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O Partido Socialista da Catalunha venceu as eleições regionais, põe fim a 14 anos de maioria dos independentistas. Jorge Fernandes, começava por lhe perguntar: hoje vai haver reuniões para planear o futuro, como é que pode ser a partir de agora?

Parece que a aposta de Pedro Sánchez deu frutos. A verdade é que a aposta de Pedro Sánchez, o primeiro-ministro espanhol, era que estas eleições servissem para virar a página do processo e que de alguma maneira conseguissem mostrar que o independentismo está a perder gás e a deixar de ser a força eleitoralmente maioritária na Catalunha. E a verdade é que os eleitores parece que confirmaram isso, porque o Partido Socialista Catalão ficou à frente nas eleições e de facto teve uma vitória eleitoral que é expressiva, apesar de não ter uma maioria absoluta. Estava bastante longe da maioria absoluta, mas maiorias absolutas é uma coisa que penso que nunca vai acontecer na história eleitoral catalã, mas foi de facto uma maioria expressiva e acima de tudo conseguiu impedir que os dois principais partidos independentistas conseguissem ter uma maioria que lhes permitisse algum resultado, que lhes permitisse sonhar com ter uma maioria para governar. E depois cumpriu ainda outro objetivo que era pôr Puigdemont politicamente em xeque, digamos assim, porque Puigdemont apostava nestas eleições para conseguir, de alguma maneira, tornar-se novamente presidente da Generalitat e depois, a partir daí, ensaiar um regresso físico à Espanha como alguém que de facto consegue regressar em ombros para retomar o processo. Agora, claro, um processo de muito mais baixa intensidade, mas de alguma maneira retomar a ideia de independentismo. E isso parece estar completamente afastado neste momento. Salvador Illa vai se tornar, à partida, o novo presidente da Generalitat e, portanto, é uma vitória em toda a linha para Pedro Sánchez.

Mas apesar da vitória, os socialistas podem não conseguir ter a maioria para governar, também dizias. Podemos estar a assistir agora a um impasse na Catalunha.

É possível que haja um impasse, sim. É possível que haja um impasse, mas a dada altura também penso que uma certa fadiga eleitoral comece a se instalar e admito que é muito raro na Catalunha os governos cumprirem as suas legislaturas. Admito perfeitamente que esta legislatura não vá durar o tempo que está legalmente obrigada. Mas pelo menos no próximo ano, dois, penso que Salvador Illa conseguirá ter um governo minoritário e conseguirá navegar e governar. Até porque beneficia de uma outra coisa, os resultados colocam aqui um grande dilema aos partidos independentistas, porque o Junts claramente teve uma vitória. Não conseguiu criar as condições para que o Puigdemont se tornasse o novo líder da Generalitat, mas conseguiu um objetivo secundário. Existe sempre um combate entre estes dois partidos, entre o Junts e a Esquerda Republicana Catalã, e nesse combate o Junts claramente saiu vencedor. Ao longo dos últimos ciclos eleitorais, os dois partidos chegaram a concorrer coligados em 2015, depois foram novamente separados, e havia sempre trocas de posições, mas tinham mais ou menos um equilíbrio sob o ponto de vista eleitoral. E desta vez as coisas ficaram bastante desequilibradas, porque o Junts teve um resultado muitíssimo superior à Esquerda Republicana Catalã, eles são inimigos históricos, digamos assim. O que obrigará a alguns equilíbrios e algumas discussões internas, isto colocará a Esquerda Republicana Catalã num dilema complicado, porque se decidir, por exemplo, apoiar, mesmo mantendo-se fora do governo, e aliás, ontem à noite, o líder da Esquerda Republicana Catalã foi absolutamente cristalino quanto a isso, dizendo que tinha tido um mandato dos eleitores para ficar na oposição. E portanto, mesmo que decida apoiar tacitamente, apenas com acordos parlamentares, o governo de Salvador Illa, o líder da Esquerda Republicana Catalã poderá ser percepcionado dentro dos meios independentistas como alguém que está a abandonar a causa independentista mais dura. Por outro lado, se decidir não apoiar Salvador Illa e colar-se mais ao independentismo enquanto movimento político e social, poderá ser penalizado futuramente por estar a abandonar a esquerda e a possibilidade de haver aqui um governo de esquerda mais ou menos estável. E portanto, tudo isto aqui é um conjunto de equilíbrios e subequilíbrios entre os ganhadores, depois há os perdedores, mas que têm um subjogo entre eles e que estão a combater-se por causa do domínio do voto independentista. Portanto, as coisas são um puzzle bastante interessante.

Falava em coligações, por falar nisso, temos agora de esperar para perceber que coligações se vão concretizar e que governo vai ser formado na Catalunha. Não sei se sobre isso terá mais alguma coisa a dizer.

Eu penso que o Sumar claramente entrará numa coligação com Salvador Illa, embora seja de sublinhar que o Sumar até agora tem sido um flop, no fundamental. Tem sido um flop do ponto de vista eleitoral, isto é, pelo menos nas regiões. Nas três eleições regionais que ocorreram já desde a criação do Sumar, das eleições galegas, bascas e agora as eleições catalãs, o Sumar tem tido resultados muitíssimo modestos. Mas isso não impedirá agora, claro, de se tornar o parceiro de coligação de Salvador Illa. Mas de qualquer maneira, estaremos sempre a falar de um governo minoritário. Não há nenhum tipo de coligação que possa tornar-se uma coligação maioritária.