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Esta decisão poderá vir a afetar num determinado cenário no teatro de operações, designadamente o cenário de operações ofensivas por parte da Rússia ou contra-ofensivas ou ofensivas por parte da Ucrânia. Este é um sistema de armas que não funciona isoladamente no teatro de operações, funciona naturalmente com outro tipo de sistemas, designadamente artilharia ou mesmo de infantaria, o caso das viaturas blindadas, e portanto só no seu conjunto será utilizado no caso de uma ofensiva da Ucrânia. E nesse caso, é preciso também ter em atenção a dimensão, a oportunidade, o fator surpresa, porque do outro lado, obviamente, estão muitos carros de combate também e estão muitos sistemas de armas no seu conjunto. E, portanto, só em determinados cenários é que poderão ser decisivos, e os cenários são de grandes operações ofensivas ou de contraofensivas, neste caso da parte da Ucrânia.
Gostaria de saber por que acha que a Alemanha demorou tanto tempo a tomar uma decisão destas?
A Alemanha, por duas razões. Uma razão de política interna, porque a Alemanha tem uma coligação e, portanto, as decisões são muito mais complexas e demoradas. É preciso entender a situação política interna da Alemanha. Em segundo lugar, porque é uma decisão que, tal como referi antes, poderá eventualmente, em determinado cenário, ter decisão ou influenciar as decisões no combate. E, portanto, a Alemanha tem consciência de que efetivamente, estando sozinha no teatro de operações com o sistema de armas determinante, no caso de uma ofensiva, terá um papel de protagonista que poderá ser aproveitado negativamente, obviamente, por parte da Rússia, associando a própria Alemanha àquilo que foi a Alemanha da Segunda Guerra Mundial, que no mesmo teatro de operações, também com carros de combate, obviamente fez operações ofensivas no âmbito de uma operação mais alargada de conquista daqueles territórios. E, portanto, a Alemanha não queria, de maneira alguma, ficar isolada. E penso que este período, quer por razões internas, quer na ligação ou na tentativa de ligação a outros atores para que não estivesse isolada, designadamente a França, com os Leclerc, que foi oferecido pelo Macron. Não foi inopinado. Foi preparado, foi trabalhado. A própria posição dos Estados Unidos relativamente ao M1 Abrams, que obviamente já tem alguma disponibilidade, para além daquilo que é o Challenger 2 da parte do Reino Unido e outros. Portanto, quando tiveram consciência de que não estariam completamente isolados num teatro de operações, numa determinada situação ofensiva ou contraofensiva com os Leopard 2, tomaram a posição. Agora há aqui outras questões, as questões logísticas, as questões de manutenção, as questões de formação, de treino, são questões muito complexas, que obviamente a Alemanha disponibilizando agora este apoio, serão facilitadas, mas não serão fáceis de gerir. Mas veremos agora o desenrolar das questões políticas e depois das questões operacionais no terreno.
Em termos de posição, que países considera que devem enviar primeiro estes tanques?
A decisão é soberana da parte dos países. E há países, a tal mini coligação com a Polónia e os países bálticos, já percebendo que são aqueles que estão em primeira linha. E todos nós percebemos, bastando olhar para o mapa, por que essa posição. Para já, porque dispõe dos carros de combate, em segundo lugar, porque estão na linha da frente e nesse sentido, obviamente, apoiam imediatamente a Ucrânia o mais rapidamente possível, porque este processo demora algum tempo. Depois os outros países que dispõem de carros de combate, e tal como já disse o Ministro da Defesa alemão há pouco, não é só dispor de carro de combate em número. A Espanha tem 327 carros de combate, mas nem todos estão operacionais e nem todos são do último modelo. E depois há que acautelar aquilo que é o interesse nacional da Espanha. Eu estou a falar da Espanha para não falar de Portugal, obviamente, mas há outros países, como a Finlândia, tem um monte de carros de combate, também vai oferecer certamente alguns, e do último modelo, mas tem que acautelar a sua longa fronteira com a Rússia, ainda por cima é uma fronteira que obviamente também deve ser salvaguardada neste cenário. E, portanto, vai depender de país para país, daquilo que são as suas necessidades, daquilo que são os seus interesses, mas também daquilo que é a operacionalidade dos sistemas e ser o último modelo.
Quanto tempo acha que este envio e estes materiais começarem a ficar operacionais no campo de batalha, consegue mais ou menos uma estimativa de treino, de operação depois a ser implementada, quanto tempo acha que vai demorar a serem utilizados estes tanques?
Temos, neste momento, a decisão política. Concorrentemente, certamente, já há decisões a nível daquilo que é formação e treino. Depois temos as questões do transporte e depois a operacionalização, porque uma coisa é o treino individual e depois é o treino coletivo, que é muito exigente. As diferenças de treino entre os vários membros da guarnição, designadamente o chefe de carro ou o condutor, são muito grandes. E, portanto, depois, quer a instrução individual, quer a instrução coletiva, demora algum tempo. Este é um sistema tecnologicamente muito avançado, como dizia ontem um comandante de grupo de carros de combate ucraniano, e portanto vai exigir algum tempo, nunca menos de dois meses teremos um verdadeiro grupo de carros com 36 carros de combate no teatro de operações, para dar um exemplo. Será muito difícil ele funcionar eficazmente em menos de dois meses.
Então, apesar de ser difícil apontar uma estimativa, acredita que provavelmente até à próxima primavera já passou o tempo certo de implementar estes tanques?
Vai depender muito da preparação. Poderá haver aqui uma separação de níveis diferentes de operadores e chefes de carro. Portanto, pode haver aqui já gente pré-preparada e com competências que acelera o processo nalgumas subunidades. E, portanto, certamente que não vai ser tudo em conjunto daqui a dois, tudo em conjunto daqui a três. Há de haver formação por esquadrões, por grupos de carro, em tempos diferentes, em função também das competências que já têm os próprios ucranianos que vão ter essa formação.