplo, seria uma medida que iria deitar por terra todos os esforços e todos os investimentos que foram feitos recentemente. Iria eventualmente pôr um problema a estas empresas que têm no mês de dezembro, mesmo este que é atípico, um terço do que normalmente em anos normais as discotecas faturam por via da época festiva, por via dos encontros de Natal e basicamente também no final pelo Réveillon. E portanto, dado que o governo está a dizer que vai tomar medidas para dois meses e meio, estar a pensar que o encerramento das discotecas poderia eventualmente ser decretado, e porque já veio a lume essa conversa também, para nós não faz qualquer sentido. E também não faz qualquer sentido falarmos em horários depois daquilo que nós já vimos acontecer, como foi aqueles aglomerados de pessoas e de jovens em Santos, que provocou grandes problemas ao nível da segurança. Temos que pensar que a partir da segunda quinzena de dezembro, estes jovens vão estar todos de férias e, portanto, não havendo discotecas, vamos estar a abrir caminho novamente para estes aglomerados, vamos estar a abrir caminho novamente para as festas ilegais, vamos estar a abrir caminho para surtos, por situações que não são controladas. Nós dentro das discotecas podemos controlar. Há uma série de coisas e de medidas que ainda não foram tomadas e que na altura não foram colocadas em cima da mesa e que se calhar nesta altura podemos discutir.
Portanto, a Associação Nacional de Discotecas acompanha esta intenção do governo a verificar se esta medida de implementar um duplo certificado de vacinação mais teste negativo, mas medidas como limitação de horários já não faz sentido.
Não, não faz sentido. Há aqui uma situação que é todo explicativa de mexer nos horários. Nós não temos uma rede de transportes durante o período entre a meia-noite e as 7h. E portanto, se os jovens não tiverem as discotecas para frequentar, vão então estar na rua e essa não é a solução. A solução é abrigá-los, a solução é tê-los em ambientes controlados. Isto é o que acontece nas grandes cidades e também no interior do território nacional. E portanto, o importante mesmo é ter sítios controlados onde os jovens podem estar, onde os frequentadores à noite podem estar, e não em eventos ilegais e aglomerações de rua.