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Terá sido um lançamento de um foguete devidamente autorizado a causar o incêndio na Madeira. O incêndio esteve activo durante 13 dias e ardeu mais de cinco mil hectares. De acordo com uma investigação da Polícia Judiciária, apurou que o material pirotécnico teria sido adquirido por um cidadão que lançou o foguete numas festas nas proximidades. Esta hipótese da origem do incêndio já tinha sido admitida pelo presidente da Câmara da Ribeira Brava. A investigação da Polícia Judiciária contradiz Miguel Albuquerque, que insistiu várias vezes que o incêndio tinha começado com fogo posto.

Sim, o que saiu hoje na comunicação social é que o fogo tinha sido devidamente autorizado pelas entidades que o licenciam. Algo que não nos surpreende, porque desde o início aquilo que constava é que o início do incêndio tinha começado precisamente pelo lançamento de um foguete. Não nos surpreende que agora tenha sido tornado público que a causa tenha sido precisamente essa.

No dia 14 de agosto, o arquipélago da Madeira estava sob aviso amarelo para tempo quente, ou seja, não existia restrições ao lançamento de foguetes?

O que consta é que não havia. No entanto, nós lamentamos que também havia a previsão de tempo quente, seco, intensidade do vento grande e ainda assim foi autorizado o lançamento de material pirotécnico. Nós estranhamos que, apesar do alerta ser amarelo, havia a previsão do tempo para os dias seguintes. Como é que não se valorizou essa questão?

Ou seja, será uma falta de gestão do território por parte do governo regional?

Eu acho que há muita coisa por fazer. Há uma consciencialização que tem de ser feita ao nível das autoridades, ao nível das autarquias, ao nível da PSP, e uma responsabilização também, porque a culpa não pode morrer solteira. Eu acho que nós já estamos todos cansados dessa situação. Aliás, acho que o povo português já está cansado de ver muitos atentados a ocorrerem pelo país fora e não se ver as pessoas que foram responsáveis por esses atentados a serem responsabilizadas pelos mesmos. Eu acho que o povo português já está cansado desta situação.

Mas está a falar, neste caso, do cidadão que lançou o foguete ou está a falar do governo regional por não ter tomado medidas de prevenção, dado o contexto de alerta para tempo quente e autorizar o lançamento de foguetes numas festas da proximidade. É isso que está a dizer?

A esse nível, mas nos mais variados níveis. Nós não lamentamos só aquilo que aconteceu na freguesia da Serra de Água, na Ribeira Brava. Lamentamos que isso tenha acontecido lá. Lamentamos que tenha sido autorizado o lançamento de foguetes. Lamentamos também a passividade com que o governo regional, a Proteção Civil, lidou com a situação. E volto a insistir, eu acho que o povo português já está cansado disso, de ver atentados ambientais a serem cometidos com a passividade das autoridades que tinham a obrigação de impedir e de responsabilizar os responsáveis. Eu acho que o povo português já está cansado, e eu insisto nesta questão, de um país que não impede que os atentados sejam cometidos e que depois não responsabiliza os responsáveis por esses mesmos atentados.

Sim, o suspeito que começou o incêndio através do foguete já foi constituído arguido por suspeita de incêndio florestal. Portanto, isto poderá ser um primeiro passo para se tirar uma lição e também chegar efectivamente aos responsáveis?

Ser responsabilizado. Eu volto a dizer, o que saiu na comunicação social madeirense é que o alerta era amarelo e que, portanto, por aquilo que nós lemos, aquilo podia ser autorizado. O que nós lamentamos, porque havia a previsão já do tempo para os dias seguintes, que não eram nada abonatórias. Não eram condições atmosféricas que permitissem que se autorizasse o lançamento de foguetes tendo em conta o estado do tempo para os dias seguintes. Mas ainda assim, há responsabilidades da Proteção Civil e do Governo regional, porque se a Madeira tivesse meios para combater os fogos naquela zona onde ele depois acabou por deflagrar, se a Madeira tivesse meios para combater o fogo e se houvesse da parte do Governo regional uma preocupação em pedir reforço ao Governo nacional para combater aquele fogo, a destruição que ocorreu muito provavelmente não teria acontecido. Nós estivemos na Ribeira Brava, na Serra d'Água, nós estivemos no Curral das Freiras, estivemos na Ponta do Sol. A desolação é enorme, a tristeza é enorme, porque a área ardida é tão significativa, aquelas encostas, aqueles cumes daquelas montanhas estão completamente carbonizados. É muito difícil conter as lágrimas perante tamanha destruição. E nós não podemos agora culpar apenas o indivíduo que lançou o foguete. Houve incompetência por parte das autoridades na gestão daquele fogo e as pessoas têm de ser responsabilizadas, as pessoas têm de assumir responsabilidades, e a Madeira tem de se preparar para situações destas, que muito provavelmente vão acontecer no futuro, porque infelizmente os fogos é algo que acontece com frequência e esta situação de alterações climáticas ainda agrava a situação, e portanto, é preciso mudar a forma como se encaram os fogos e tem de haver, de fato, prevenção. É preciso cumprir com a legislação, é preciso obrigar os cidadãos a limpar os seus terrenos, e é preciso que terrenos que sejam geridos pelas autarquias também sejam devidamente limpos. Temos de encarar o problema de uma forma séria, que nós achamos que não está a ser encarada a situação de uma forma séria