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Temos em direto agora neste jornal a porta-voz da Missão Escola Pública, Cristina Mota. Bom dia, obrigada por estar conosco. Admite que pode estar a haver alguma resistência dos professores que estão a prejudicar o processo de correção das provas nacionais?

Bom dia, agradeço o convite. Não, não existe resistência, existe exigência. Exigência por um processo de classificação fidedigno, por um processo de classificação que garanta o rigor e o profissionalismo com que os professores desde sempre têm trabalhado, quer no seu dia a dia nas escolas, quer neste momento muito decisivo para muitos alunos, e é isso realmente que os professores estão a exigir. Portanto, de forma alguma será a resistência ou as reservas que alguns professores possam ter relativamente ao processo de digitalização que estão a condicionar. Por exemplo, temos colegas que no dia de ontem se encontram perto da meia-noite, enfrentam um computador a tentar aceder à plataforma para classificação, como é que alguém pode considerar que eles estão a resistir ao que quer que seja? Portanto, consideramos inclusive que Montenegro, neste momento, deve um pedido de desculpas aos professores, a todos aqueles que estão a trabalhar neste momento para garantir que as classificações saiam com o máximo rigor possível e serem os professores colocados em causa. Deverá inclusive olhar para o passado, ver o seu antecessor, António Costa, relativamente ao discurso que tinha no que diz respeito aos professores e até ao tempo de serviço, e ver efetivamente o efeito que declarações do gênero tinham na diminuição da autoridade do papel do professor na sociedade. Montenegro está a seguir exatamente os mesmos passos.

Acha que as declarações de ontem podem ter efeito nestas últimas horas de trabalho que os professores estão neste momento a ter?

Não. O profissionalismo dos professores não é permeável a qualquer tipo de declarações, portanto, o profissionalismo vai ser o mesmo que sempre tiveram. Não existe resistência ao processo, não é resistência dos professores que está a condicionar, é efetivamente a falta de condições para os professores aplicarem a sua experiência, aplicarem o que sempre fizeram, que está a trazer a público as condições de trabalho e as reservas que os professores têm. A Missão Escola Pública é um exemplo. Nós não somos contra a digitalização. Gostávamos, inclusive, de ter mais recursos digitais que diminuíssem a burocracia das escolas, que aumentassem as nossas condições de trabalho para nós nos podermos dedicar ao que de fato mais importa numa escola, que são os alunos, e não, de forma alguma, somos contra o processo de digitalização. Nós entendemos é que este processo condiciona o rigor com que as classificações vão surgir. Lembramos, por exemplo, no Reino Unido, quando iniciou o processo de digitalização em 2005, existiu um faseamento deste processo. De forma alguma, em país algum, tivemos uma transição de um exame que tinha dado indicações de não ter corrido bem, dado indicações inclusive que a plataforma de classificação não deveria ser aquela, que deveria ser uma que desse condições efetivas do processo de classificação, e o governo, o Ministério da Educação, decidiu avançar. Nós entendemos que aqui o que está em causa são, por exemplo, as verbas do PRR, que serão perdidas se o processo tivesse de ser efetuado de uma outra forma, mas de maneira alguma o PRR ou outras questões, até mesmo políticas, se lhe podem sobrepor àquilo que os professores efetivamente estão a defender, que é o rigor da avaliação externa dos seus alunos.

E agora com este prazo até hoje para a entrega da classificação dos exames nacionais, Cristina Mota, aquilo que a Missão Escola Pública tem de informação, estas últimas horas estão a correr com maior rapidez, com mais normalidade? Que informações é que tem neste momento?

A informação neste momento é que existe já indicação dada pelos agrupamentos de exames, que estão a contactar telefonicamente os professores, que o prazo já está alargado até o dia de amanhã, quinta-feira, pelo menos para alguns professores. O que nós entendemos é que resistência não é dos professores. Resistência é de, por exemplo, Fernando Alexandre em admitir que temos de alargar os prazos. E se tiver de o alargar, nós já o dissemos ontem durante várias intervenções, não deverá estar uma guilhotina sobre a cabeça do Fernando Alexandre com a afixação das pautas no dia 17. Se tiver de ter alargado esta data, se tiver de ter alargado e passado para setembro a segunda fase, que assim seja, para se garantir o rigor e condições de trabalho para termos notas fidedignas.

Cristina Mota, esclareça só, há professores ou agrupamentos que estão a ter indicação de que o prazo para a classificação final dos exames está a ser alargado para amanhã, quinta-feira?

Exatamente. Temos indicação de colegas que foram contactados telefonicamente que podem concluir as classificações no dia de amanhã, até porque alguns deles ainda estão a aguardar itens para classificação. Foram informados que vão receber mais itens, mas eles ainda não estão disponíveis na plataforma.

Portanto, o processo não vai ficar concluído hoje.

Não, não vai ficar concluído hoje.

E isso diz-nos que a afixação dos resultados pode não ser na sexta-feira?

Sim, entendemos que neste momento temos muitas reservas que seja, entendemos que não há condições para serem afixadas as pautas na sexta-feira. Lembramos inclusive que não é só o processo de classificação dos professores, esse diz respeito apenas aos itens de desenvolvimento, àqueles onde os alunos escrevem, dão uma resposta. Depois temos os itens de escolha múltipla e de associação, cuja classificação é automática e ainda não temos sequer feedback de como está a decorrer esse processo, que depois é preciso juntar a este outro para originar a avaliação final do aluno.