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Junta-se agora a nós neste jornal o presidente da associação que representa os diretores de agrupamentos e escolas públicas, Filinto Lima, a quem agradeço desde já a disponibilidade. Começo por lhe perguntar se as escolas têm já condições para avançar para este modelo de ensino à distância a partir do próximo dia 8 de fevereiro.
Muito boa tarde, muito obrigado pelo convite. Em relação aos computadores, penso que dá para falar. Os alunos temos mais computadores do que tínhamos no ano passado, com certeza, porque chegaram estes 100 mil computadores, sobretudo para alunos do secundário com ação social escolar, embora alguns do terceiro ciclo também já os tenham. Muitos pais perceberam que este ano letivo poderíamos ter um período semelhante àquele que tivemos no terceiro período do ano passado e, portanto, presentearam os seus filhos com computadores. E, nesse sentido, nós estamos melhor. Agora falta cumprir o resto da promessa. A promessa foi de entregar a cada aluno, no início do ano letivo, um computador, e nós somos um milhão de alunos ou mais.
Entretanto, o governo diz que está com algumas dificuldades logísticas para cumprir essa promessa.
Claro, ok, mas isto é um facto, o que eu estou a dizer é um facto. As escolas não estão paradas, o que é que as escolas tanto quiseram? A exemplo do ano passado, as escolas, juntamente com os autarcas, juntamente com o movimento associativo de pais, juntamente com a própria sociedade civil, estamos a tentar encontrar computadores, material digital, para suprir as carências daquelas crianças ou jovens que ainda possam não ter computador, e são muitas. Portanto, nesse sentido, eu acho que vamos dar uma resposta positiva, porque o esforço que estamos todos a fazer é muito semelhante àquele que fizemos no ano letivo passado. Fala-se muito das desigualdades quando se tem ou não se tem computador no ensino à distância. É verdade, não é mentira. Mas para mim, a maior desigualdade deste ensino à distância não se revela pelo facto de eu possuir ou não possuir computador. Revela-se pelo facto de eu estar em casa e o aluno estar em casa e não ter sequer um espaço para onde estudar, um espaço onde possa abrir o meu computador, se o tiver. Revela-se pelo facto do ambiente em casa ser um ambiente nada propício ao estudo, pelos motivos que nós bem conhecemos.
E neste momento, o que é possível fazer por parte do governo e de forma breve e imediata para tentar mitigar essas dificuldades e melhorar as condições para que os alunos possam prosseguir com a aprendizagem neste modelo, que é um modelo que em si mesmo já torna mais difícil a aprendizagem por parte dos alunos?
O que o governo devia ter feito era ter cumprido a promessa que efetuou no dia 9 de abril. Não o fez. Nós vamos tentar, como eu disse há pouco, suprir.
Está a falar da questão dos computadores e dessa promessa de um computador para cada um dos alunos.
Exatamente. Estou a falar dos computadores e acho que o governo, o que deve fazer é rapidamente entregar aos alunos, sobretudo os da ação social escolar, embora reconheça os motivos da não entrega, e é plausível, eu aceito bem aquilo que foi dito pelo Ministério da Educação. Ora, o que é certo é que a promessa não está cumprida e nós, escola, as autarquias e os pais iremos tentar suprir essa carência. Ou seja, neste momento, a grande preocupação é dotar os nossos alunos de material informático, num ensino que é um ensino que deixa muito a desejar e que só é desejado e desejável pela nossa saúde. Aqui também aquilo que se pede é que quando tivermos condições sanitárias para regressar à escola, que isso aconteça, mas com saúde. Em primeiro lugar está a saúde, depois virá a educação. Mas a saúde importa-nos bastante e, nesse sentido, vamos dar o melhor, os professores e os diretores, para que os nossos alunos façam as melhores aprendizagens possíveis à distância.