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Em primeiro lugar, perguntava-lhe qual é exatamente a importância para a Ucrânia de receber estes aviões.
É uma importância extraordinária, porque quando uma determinada força militar se encontra a desenvolver operações ofensivas tendentes a libertar território, como é o caso da Ucrânia, o apoio aéreo é fundamental. É algo que desde que o vetor aéreo apareceu no campo de batalha que se tornou praticamente imprescindível para que as ofensivas sejam conduzidas a um ritmo muito superior àquilo que se tem verificado. Porque as aeronaves, principalmente aeronaves da quarta geração, como é o caso do F-16, aeronaves modernas, permitem naturalmente a partir daí várias coisas. Como nós sabemos o F-16 é um avião multirole, um avião que é capaz de fazer apoio aéreo próximo às forças que combatem na linha da frente, procurando desgastar as forças que são instaladas de forma defensiva, portanto, amaciando no fundo a ameaça e permitindo às forças que atacam poupar vidas. Além disso, o F-16 tem a capacidade de realizar interdição aérea do campo de batalha e apoio aéreo ofensivo, quer dizer, envolver-se em luta aérea contra os aviões de caça mais modernos da Rússia, como o Su-34 e o Su-35, e tem capacidade para fazer o combate em profundidade, através dos mísseis e através das bombas de avião que é capaz de colocar sobre os locais onde estão concentradas as reservas do adversário, as rotas de abastecimento logístico, os postos de comando, os centros de comunicações, etc. Portanto, é um vetor de combate fundamental. E o que a Ucrânia tem feito é utilizado de forma hábil aviões que comparados com os do adversário são muito inferiores. Estamos a falar dos Su-24, que têm sido os aviões responsáveis por lançarem quer os mísseis Storm Shadow, quer os SCALP-EG, e os aviões MiG-29 modernizados, quer pela Polônia, quer pela Eslováquia, têm também ajudado na campanha aérea.
E falta saber também quando é que poderão estar operacionais estes aviões.
Curiosamente ontem o ministro da Defesa, o Oleksii Reznikov, já havia anunciado que o treino dos pilotos de caça F-16 já tinha começado. E aquilo que ele referiu foi que o período mínimo seria de seis meses e que ao mesmo tempo também estariam a ser formados um conjunto de militares, que são absolutamente imprescindíveis para que esta capacidade funcione. Estou a falar dos engenheiros e dos técnicos de manutenção, que também serão capacitados no F-16 por um período semelhante. Portanto, ele colocava ontem a questão de quando é que a Ucrânia irá receber exatamente os F-16, quantos e em que configuração será decidida. Bom, uma das questões que o Oleksii Reznikov colocou já está respondida pelo próprio presidente. Das negociações de hoje com Mark Rutte, o primeiro-ministro da Holanda, parece que já há uma luz ao fundo do túnel e pelo menos de quantos, numa primeira tranche fornecidos quer pelos Países Baixos, quer pela Dinamarca, estamos a falar de cerca de 42.
E não é estranho que o Zelenskyy tenha avançado com esse número sem que Mark Rutte, na conferência de imprensa, tenha avançado com um número em concreto?
Eu julgo que Zelenskyy terá avançado com este número em coordenação com o próprio Mark Rutte. Isto podia ter sido feito numa conferência conjunta, mas de qualquer forma, eu não creio que Zelenskyy teria cometido uma imprudência desta natureza, até porque erros destes pagam-se caros e tem que haver aqui uma concordância. Até nem me admiraria nada que tivesse sido o próprio primeiro-ministro holandês que tenha dito ao presidente: "Olhe, se quiser anunciar, anuncie, que não tem problema nenhum, nós já conversamos, portanto, não vamos fazer disso segredo". Outro aspecto muito importante-
Muito rapidamente, major-general, estamos mesmo no limite do nosso tempo.
Muito rapidamente é que ontem o Zelenskyy também esteve na Suécia e também está a ser negociada uma possível cedência, até já há pilotos ucranianos a experimentarem os Gripen, os Joint Strike Gripen, que é um avião equiparável para um pouquinho melhor do que o F-16.
Estamos então a aguardar, senhor major-general.
Além disso, e para terminar, há também negociações no sentido do fornecimento do Eurofighter Typhoon por parte da Grã-Bretanha, do Rafale francês, e para já, aquela possibilidade que foi colocada aqui há dois meses, da Austrália, que está a desmilitarizar os F-18 Super Hornet, poderem ser recuperados para serem fornecidos à Ucrânia, para já essa possibilidade parece não estar em cima da mesa.