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A nossa convidada a esta hora é a Inês Avelar, que integra uma organização não governamental que presta apoio jurídico aos refugiados e requerentes de asilo que estão no campo de refugiados na ilha de Lesbos. Bom dia, Inês.
Bom dia.
Olá, Inês. Perguntava-lhe qual é a situação atual dos refugiados. Na semana passada conversamos, a Inês deu-nos conta que os refugiados estavam a dormir ao relento, depois do campo onde estavam instalados ter sido palco de vários incêndios e hoje as autoridades gregas já encontraram alguma alternativa de alojamento?
Neste momento, está ainda em processo de construção, mas já foram acolhidos alguns refugiados no novo campo temporário para requerentes de asilo e refugiados.
E esse campo tem condições, tendo em conta o tempo recorde em que foi construído?
As condições são bastante precárias, porque neste momento as pessoas que se encontram no campo, esta manhã tinham entrado cerca de 1100 pessoas, há grandes filas para a alimentação, não há casas de banho para pessoas com deficiência. Nesta manhã, quando da última vez que recebemos a informação, ainda não havia água potável no campo para as pessoas utilizarem. Há cerca de 37 casas de banho para, neste momento, 1100 pessoas, o que é um número ainda muito reduzido, e as tendas são pequenas, sem qualquer tipo de sombra, portanto, faz muito calor e as condições não são as esperadas.
A maioria dos refugiados já foi alojada nesse campo de refugiados?
Como são cerca de 13 mil, e só ainda 1100 foram colocados neste campo, portanto, ainda há muitos que não estão.
E onde estão os que não estão?
Continuam nas ruas.
As carências alimentares de que nos dava conta na semana passada estão a ser supridas, as autoridades gregas estão a disponibilizar alimentação?
Há ainda pessoas sem acesso à alimentação, mas a grande maioria tem conseguido comer pelo menos uma vez por dia, tanto através da distribuição grega ou através de organizações não governamentais.
E qual é o estado de espírito entre os migrantes?
É de cada dia mais desespero, porque não veem uma solução a médio e longo prazo. E a fome, as condições que as pessoas estão a viver são muito complicadas e, portanto, é uma situação de muita preocupação com o seu futuro e o que lhes irá acontecer a curto, médio e longo prazo.
A Alemanha, que nesta altura assume a presidência rotativa da União Europeia, anunciou na semana passada que havia 10 Estados europeus prontos para acolher alguns dos migrantes que agora ficaram desalojados. Esta notícia, como é que foi acolhida aí, se é que há conhecimento por parte dos migrantes que há essa expectativa de alguns poderem vir a ser realojados noutros países europeus?
Inicialmente criou uma expectativa grande, mas depois o governo grego anunciou que ninguém iria ser recolocado noutros países antes de ser tomada alguma decisão relativamente ao seu estatuto legal, ou seja, só depois de lhes dar o estatuto de refugiado ou de outro tipo de proteção internacional é que poderiam sair da ilha. Neste momento, não se sabe muito bem ainda qual é a situação, porque o governo grego ontem deu uma entrevista ao The Guardian que contradiz um pouco a política que tinha sido anunciada até agora, mas nós ainda não temos qualquer informação sobre exatamente o que é que irá acontecer.
Agradeço. Inês Avelar integra uma organização não governamental que presta apoio a refugiados e requerentes de asilo na ilha de Lesbos e particularmente aos refugiados que estavam no centro de acolhimento de Moria. Como ouvimos, foi construído um novo campo de refugiados na sequência dos incêndios que afetaram o campo onde estavam instalados, mas nesta altura só alberga pouco mais de mil refugiados num universo de mais de 13 mil.