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Gonçalo Lobo Xavier, director-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição. Muito bom dia. Gostaria de olhar consigo para a situação da venda de testes rápidos, autotestes, nos supermercados. Temos recebido relatos de alguma rutura de stock. Que informação é que tem relativamente a isto?

Efetivamente, nestes últimos dias tem havido um aumento brutal na procura de autotestes junto do retalho alimentar, sobretudo nas grandes zonas urbanas de Lisboa, Porto, Braga. De facto, temos relato de um aumento inusitado da procura, temos insígnias que estavam a vender mil e poucos testes por semana e que passaram a vender perto de 16, 17 mil. Portanto, de facto, na sequência das decisões do Conselho de Ministros, houve um aumento substancial da procura para a qual nós não estávamos preparados. O que temos apurado junto das insígnias é que, de facto, há algumas lojas que estão sem testes, mas que, como já afirmámos no princípio, nos últimos dias, continuamos a dizer que felizmente estão a chegar as encomendas. Não à velocidade que gostaríamos, porque, de facto, tem sido uma procura enorme, mas nos próximos dias vamos conseguir já disponibilizar massivamente nas lojas em todo o país. Eu queria fazer notar o seguinte: é que não são só os vulgares, digamos assim, consumidores que estão a fazer compras de autotestes nas nossas lojas. Nós estamos a assistir a sectores da restauração de bares e discotecas que se estão a abastecer nas nossas lojas de retalho alimentar. E, portanto, isso também foi algo que veio introduzir aqui um grau de incerteza muito grande para a logística que nós tínhamos preparado.

Claro.

É natural, percebemos que esta necessidade de testar pessoas nestes estabelecimentos seja muito importante para cumprir as orientações, mas naturalmente veio trazer aqui um nível de procura para a qual não estávamos preparados manifestamente, mas estamos a responder o mais possível.

Mas Gonçalo Lobo Xavier, disse-me que de facto essa procura aumentou, isso seria também esperado, mas nota que há algum tipo de açambarcamento a estes testes nestes últimos dias?

Não, nós o que verificamos é que quando percebemos que estávamos em alguma decisão comercial de alguns dos nossos retalhistas, a APED não se mete nas decisões comerciais dos seus associados, mas naturalmente para poder oferecer, digamos assim, o produto a um maior número de consumidores, temos indicação de que aqui e ali um ou outro retalhista tenha limitado o número de autotestes por pessoa. Nalguns casos 20, noutros casos 15. Isto por quê? Porque havia pessoas naturalmente ligadas a setores que estavam a comprar os 50 testes de cada vez. Ora, isso dificulta o acesso normal ao consumidor. Portanto, sabemos que houve essa decisão. Não diria que houve açambarcamento, mas, como referi, percebe-se que alguns setores da economia, para precisarem de continuar a operar, recorreram às lojas do retalho alimentar dos associados da APED para terem disponibilizar autotestes aos seus clientes. E, portanto, com isso veio, de facto, como referi, trazer aqui uma alteração substancial no padrão de consumo e no que nós estávamos preparados para as próximas semanas. Mas como digo, estão a chegar encomendas. Amanhã mesmo, vários retalhistas me informaram que estão a chegar reposição de stocks para segunda, para terça, para quinta-feira, uma vez que quarta-feira é feriado. Agora, não escondo que foi um aumento repentino em função das orientações do Conselho de Ministros e que nós estamos, do ponto de vista operacional, a tentar responder o melhor possível com novas encomendas a chegarem, que vêm de vários laboratórios estrangeiros e vêm por via aérea. Nos próximos dias esperamos já normalizar a situação dentro do que é possível.

Espera-se um stock reforçado, ou seja, um stock maior do que estava para estas semanas anteriores?

Sim, a todas as indicações que temos é que as encomendas foram reforçadas, precisamente por esta alteração de comportamento. Naturalmente que a procura é em todo lado e, portanto, os laboratórios também têm as suas dificuldades para responder a esta procura. Mas como digo, enfim, felizmente é importante ter a disponibilizarmos e nós gostamos de disponibilizar e evitar ruturas. Não é propriamente um bem de primeira necessidade, no sentido de que não vão faltar outros produtos essenciais às famílias portuguesas, mas nesta fase de combate à pandemia e para mantermos uma vida social e económica minimamente equilibrada, é evidente que é preciso ter autotestes e nós estamos a trabalhar para isso junto dos laboratórios, para que nos próximos dias a situação seja normalizada, de modo a podermos enfrentar as próximas semanas e o Natal com mais tranquilidade.

Era isso que lhe ia perguntar. Essas semanas do período festivo e com as pessoas a quererem também mais segurança e fazer testes para poderem estar com os familiares, espera-se novamente uma procura para essas semanas, mas está a ser preparado pelas empresas de distribuição?

Sim, essa previsibilidade de necessidade de autotestes para as semanas anteriores ao Natal já estava, digamos assim, no planeamento dos nossos retalhistas. O que admitimos é que esta procura inusitada e repentina é que não estava. Mas nós somos um setor de adaptação rápida e temos dado respostas nos últimos 20 meses a todos os choques possíveis, mais inimagináveis que temos assistido. E vamos continuar a responder. Naturalmente, nas próximas semanas, a situação será reposta e será normalizada, mas ainda vamos ter dois ou três dias de alguma dificuldade. Não escondo isso.