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Da parte da ASPP, dizer que preferiríamos não estar a falar desta questão, porque não é que a questão não seja importante, mas o facto de estarmos a falar desta questão, estamos obviamente a secundarizar outras questões que essas sim, importantes e que são do foro socioprofissional e que são muito relevantes para os polícias. Aliás, veja-se o impacto que esta questão do cartoon teve relativamente à discussão que se fez e veja-se outras matérias muito importantes que são abordadas pelos sindicatos e que não têm o mesmo impacto mediático e que são muito mais importantes do ponto de vista daquilo que é a realidade dia a dia dos polícias. Ainda assim, não podemos obviamente fugir à questão, porque é uma questão que teve o seu impacto e que nos merece uma consideração. Por isso, aquilo que eu posso dizer é que, respeitando, obviamente, a liberdade da expressão e principalmente naquilo que diz respeito ao cartoon que foi feito, queremos acreditar que esta forma e esta abordagem, no momento em que vivemos, apesar de agora a justificação da parte de quem teve a incumbência de fazer aquele trabalho, queria referir-se à realidade francesa, a verdade é que a forma como se apresentou em canal público, a RTP, aquela mensagem, criou algum desconforto nos próprios polícias. E nesse caso concreto, obviamente que aquele cartoon foi infeliz desse ponto de vista, porque por um lado, não retrata a realidade das polícias portuguesas. Por outro lado, nada ajuda para que haja aqui uma estabilidade numa instituição que é, se não for, a mais bem vista da sociedade portuguesa. Por isso, desse ponto de vista, dizer que nós preferiríamos estar a falar de questões importantes para o funcionamento da polícia e dos seus profissionais, preferiríamos não estar a abordar esta questão de um cartoon que foi extemporâneo, infeliz na sua mensagem e que provocou, obviamente, e legitimamente, críticas por parte dos polícias da PSP.
Queria lhe também perguntar essa questão que há pouco referiu, como é que também estão os polícias a reagir a serem retratados desta forma?
A própria ASPP recebeu algumas mensagens por parte de polícias a pedir intervenções dos sindicatos, mas nós consideramos que o espaço dos sindicatos não se deve substituir à legitimidade que o diretor nacional da Polícia de Segurança Pública tem enquanto representante da instituição. Por isso, nós estávamos a aguardar que o senhor diretor nacional da polícia, como veio a fazê-lo um pouco mais tarde, no seguimento daquilo que foi a demonstração de insatisfação por parte dos profissionais. Nestas matérias, temos que perceber que o diretor nacional da polícia é quem representa a polícia no seu todo e todos os seus profissionais. E é quem tem legitimidade, até processual, com mais vigor, com mais sustentação, para formalizar uma queixa relativamente àquilo que considera ser necessário. Por isso, nós não nos pronunciamos por queixas apresentadas pelos sindicatos, porque a eles lhes diz respeito, mas consideramos que a abordagem a fazer nestas matérias terá sempre que ter na sua base a responsabilidade e seriedade. E por isso dizemos que quem tem, neste momento, que acionar qualquer diligência, se assim o entender, e nós subscrevemos e até estamos a pensar tornar-nos assistentes dessas mesmas queixas, tem que ser o senhor diretor nacional, porque é o legítimo representante dos polícias e da Polícia de Segurança Pública no seu todo.
Apesar de a justificação ser que representa a realidade francesa, não deixa de ser algo que abalou um pouco os próprios polícias, mas também a associação e a própria profissão nos tempos em que vivemos atualmente?
Parece-me evidente. Há aqui agendas e estas matérias normalmente respondem sempre a agendas, obviamente respeitando o espaço de cada um. Cremos que esta mensagem que foi passada neste cartoon não representa, de todo, aquilo que é a abnegação, o altruísmo, a dedicação, a responsabilidade e o sentimento que os polícias no dia a dia, em contextos muito exigentes e com muitas dificuldades e com parcas condições de trabalho, têm feito todos os dias na defesa das populações. Nós continuamos a dizer que a postura dos elementos e dos profissionais da Polícia de Segurança Pública tem que ser avaliada no seu todo e não perdermo-nos em questínculas ou em episódios soltos. Nós temos um conjunto de profissionais que todos os dias combatem más condutas e não combatem apenas perspectivas de cor, de credos, de ideologias políticas, mas sim, combatem más condutas e não outro tipo de apreciações sociais. Por isso, nesse sentido, dizer que os polícias ficaram um pouco fustigados com esta mensagem que se pretendeu passar através do cartoon.