O Governo da Madeira está a investir 2,1 milhões de euros para travar a erosão da costa da ilha do Porto Santo, numa operação de desassoreamento do porto e na recarga de 170 mil metros cúbicos de areia, foi esta terça-feira anunciado.

“Esta empreitada permite conjugar objetivos que se complementam. Ao recuperarmos as condições de navegabilidade do Porto de Abrigo, aproveitamos os sedimentos para reforçar o sistema costeiro; ao mesmo tempo, testamos soluções de alimentação artificial da praia com recurso a areias extraídas de manchas de empréstimo e de reconstrução dunar que poderão fornecer informação importante para futuras intervenções no Porto Santo e noutras zonas costeiras da Região”, informou o secretário regional do Turismo, Ambiente e Cultura, citado em comunicado.

O projeto, com o financiamento dos projetos Life Dunas e Praia Sustentável, começou a 18 de outubro com a chegada ao Porto Santo de uma draga, vai ser faseado até novembro e tem acompanhamento técnico e ambiental, além de monitorização dos resultados até 2028, indicou o executivo madeirense.

As diferentes fases respeitam ao desassoreamento para reposição das condições de navegabilidade do Porto de Abrigo da ilha e colocação da areia resultante na parte submersa da praia, à colocação de areia num troço costeiro e reconstrução de um sistema dunar na zona da Calheta, estas duas últimas com recurso a areia extraída de “manchas de empréstimo”, segundo o Governo Regional da Madeira.

Assim, a primeira etapa da empreitada acontece entre 19 e 24 de outubro, aproveitando a ausência do navio Lobo-Marinho que assegura a linha marítima entre as ilhas da Madeira e Porto Santo.

“Visa garantir as condições de navegabilidade do porto da ilha, aproveitando os sedimentos retirados para alimentar indiretamente o sistema praia-duna, método testado no Porto Santo no passado com sucesso”, acrescentou.

Nesta ação está prevista a dragagem de 75 mil metros cúbicos de sedimentos do porto que vão ser depositados na zona submersa da praia, entre a Central Dessalinizadora e o cais do Porto Santo.

“Trata-se de uma solução que recupera uma metodologia anteriormente utilizada com sucesso na ilha, em 2017, quando a alimentação indireta da praia com sedimentos provenientes do desassoreamento do porto permitiu conjugar a melhoria das condições portuárias com o reforço do sistema costeiro”, explicou.

Quanto à segunda, “consiste na alimentação artificial de um troço da praia, uma técnica comum noutras zonas costeiras, mas que será aplicada pela primeira vez no Porto Santo”, e que vai decorrer entre 10 e 12 de novembro.

“A proteção da praia do Porto Santo exige uma abordagem sustentada, assente no conhecimento científico, na monitorização e na adoção de soluções ajustadas às características desta costa. É esse o caminho que estamos a seguir: intervir onde é necessário, testar diferentes metodologias e avaliar os resultados, para garantir que as decisões futuras assentam em dados concretos”, afirmou o secretário regional Eduardo Jesus.

O governante apontou ainda que vai ser efetuada na zona da Fontinha, em frente ao Parque Urbano, onde acontecerá a colocação direta de areia, com um volume estimado de cerca de 7.800 metros cúbicos.

“Esta alimentação da praia, embora amplamente utilizada na Europa e em Portugal continental, constitui uma experiência inédita no Porto Santo”, uma ação que será acompanhada por peritos, incluindo da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), sublinhou.

Já a última intervenção será piloto e é o projeto de “reconstrução dunar na Calheta, desenvolvida no âmbito do projeto Life Dunas”, que vai incidir na “reconstrução de uma duna na zona da Ponta-Calheta”, prevendo a utilização de cerca de 87 mil metros cúbicos de areia.

Segundo o Governo Regional, “em conjunto, as três ações permitirão avaliar diferentes formas de reforçar o sistema costeiro, desde a utilização de sedimentos provenientes do desassoreamento portuário até à alimentação artificial da praia e à reconstrução de dunas”, sustentou.