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Havia uma expectativa que a negociação pudesse estar completada hoje, de maneira a ser anunciada e concretizada a partir de amanhã. Aparentemente, há ainda reservas e objeção, em particular por parte da Hungria, que no fundo o que pede é ser isenta desta sanção, ou seja, não ser obrigada a prescindir do petróleo russo. Houve propostas iniciais da Comissão num determinado formato e prazo. Já houve, no decurso dessas negociações, várias sessões entre os representantes permanentes, entre os diplomatas dos vários Estados membros da União Europeia, no sentido de aumentar esses prazos para os países que têm problemas maiores, que é o caso em particular da Hungria, da República Eslovaca, da própria República Checa, e agora a Bulgária também mostra alguma hesitação. Portanto, aparentemente não haverá hoje um resultado. Amanhã serão retomadas as negociações, ou amanhã ou terça-feira, e vamos ver como isto evolui.

Mas acredita que é possível esse acordo?

Mas como é que vai haver acordo?

Possível brevemente.

Sim, eu diria mesmo mais, tem de haver acordo brevemente. A situação não é fácil e o sinal que é transmitido por este atraso é um sinal muito negativo. Ainda por cima se pensarmos que este acordo é apenas o sexto e já está um sétimo perspetivado, ou pelo menos anunciado e prometido, que no fundo era aquele que os ia levar ainda mais longe. Temos aqui já um sinal da dificuldade que este tipo de sanções, que vão ao cerne da questão, ao osso do problema, acarretam, porque de facto trata-se aqui do petróleo. Até ao final de abril estávamos a falar de qualquer coisa como 44 mil milhões de euros de importações e portanto é muito dinheiro. Em muitos países estão em causa de facto aspetos económicos, a economia do país de uma forma muito relevante. Eu diria que é uma espécie de duplo braço de ferro, se é que isto existe, um braço de ferro se calhar não existe, mas no caso a imagem pode ser útil, porque de facto a Hungria, que é quem tem sido o grande opositor a esta decisão, no fundo luta em dois tabuleiros. Por um lado, tem esta questão em particular. A Hungria é um apoiante da Rússia, um apoiante de longa data. E em segundo lugar, tem a questão das sanções que lhe são dirigidas relativamente à questão dos fundos europeus. Essa é uma questão da condicionalidade. E portanto, eu diria, sem estar dentro das negociações, sem estar no dia a dia das negociações, que também isso está aqui em causa.

Falou-me de alguns países que estão a ser entraves, nomeadamente a Hungria, que está a ser o maior entrave a esta negociação. Entretanto, saiu também em última hora a notícia de que os países do G7 chegaram a esse acordo para o embargo do petróleo russo. Entendo que o acordo aqui era mais fácil porque não estão envolvidos na discussão países como a Hungria?

Em primeiro lugar, porque são 27 países. O próprio G7, quando se fala do nome do G7, estamos a falar de menos países. Em segundo lugar, porque de facto na Europa existe uma divisão grande em relação à Rússia. Portanto, há de facto países de Leste europeu em particular, que têm aqui uma sensibilidade muito diferente, também entre eles, e sobretudo. Não vale a pena esconder a questão, a questão é clara, é óbvia, está aqui em causa a posição de um país que é um dos países mais refratários, que menos tem participado neste esforço e que mais se tem oposto a ele. Não é um grande país europeu no sentido de ser um país politicamente decisivo, como é a Alemanha ou como é a França, mas é apesar de tudo um obstáculo, porque essas decisões têm que ser tomadas por unanimidade. E portanto, o caminho que está a fazer, perguntou-me há bocadinho se eu achava que a questão se ia resolver, eu acho que sim, eu diria mesmo mais, tem de se resolver, tem de haver uma decisão. Espero que não seja uma espécie de isenção permanente para alguns países, porque isso não seria uma boa notícia. Agora vamos ver qual é a próxima proposta de negociação que permita desbloquear isto. E repito, o facto de o G7 anunciar essa posição é mais um sinal à Rússia de que as coisas não vão ser fáceis. Amanhã é um dia muito importante. Putin é um presidente que dá grande importância às datas e aos símbolos e à simbologia de tudo isto. Amanhã é o dia da vitória para a Rússia e ele no fundo o que está a fazer é a levantar, digamos assim, se quisermos, a fisquía em relação à oposição ao Ocidente, considerando que o Ocidente nunca valorizou suficientemente o papel da Rússia na Segunda Guerra Mundial. E portanto, ligando duas realidades que estão apesar de tudo separadas por tantas décadas, mais de 70 anos, ele o que acaba por fazer é dar um sinal e vamos ver o que vai acontecer amanhã, se haverá algum outro anúncio. Fala-se numa declaração de guerra formal, fala-se de outras coisas, mas é verdade que esta posição da União Europeia enfraquece a coesão ocidental, em particular a coesão europeia, mas ao mesmo tempo essa notícia do G7 também significa que nada disto vai voltar para trás, de certeza a curto prazo, pelo contrário, as sanções vão se tornando cada vez mais difíceis também para a própria Rússia gerir, até porque depende muito das exportações que faz, quer no petróleo, quer no gás, quer no carvão