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Terminou hoje a primeira fase da época de exames nacionais do ensino secundário, rodeada de medidas de segurança adicionais por causa da Covid-19. E junta-se esta tarde na Rádio Observador o presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares, Filinto Lima, a quem agradeço desde já a disponibilidade. Filinto Lima, boa tarde, bem-vindo.
Boa tarde.
Começava por lhe pedir um balanço desta primeira fase. As escolas conseguiram assegurar todas as condições, não existiram problemas?
O balanço é um balanço extremamente positivo. Há aqui duas situações que são novidade em relação às épocas de exame dos anos anteriores. Tivemos este ano menos exames, ou seja, só tivemos exame nas disciplinas que dão acesso à faculdade, e também a grande novidade foi que os alunos tiveram que usar máscara em contexto de exame, em contexto de sala de aula. Mas de acordo tanto com aquilo que eu pude apurar junto dos meus colegas diretores, tudo correu normalmente, porque tudo foi muito bem programado pelos diretores das escolas.
E como é que foi também do lado dos alunos esse regresso? Isto porque estiveram há vários meses fisicamente afastados da escola. Como é que foi esse regresso? Foi também importante para os alunos voltarem a ter contacto com a realidade escolar? E alguns acaba mesmo por marcar a despedida de um ciclo de ensino.
É verdade, mas o regresso se deu já no dia 18 de maio, porque estes alunos do 11º e 12º ano, já no dia 18 de maio, tinham regressado às escolas com estes constrangimentos, porque tinham que usar a máscara em contexto de sala de aula e de certa forma já estavam habituados. Prepararam-se até neste ritual, sim, posso dizer, para o exame, que decorreu também de uma forma muito agradável e muito positiva. Ou seja, já houve uma preparação prévia para esta altura de exames e, nesse sentido, também acho que isso contribuiu para o à-vontade com que os nossos alunos tiveram durante esta época de exames.
Deixe-me perguntar-lhe também para os diretores e para os professores se esta fase de exames e esse regresso de alguns dos anos de escolaridade foi importante também para perceberem como é que a escola se pode adaptar no próximo ano letivo. Aquilo que funciona, aquilo que é necessário corrigir, se isso foi também importante para terem já esse retrato para agora prepararem o regresso em setembro.
É, eu diria que foi uma espécie de treino para o regresso em setembro, mas é preciso também dizer que são poucos alunos e poucos professores aqueles que regressaram em contexto de escola. Nós a partir de setembro vamos ter muitos professores, ou seja, todos os professores e todos os alunos. Desta vez tivemos só professores do secundário e alunos do 11º e 12º ano de escolaridade que tinham exame. Vai ser uma realidade diferente daquela que vamos viver em setembro, mas eu acho que foi um treino, se assim posso dizer, muito positivo para aquilo que nós queremos que seja o próximo ano letivo. Nós queremos muito que seja um ano letivo presencial. Aliás, eu não admito sequer o ensino superior se nós não pensarmos no presencial, mas é evidente que estamos todos suscetíveis em relação à pandemia ou constrangimento. Nós todos queremos que seja o regime presencial. É importante que a educação se faça no espaço que nós conhecemos, que é o espaço escola, mas em setembro iremos ver de acordo com o evoluir ou não da pandemia. E por isso é que o nosso Ministério da Educação disse às escolas para prever, desde logo, o regime misto e o regime não presencial, que nós não gostaríamos de usar.
E agora que já vão sendo conhecidas algumas indicações para o próximo ano, eu perguntava-lhe que medidas é que vão ser implementadas, por exemplo, a desconcentração de horários ou desdobramento de turmas, se isso vai acontecer, se as escolas têm capacidade para conseguir agilizar este tipo de procedimentos.
Há várias medidas e varia de escola para escola. Uma medida que eu acho que vai ser comum em muitas escolas é o alargamento do horário letivo. Por exemplo, há escolas que começam a funcionar às 08h30 e vão começar a funcionar às 08h. Há escolas que, por exemplo, terminam a parte da tarde às 17h30, 18h, e vão prolongar o término para as 18h30, 19h. Esta é uma grande mudança, e é uma mudança importante, porque pode permitir às escolas terem turmas de manhã, no turno da manhã, e terem outras no turno da tarde. Isso, de facto, é muito vantajoso. Outra grande mudança que vai haver é a nível da cantina, por exemplo. As refeições, prevê-se, aliás, as orientações do Ministério da Educação dão essa abertura às escolas, prevê-se que sejam maioritariamente servidas em regime de take away. As cantinas são um espaço pequeno para o número de alunos imenso que temos, de facto, a almoçarem diariamente nas escolas. Os bares das escolas poderão ter acesso limitado, as bibliotecas poderão ter também um acesso condicionado e cada turma, esta é outra novidade, cada turma vai ter a sua sala de aula.
Era isso que lhe ia perguntar, até porque tem sido uma das notícias ao longo do dia, esta questão das cantinas e da possibilidade das refeições serem servidas por take away. Perguntava-lhe se as empresas que fazem este tipo de serviços nos estabelecimentos conseguem garantir isso e se vão também utilizar outros espaços das escolas, por exemplo, salas multiuso, para serem tipo um backup, um suporte das cantinas.
Eu penso que terá que haver uma negociação do contrato entre essas empresas que exploram as cantinas das escolas e o Ministério da Educação, porque aqui há algum material que vai ser usado pelas cantinas, pelas empresas concessionárias, que atualmente não eram necessários. Eu pedia era que esse material fosse material reutilizável Ou seja, material que depois seria devolvido, lavado, higienizado e, portanto, utilizado para as refeições seguintes.
A Associação Ambientalista Zero já fez esse reparo de que isto pode aumentar o gasto de material de plástico, por exemplo, nos talheres.
Não queremos isso. Não queremos isso até porque na escola nós incitamos o contrário e, portanto, a letra terá que bater com a careta. Agora, é um problema para o qual nós vamos sensibilizar o Ministério da Educação, que seguramente está já sensibilizado, é para a reutilização deste material que nós não estamos habituados a usar em contexto de escola, mas que será necessário em regime takeaway no próximo ano. Os alunos também, muitos deles, se possível, irão levantar a sua refeição, como eu disse, em regime takeaway, irão consumi-la em casa, ou então as escolas poderão disponibilizar realmente outros espaços, que não só a cantina, onde os nossos alunos poderão ingerir o almoço que lhes é servido.
Deixe-me também perguntar-lhe sobre as máscaras, porque o ministro da Educação garantiu que vai oferecer máscaras a toda a comunidade escolar. Eu perguntava-lhe se acredita que vai ser possível agilizar este processo de forma atempada para garantir que todas as escolas vão conseguir estar em condições semelhantes no arranque do ano letivo.
Eu aqui achava prudente se fosse adotado outro paradigma. Nós, em relação ao ensino secundário, o Ministério da Educação fez chegar às escolas o material. Isto foi tudo centralizado, as máscaras, os produtos de higienização. Eventualmente, para o próximo ano letivo, na altura também falamos sobre isso, os orçamentos das escolas poderão e deverão ser reforçados e nós escolas poderemos comprar esse material, portanto, as máscaras, esse material de proteção individual. Será um processo, na minha opinião, mais célere, mais rápido, porque este material tem que estar nas escolas no mês de setembro. Agora é preciso que o Ministério da Educação, neste caso concreto, o Ministério das Finanças, reforce o orçamento das suas escolas para fazerem face a estas despesas.
Deixe-me só perguntar-lhe para terminar, e porque tem sido também um assunto que parece estar a ter desenvolvimentos no desenrolar da pandemia, que é a questão da remoção do amianto, que é uma preocupação de muitas escolas. Acredita que é desta que vai ser possível resolver o problema? Está neste momento a ver que a questão está mesmo a avançar e que vai ser possível também até setembro remover o amianto da maioria dos estabelecimentos de ensino?
Eu acredito que isso finalmente vai deixar de ser problema a partir de certa altura. Agora, não acredito que em setembro o fibrocimento esteja já removido. Até porque são muitas escolas que têm fibrocimento. Este tipo de obras tem que ser realizado fora do tempo letivo, que é a situação, mas nós, por exemplo, sabemos muito bem que Portugal para em agosto. E depois há um período de tempo, que será em setembro, que poderá, de facto, beneficiar algumas escolas, mas eu penso que o grosso das escolas não estará sem fibrocimento no arranque do ano letivo, em virtude de ser um processo, de facto, muito demorado e pouco célere.
Filinto Lima, agradeço-lhe mais uma vez a disponibilidade para se juntar a nós aqui na rádio Observador, o presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares, numa entrevista conduzida pelo jornalista Miguel Viterbo Dias.