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É o maior e mais potente telescópio espacial alguma vez desenvolvido. É uma prenda de Natal cara, custou quase €9000 milhões. Depois de vários adiamentos, o James Webb foi finalmente lançado ao 12:20 desta tarde, da base europeia de Kourou, na Guiana Francesa. Vai percorrer uma distância de 1 milhão e 500 mil km, a partir da Terra. Parte para o espaço para vasculhar a Via Láctea em busca de vida extraterrestre e também para detectar a radiação das primeiras estrelas. E junta-se agora a nós o astrónomo português José Augusto Matos. José, muito bom dia. Esteve de certeza a acompanhar este momento. Eu pergunto-lhe o que significa para a ciência o lançamento deste telescópio.
É um momento muito importante, porque nós estamos a falar de um telescópio que vai ser revolucionário. E agora vamos também ter uma fase ainda melindrosa, que é obviamente que ele tem uma série de procedimentos que vai ter que efetuar e que esperemos que corra bem e que permitam que ele fique 100% operacional. Agora, como estava a referir, para a astronomia a nível mundial, é um telescópio revolucionário, que vai permitir aos astrónomos ver coisas completamente novas no universo. E nesse aspeto, há uma grande expectativa, a partir já do próximo ano, porque ele já vai começar a dar resultados a partir do verão de 2022. Há uma grande expectativa relativamente ao que ele vai conseguir ver.
E que coisas novas são essas, José? Temos aqui a indicação que vai vasculhar a Via Láctea em busca de vida extraterrestre, detetar também a radiação das primeiras estrelas. Quais são os objetivos que este telescópio tem?
Ele, no fundo, vai ter um papel importante em vários campos da astronomia moderna, por exemplo, nessa parte das galáxias e das primeiras estrelas que apareceram na história do universo. Ele vai provavelmente conseguir ver as primeiras galáxias que se formaram logo na história inicial do universo, por exemplo. Na parte dos planetas extrasolares, ele vai investigar, por exemplo, as atmosferas de planetas extrasolares, nomeadamente planetas não muito longe aqui do nosso sistema solar, e vai também revelar que constituintes atmosféricos é que estão nessas atmosferas. E depois, por exemplo, outra área muito interessante que ele também vai investigar é o nascimento de estrelas, porque ele como trabalha no infravermelho, consegue atravessar, de certa forma, as nuvens de gás e poeira e consegue ver estrelas a nascer dentro das nebulosas. E também no nosso próprio sistema solar. Ele irá ser usado nos planetas, nomeadamente os planetas gigantes, para fazer observações no infravermelho e nesse aspeto também irá revelar coisas muito interessantes no nosso sistema solar. Portanto, é um telescópio com uma grande amplitude, em termos de investigação, e que nos vai permitir investigar tópicos muito interessantes, que neste momento já são objetos que estudamos há muito tempo, mas que com este telescópio iremos mais longe. Será um salto significativo no conhecimento do universo.
José, ouvimos no lançamento do James Webb, o anunciante dizia que partia de uma floresta tropical para os limites do próprio tempo. O que isto significa? Parece ser um cenário de quase ficção científica.
A base de onde ele partiu é uma base na Guiana Francesa, na América do Sul, e a base fica situada numa zona quente, numa zona de floresta. Acho que essa comparação está interessante, porque realmente ele partiu de um sítio assim um pouco exótico e vai também descobrir coisas exóticas no universo. E nesse aspeto, acho que é uma comparação interessante. Agora, eu gostava de salientar que é uma máquina revolucionária e que se tudo correr bem, vai trabalhar vários anos. A primeira fase serão cinco, depois haverá a possibilidade de trabalhar mais cinco ainda. Mas estou certo que se tudo correr bem, se ele ficar 100% operacional, irá revolucionar a astronomia. Nós daqui a uns anos, daqui a um ano, dois anos, por exemplo, já teremos descobertas muito interessantes. Ele irá começar a libertar coisas bastante interessantes a partir do próximo verão e já estão previstas. Por exemplo, há uma observação prevista já ser divulgada em julho de 2022, que é uma observação de espaço profundo, onde ele vai fazer o mesmo que o Hubble já fez há uns anos, que é apontar numa certa zona do céu onde aparentemente não há nada e fazer uma fotografia ao longo de várias horas, que nos vai permitir ver galáxias extremamente remotas. E aqui, no caso dele, é um dos primeiros alvos prioritários da parte científica. Irá fazer isso já no verão e com certeza iremos conseguir ver galáxias que nunca foram vistas até hoje, por exemplo. Vamos ter já grandes novidades nessa altura.
José, portanto, a data a assinalar no nosso calendário é junho, verão de 2022, para começarmos a ver os resultados do James Webb.
Sim. Há uma série de alvos agora prioritários, há uma série de projetos de observação que vão já sendo implementados agora no verão de 2022. E nesse aspeto, nós vamos ter durante o verão já imagens fantásticas e vamos ter, com certeza, o anúncio de descobertas muito interessantes, que vão ser divulgadas publicamente e que irão com certeza entusiasmar não só os astrónomos como também os aficionados do universo.
José, a última pergunta que tenho para lhe fazer: é justo dizer que esta era a missão especial mais aguardada do ano? Um telescópio que demorou 30 anos a desenvolverem em parceria com a NASA. Este foi um ano também diria em grande para o turismo espacial. Vimos muito os bilionários a começar a ir ao espaço. Esta é a missão especial mais aguardada deste ano de 2021?
Sim, eu até diria que esta missão, nesse aspeto, nós até podemos dizer que é uma missão aguardada já há muito tempo, porque o James Webb, eu até diria que bateu vários recordes. Para já, em termos de desenvolvimento do próprio telescópio, nós estamos a falar de um projeto que já dura décadas. Quer dizer, há décadas que se fala deste telescópio e que teve atrasos colossais. Também convém referir que falou-se que o telescópio seria lançado numa determinada data. Essas datas depois foram sendo adiadas, até chegar agora. E já estamos à espera que ele estivesse concretizado, vamos assim dizer, há cerca de 10 anos. Teve deslizes impressionantes nesse aspeto. Estamos também a falar do telescópio mais caro alguma vez construído para ser lançado para o espaço, €9000 milhões, como há pouco foi referido. Nesse aspeto, houve tanta expectativa à volta dele e ainda por cima uma expectativa que tem anos e anos, que eu diria que este lançamento, e se tudo correr bem agora na fase seguinte, é o culminar de uma longa espera. E nesse aspeto, há uma grande expectativa e esperemos, cá está, que tudo corra bem, mas é o culminar de uma longa espera, porque há uns anos e anos que esperávamos um telescópio destes e que ele fosse lançado.