Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Estamos também a acompanhar ao minuto o que se está a passar no live blog da Rádio Observador. Importa dizer que este duplo sismo desta quarta-feira na Venezuela é o mais forte a atingir o país em mais de um século, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos. Junta-se agora a esta emissão Miguel Miranda, ex-presidente do IPA. Muito bom dia e muito obrigada por se juntar a nós.
Muito bom dia a todos.
Bom dia, Miguel Miranda. Isto que aconteceu esta noite na Venezuela, dois sismos muito próximos, a réplica um minuto depois do primeiro sismo, com uma magnitude ainda superior, é uma situação particularmente anormal.
É uma situação que não é muito vulgar. Na verdade, eu penso que ainda não há informação, pelo menos geofísica, suficiente para distinguir se isto é uma réplica ou é um sismo que desencadeia o outro, que diria que está talvez mais provável. Agora, é uma situação que do ponto de vista geodinâmico, é conhecida. Isto tem a ver com a relação que há entre a Placa das Caraíbas e a Placa Sul-americana, porque uma desliza para a direita da outra, quando a gente olha para norte, cerca de dois centímetros por ano. Vai acumulando tensão e quando ela se liberta, dá origem a sismos desta dimensão.
E qual é que é exatamente a diferença entre este ser o primeiro um sismo precursor e o outro não ser uma réplica, mas ser o sismo principal?
Do ponto de vista geológico, claro que é diferente, porque uma coisa é acumular deformação, outra coisa é desencadear um novo movimento, provavelmente no outro segmento da fronteira de placa. Mas do ponto de vista das pessoas é exatamente a mesma coisa. Nós tivemos um sismo de 7,5, que é um sismo muito energético em terra, numa zona próxima da costa, mas em terra, em que todos os cálculos que são feitos pela USGS e pelos serviços internacionais de sismologia indicam que terá dado origem a movimentos, ou seja, em termos de velocidade e de aceleração, tão fortes em que a sua destruição seguramente afetou um conjunto grande de construções e de pessoas. Eu quero chamar a atenção que normalmente quando os governos dizem o número de vítimas, estão a falar de vítimas identificadas. Quando os geofísicos falam desses cálculos, estão a falar de estimativas. Como já viram, há uma grande diferença entre o primeiro número e o segundo. Mas isso eu diria que muito provavelmente, era bom que não fosse assim, mas muito provavelmente, o primeiro número irá crescer até ficar comparável com o segundo. Esperemos que não seja verdade e que haja qualquer coisa que reduza esse impacto, mas eu estive a ver os dados da USGS e parecem razoavelmente sólidos em termos de, desculpem a expressão, shake maps, ou seja, mapas da banhão.
Sim, e temo que o número seja muito superior. Miguel Miranda, há um dado que aconteceu esta noite. Houve um sismo de magnitude 5.6 na Califórnia, depois, sete horas depois, houve estes dois.
E outro no Japão.
E outro no Japão a seguir. O que é isto?
Não, eu penso que não há necessariamente nenhuma relação entre elas. Os deuses não estão loucos. Espero eu. Na maior parte das vezes temos sempre a ideia que os deuses podem estar loucos.
Mas isto é muito raro. É uma coincidência.
Isto deve ser apenas uma coincidência, é um reajuste global. Não quer dizer que não haja reajustes que possam influenciar à distância. Isto tem sido invocado muitas vezes, nunca demonstrado do ponto de vista científico e, portanto, não há, para já que eu saiba, nenhuma relação entre os vários fenômenos. Agora, isto é a libertação de energia, normal, tem a ver com a dinâmica de placas à superfície da Terra. Em si, não é normal. Reparem que a velocidade da Placa das Caraíbas em relação à Placa Sul-americana, para as pessoas terem uma ideia visual, imaginem que estão em Caracas e olham para norte. A pequena Placa das Caraíbas desliza para a sua direita, mas dois centímetros por ano. Reparem que é quatro a cinco vezes mais do que esta velocidade que temos aqui perto de Portugal. Portanto, é uma velocidade elevada. E, portanto, ele todos os anos avança mais um pouquinho. E desta vez vai acumulando tensão e desta vez libertou-a numa zona de fronteira de placa, mas que é em terra.
E foi isso. Miguel Miranda, muito obrigada pelos seus esclarecimentos. Um bom dia. Obrigada.
De nada. Bom dia a todos.