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Portugal foi campeão europeu em 2016. Quase todos nós, ou se calhar todos nós, sabemos onde estávamos nesse dia, nesse jogo. O Carlos Vinhas Pereira também sabe. Estava no Estádio de França a ver este encontro entre Portugal e França. Bom dia, Carlos Vinhas Pereira.

Bom dia.

O que recorda deste jogo?

Uma alegria enorme. Eu e o meu filho fomos uns privilegiados por estarmos lá no Estádio de França. Éramos 5 mil sobre 15 milhões de portugueses no mundo, podemos dizer que éramos uns privilegiados e vivemos este momento, 109 minutos, com o gol do Éder. Não consegui ouvir o relato que vocês passaram agora, mas havia ainda mais barulho nas bancadas, porque foi realmente, é difícil de poder pôr palavras naquele momento. Uma emoção enorme, uma alegria enorme. E depois também, o jogo ainda não tinha acabado, portanto foi muito complicado o tempo que se passou até o final.

Sofreram aqueles minutos. E antes a lesão do Cristiano Ronaldo, foi uma altura em que deixou de acreditar, Carlos, ou nem por isso?

Não deixei de acreditar. E foi engraçado porque eu estive com o Cristiano Ronaldo no final das meias-finais. Com ele e com o Éder. E eu ouvi, fui testemunha, o Cristiano Ronaldo falar comigo e com o Éder e dizer ao Éder: "Tu é que vais marcar o gol na final". E o Éder a dizer: "Nunca marquei um gol, não é agora é que vou marcar". Nunca marcou um gol na seleção, nesse tipo de competições. E quando ele marcou, lembrei-me logo desta fase, desta conversa que eu tive com o Cristiano, e com esta sorte, mais uma vez, um privilegiado naquele momento. Era o nosso ano, aquele 2016, era o ano de Portugal, também ganhamos a Eurovisão, portanto era tudo.

Era tudo a correr bem. O Carlos é presidente da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa. Esta vitória foi muito importante para a comunidade imigrante portuguesa aí em França?

Foi importante em França, porque efetivamente no dia a seguir e nos dias que se passaram, aquele otimismo, aquela alegria que houve. Até quando a França ganhou várias competições, o Campeonato do Mundo, disseram que havia uma influência no PIB francês. Eu não sei se houve uma influência no PIB português, mas pelo menos os nossos empresários, com aquela alegria, e muitos deles efetivamente precisavam daquele otimismo, que era necessário para se sentir mais forte, para se sentir, mesmo em termos de negócio, poder falar com os franceses, não digo de igualdade, porque ainda temos que ganhar o Campeonato do Mundo para isto, mas uma vaidade, no bom sentido do termo.

Sim, uma outra maneira.

Importante para eles. É, exatamente.

E por isso, foi uma grande desilusão Portugal ter voltado a perder com a seleção francesa agora neste Campeonato Europeu.

Os franceses e sobretudo com este selecionador Deschamps, podemos dizer que ele deve ter alguma coisa em termos de sorte, porque chegar ontem a jogar contra a Espanha e ter marcado um gol em campo, é extraordinário. Eu acho que não existe outra equipe que consegue fazer isto. E eu até temia de ver este jogo, porque sabia que há sempre aquela influência da sorte, que sempre tiveram. E o fato de ter ganho com os pênaltis era outra coisa. Ou seja, não perdemos, porque o pênalti é também uma questão de sorte e desta vez não tivemos sorte. Mas efetivamente os espanhóis ontem retificaram a história e o melhor ganhou