Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Hoje de manhã está mais calmo. Neste momento, as notícias são que já há transitabilidade em algumas vias de acesso que vêm para a cidade. As estradas, de facto, estão bastante danificadas, ainda com pedras na rua, mas aparentemente circula-se. A situação mais caótica foi ontem, na sequência das pilhagens que ainda houveram durante a madrugada, que iniciaram praticamente no dia 23, prolongaram-se por dia 24 e ontem ainda se tentavam roubar lojas. Os moradores e proprietários começaram a se organizar para proteger algumas lojas, sobretudo no centro da cidade. Mas ainda havia algumas tentativas de assalto a algumas lojas e depois o clímax da tensão acontece depois na sequência da evasão desses presos, sobretudo na Cadeia da Machava, que é uma zona que fica num bairro habitacional. As fotos que circulavam e vídeos que circulavam eram muitos reclusos que fugiam. As pessoas estavam assustadas nas suas casas, porque são prisioneiros de delito comum, alguns são assassinos, outros são violadores, pessoas cadastradas. Alguns traziam arma e as pessoas estavam bastante assustadas, até porque a resposta da polícia depois também foi violenta, porque disparou sobre estes indivíduos. Os moradores relatavam que estavam em casa, ouviram disparos na rua. Acho que eram disparos entre os reclusos e a polícia. E acabaram depois muitos por ser mortos. E há vídeos feitos pela própria polícia de tortura depois aos reclusos que alegadamente depois são assassinados. Mas as coisas não estão assim muito claras. Há vídeos que mostram essas torturas, mas está por esclarecer exatamente o que aconteceu.
Sendo que, João Feijó, o governo já avisou que a criminalidade pode aumentar muito nos próximos dias, porque diz que se evadiram terroristas altamente perigosos. Isto é mesmo possível? É expectável que, de facto, a agitação, apesar desta manhã mais calma, que a criminalidade aumente nos próximos dias?
A criminalidade aumentou muito nos últimos dias em virtude destas pilhagens, que não foram feitas por indivíduos reclusos. Eram feitas por pessoas comuns. E não era só fome, foi muito oportunismo no meio disto tudo. Agora, com estes indivíduos a monte, indivíduos cadastrados, nós conhecemos as prisões daqui, não cumprem os objetivos de reintegração social, pelo contrário, são escolas de crime. Então esses indivíduos numa sociedade que não tem empregos para os absorver, naturalmente que vão entrar na marginalidade e agravar a segurança, sobretudo porque agora nos próximos dias. As pessoas agora estão contentes, porque participaram nos saques, conseguiram ter comida, têm as despensas cheias, mas muitos agora vão perder o emprego, porque as lojas agora vão começar a despedir pessoas e depois no próximo mês não vai haver estoque para comprar comida nas lojas, porque muitas vão fechar. E então estes indivíduos cadastrados a monte só vão, de facto, aumentar a insegurança e tememos que depois façam ataques às casas.
Claro, e há aqui uma mistura muito explosiva. É de esperar que a contestação aos resultados eleitorais continue e se intensifique depois do anúncio do Conselho Constitucional, que já proclamou o vencedor das presidenciais?
Eu acho que sim, é de esperar. Agora, não sei, vamos ver o que vai acontecer. Eu acho que pode haver aqui também um certo cansaço da sociedade e uma clivagem, porque há pessoas que não estão a gostar destas pilhagens, até diria que grande parte não está a gostar do rumo que as coisas estão a tomar. As pessoas estão muito preocupadas com este caos que já se montou, que já se instalou na rua. Mas estas massas também são imprevisíveis e não sabemos o que estas pessoas agora são capazes de fazer. Se marcham para a Ponta Vermelha, será um banho de sangue. Houve vídeos que circulavam ontem nesse sentido, mas as pessoas não têm armas e seria uma coisa suicida, ou se serão os militares depois a organizar isto. E vamos ver o que é que vai acontecer nos próximos dias. Estamos todos na expectativa, vivendo dia a dia. As coisas estão muito imprevisíveis. Venâncio Mondlane anunciou que esta fase iria até sexta-feira. Ele vai falando diariamente, mas a situação está imprevisível e eu creio que poderá acalmar no final de semana, mas não sabemos qual vai ser a reação da população.