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José Augusto Matos, bom dia, bem-vindo. Obrigado pela disponibilidade para falar conosco hoje aqui na Rádio Observador. Que fenômeno foi este? Afinal, o que os portugueses viram ontem à noite no céu e agora também durante o dia em todos os telemóveis?

Olá, André, bom dia. De facto, foi possível observar esta noite passada um fenômeno extremamente brilhante nos céus de Portugal, no fundo, um meteoro extremamente brilhante que atravessou tanto Portugal como também a Espanha. Na Espanha há também registro da passagem deste meteoro e que neste momento a grande dúvida é se algum fragmento deste meteoro chegou ou não à superfície. Portanto, há essa questão de Castro Daire. As pessoas em Castro Daire ouviram, de facto, um ruído muito forte, mas de facto nada foi encontrado e também não será fácil de encontrar, porque estamos a falar de um pequeno fragmento rochoso e, portanto, desse ponto de vista não é fácil, mesmo que ele tenha caído na serra de Montemuro, encontrar esse suposto meteorito. Agora, de facto, o fenômeno em si foi muito avistado e foi visível não só aqui na região centro do país, como também mais para sul e, portanto, estamos a falar de um meteoro muito brilhante que foi registrado nesta noite passada.

Deu aí um pormenor interessante que eu gostava também de esclarecer, até porque é uma dúvida que tem surgido também nas últimas horas. Disse meteoro, mas também já falamos em meteorito. Há aqui alguma diferença entre estes dois nomes ou estes dois fenômenos, diria, porque são coisas diferentes, não é, José Augusto Matos?

São. É verdade, ou seja, o meteoro corresponde ao fenômeno luminoso na atmosfera. Portanto, esta bola de luz que foi observada, é isso a que nós chamamos de meteoro. O meteorito é quando ele atinge a superfície terrestre, ou seja, aí já estamos a falar de um fragmento rochoso que atingiu a superfície terrestre. E nós, nesse caso, não temos a certeza absoluta se, de facto, ele atingiu a superfície terrestre, mas caso tenha atingido, aí já temos o tal meteorito, que é algo que pode ser encontrado eventualmente e pode ser depois analisado. Mas, para já, só temos o meteoro, que é, de facto, o fenômeno luminoso que foi registrado esta noite passada.

Certo. E por que este fenômeno luminoso, este meteoro, é mais luminoso do que, por exemplo, já vimos várias vezes e tem sido constante: "Atenção, que vem aí uma chuva de estrelas, atenção, que vêm aí as Perseidas." Qual é a diferença ou por que este fenômeno é muito mais luminoso que todos os outros?

Sim, isso é verdade. Ou seja, nós, no caso dessas chuvas de estrelas que estamos aqui a falar, trata-se, de facto, de fragmentos de pó, de cometa, que entram na atmosfera e provocam esse efeito. No fundo, também são meteoros, mas não são tão brilhantes como este. Aqui já estamos a falar de algo de uma dimensão maior. Portanto, estamos a falar de um pedaço de um asteroide que entrou na atmosfera terrestre e provocou este bólide luminoso que foi observado. Mas a diferença é essa: neste caso, deste meteoro que foi extremamente brilhante, estamos a falar, de facto, de um fragmento rochoso que tem até potencial para chegar à superfície terrestre. No caso das estrelas cadentes, estamos a falar de pedacinhos de pó que nunca chegam à superfície terrestre e, portanto, daí depois também a diferença de brilho em termos do fenômeno luminoso na atmosfera.

Certo. E agora, há aqui esta questão. Já aqui falámos com a GNR de Castro Daire, que disse à Rádio Observador que há a possibilidade de as buscas serem retomadas. Normalmente, é difícil encontrar os vestígios e encontrar o local onde caem este tipo de meteoros?

Sim, é difícil, porque nós estamos a falar de um fragmento rochoso que não é de grande dimensão. Porque, por exemplo, se fosse algo que tivesse, vamos supor, três ou quatro metros de diâmetro, um fragmento já do tamanho de um carro, por exemplo. Com certeza que seria muito mais fácil encontrar algo dessa dimensão. Mas nós aqui, provavelmente, estamos a falar de um pequeno fragmento, se calhar de 1 kg ou 2 kg e, portanto, no meio da serra, vamos supor que ele realmente caiu em Montemuro, no meio da serra é preciso muita sorte para dar com ele. Não será fácil encontrá-lo. Às vezes poderá haver um acaso. Nós tivemos há muitos anos, cá em Portugal, a queda do meteorito em Henrique, em 1998, e ele, de facto, depois foi encontrado no dia seguinte por algumas pessoas de uma aldeia que iam pro campo e deram com ele. Aqui nesse caso, enfim, não é fácil. Eu já disse para o Ricardo hoje de manhã que algum pastor, estando por lá com as ovelhas, que dê com ele, porque de resto não vai ser fácil.

É, mas é interessante ver como uma coisa que pode ser tão pequena, no sentido de não estarmos a falar do tamanho de um carro, ter tanto brilho. José Augusto Matos é astrônomo e certamente tem mais atenção ao céu do que o comum dos mortais, vamos assim dizer. Lembra-se de, em Portugal, termos visto com esta facilidade e com esta luminosidade um fenômeno destes?

Já tem havido no passado. Nós ainda em 2023, portanto, no ano passado, foi também registrado. Nós, neste momento, temos uma sorte muito grande, que é o seguinte: em termos de observação, há uma rede de câmaras montadas na Península Ibérica que pertence ao Instituto de Astronomia da Andaluzia, portanto, é uma entidade espanhola, mas tem essa rede montada na Península Ibérica, que permite seguir este tipo de meteoros. E, portanto, ao longo do tempo, tem sido possível registrar e fazer registro mesmo vídeo deste tipo de fenômenos. Agora, com este brilho, é pouco habitual, de facto. Aí, é verdade, é muito raro. Às vezes, passam anos sem nós vermos uma coisa tão brilhante como foi este. Mas pode acontecer. E mesmo Portugal, que tem uma área geográfica diminuta, às vezes com um bocadinho de sorte, como foi aqui o caso, pode ter a possibilidade de ver passar um objeto destes. Portanto, é um pouco isso, mas de vez em quando acontece. Esperemos é que da próxima vez seja possível ver a queda. Isso certamente onde ele caiu.

Ora bem, e temos a sorte agora, às vezes, também de estarmos sempre com o telemóvel na mão, tem também os seus benefícios.

Isso mesmo, dá muito jeito. É verdade.

É isso mesmo. E ficam as imagens belíssimas captadas por todo o país. José Augusto Matos, muito obrigado por ter estado conosco aqui na Rádio Observador.

Foi um gosto, André.

No Jornal das 10, para nos explicar, no fundo, o que é que vimos durante a noite de ontem nos céus de Portugal com este meteoro que caiu. Ainda não foram encontrados os vestígios, aquilo que restou, mas as buscas podem ser retomadas ainda durante esta manhã em Castro Daire