Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Neste último dia de campanha, que nos fizesse um balanço, uma campanha diferente, sobretudo também para si, que apareceu já nesta reta final. Como é que o Bloco encara as eleições do próximo domingo?

Talvez o fato de ter entrado um pouquinho mais tarde nesta campanha, me dê uma capacidade de olhar para ela de outra forma. Em primeiro lugar, acho que o Bloco de Esquerda foi muito bem representado por diferentes caras ao longo destes dias. A Marisa Matias fez um extraordinário trabalho a representar o Bloco no início da campanha autárquica. E desde que cheguei, o que posso ver é muito entusiasmo e esta alegria que agora estão a ver aqui atrás, no encerramento da nossa campanha na Amadora. Acho que o Bloco disse ao que vinha e cumpriu aquilo que disse. Nós dissemos a seguir às legislativas que era tempo da esquerda assumir as suas responsabilidades, compreender o momento que vivíamos, compreender que há uma viragem à direita, que é preciso dar esperança às pessoas, que é preciso ter uma política de empatia, uma política de valores. E foi isso que fizemos. Onde foi possível, construímos coligações, onde foi possível, fizemos convergências, apoiamos movimentos independentes, juntámos a outros partidos sem nenhum sectarismo, tentando encontrar caminhos comuns, programas comuns. Onde não foi possível, somos a voz de quem quer representar as pessoas, de quem quer lutar pela habitação, de quem quer lutar por transportes públicos. E temos muito orgulho deste projeto que representamos. Por isso, o balanço que eu faço desta campanha é o melhor possível.

Vê que a sua ausência e os motivos que levaram a ela, que possam, de alguma forma, ou favorecer ou penalizar o Bloco nestas eleições?

Eu acho que mais do favorecer ou penalizar, os motivos descrevem o Bloco. No Bloco encontram pessoas que se movem por valores, encontram pessoas que têm empatia por cada ser humano, porque Portugal é isto. Portugal são pessoas muito diferentes, com necessidades muito diferentes entre si e cada território, cada autarquia, cada câmara, cada vila, tem que responder a cada pessoa por aquilo que ela necessita. E sermos capazes de construir um coletivo que responde às necessidades de cada pessoa individualmente, eu acho que é aquilo que mais nos preocupa e mais nos traz à política. Nenhuma campanha é tão importante para isso como a campanha autárquica. E eu acho que conseguimos fazer isso nesta campanha autárquica. Conseguimos em cada terra levar um projeto político diferente, mostrar que a política pode ser feita com valores, pode ser feita de forma diferente, com empatia pelas pessoas e não por ganância, não para servir interesses e certamente não por ódio.

Percebemos que a campanha tenha, de certa forma, campanha do Bloco, ficado aqui um pouco confusa por ter coincidido com o momento em que fez também essa viagem na flotilha até Gaza, possa não ter passado a mensagem autárquica de cada um dos municípios, tal como o Bloco quereria em cada um desses locais?

Eu acho que a humanidade e a empatia pelo ser humano é a melhor mensagem que qualquer partido pode querer passar se acreditar nela. Infelizmente, o genocídio do povo palestiniano não subjugou a agenda eleitoral portuguesa. E eu acho que a capacidade de dentro de um partido podermos, e eu pessoalmente, olhar para o sofrimento humano, olhar para a importância de um momento histórico e fazer o que estiver ao nosso alcance para poder reconhecer a humanidade nos outros. Eu acho que isto é sobre a Palestina, mas também é sobre Portugal, porque a mesma empatia e o mesmo humanismo que leva o Bloco de Esquerda a não ceder nem um milímetro sobre a causa palestiniana, é a mesma empatia que nos leva a entender que em Portugal as pessoas têm que ser respeitadas e merecem viver melhor.

Os resultados nas legislativas foram muito duros para o Bloco. Há algum resultado nas autárquicas que fosse agora também uma perda igualmente difícil?

Nós estamos otimistas com as autárquicas. Tivemos campanhas muito diferentes entre si, mas estamos otimistas porque achamos que estivemos à altura das responsabilidades. Achamos que perante uma viragem à direita, é preciso uma esquerda capaz de se unir. É preciso uma esquerda capaz de propor projetos diferentes, de fazer política diferente, de afirmar essa diferença. Como vos dizia, uma política de empatia, de valores. E por isso estou otimista. Acho que a esquerda pode confiar no Bloco de Esquerda, pode confiar num partido que nos momentos mais difíceis, é capaz de se juntar a outras forças políticas, é capaz de afirmar o seu projeto, é capaz de não desistir, mesmo quando é mais difícil, dos valores que nos unem a todos. E sabemos que cada autarca do Bloco, cada vereador do Bloco, cada deputado municipal, em cada assembleia de freguesia, um eleito do Bloco de Esquerda, serve para defender a habitação, serve para defender os transportes públicos, serve para defender um projeto alternativo, mas também serve para defender este valor mais profundo, que é a empatia e a solidariedade por todos.

O que pode fazer o Bloco de Esquerda dizer que venceu no domingo?

Eu acho que o Bloco de Esquerda, para já, já venceu, porque já mostrou que era capaz, em várias zonas do território, de fazer aquilo que era esperado de si, que é apresentar projetos alternativos e apresentar campanhas diferentes. O que fizemos na Amadora, juntando tanta gente diferente que vive neste concelho, porque as pessoas vivem aqui, a Amadora, são pessoas de muitas origens, são pessoas originárias de muitos países, são pessoas com experiências de vida muito diferentes. E um partido que é capaz de as trazer todas ao mesmo sítio e dizer: "Todos podemos viver aqui bem, se todos estivermos bem entre nós, podemos ter mais qualidade de vida, podemos ter um projeto de vida em conjunto, em paz, em solidariedade", eu acho que já ganhamos.

Mas tem uma meta? Tem uma meta concreta para estas eleições?

Minha meta é que em cada território onde o Bloco de Esquerda está representado, possamos ter tido as candidaturas mais abertas possíveis, que tenhamos procurado sempre que possível ter convergências, falar com outros partidos, sempre abertura a movimentos cívicos, porque eu acho que a política é isso. E cada vez mais acho que a política é isso.

E o que é que poderia fazer o Bloco dizer que perdeu no domingo?

Eu estou muito otimista relativamente a estas eleições. Tenho visto muito entusiasmo. Hoje estive em Lisboa a acompanhar o encerramento da candidatura de Alexandra Leitão. Estive de manhã no Porto a acompanhar a candidatura do Bloco de Esquerda do Sérgio Aires no Porto. Candidaturas muito diferentes, uma coligação num caso, uma candidatura própria no outro. E acho que em ambos os casos, como aqui na Amadora, fomos capazes de cumprir exatamente o que dissemos que faríamos: tentar todas as convergências, tentar um programa alternativo, fazer oposição às direitas e garantir que defendemos o mais importante para as pessoas: a habitação, os transportes, a qualidade de vida. E que as pessoas podem confiar nos eleitos do Bloco de Esquerda, porque são eleitos que sabem porque é que estão a fazer política, que sabem que a política é gostar das pessoas, que a política é gostar das terras onde vivemos. E isso para mim, hoje, é o mais importante. Balanços, no domingo estamos cá para os fazer.

Fazemos os balanços no domingo, mas sabemos que as eleições são todas diferentes. As autárquicas têm a sua particularidade, mas não é inédito tirar leituras nacionais daquilo que acontece numa eleição autárquica. Já vimos acontecer noutros partidos. A Mariana vai tirar uma leitura da sua liderança em função dos resultados destas autárquicas?

Eu acho que tirar leituras nacionais de eleições autárquicas é sempre um risco e é quase ofensivo para alguns territórios e cidades que se encaram a elas próprias como tendo uma vida política tão viva que quase substitui a vida política nacional. Eu não vou ao Porto dizer que a política do Porto tem uma leitura única a todo o país. E, portanto, eu acho que nós temos que respeitar as eleições autárquicas pelas suas especificidades. E parte dessas especificidades, vocês podem vê-las com a diversidade de coligações que fizemos, de movimentos. E vamos, em primeiro lugar, ver o balanço desta campanha. Tivemos objetivos para esta campanha, queremos saber se os cumprimos ou não cumprimos. E neste momento o que eu quero dizer é que cumprimos. Quisemos fazer candidaturas convergentes, quisemos fazer uma alternativa para cada território, cumprimos esse objetivo. No domingo falaremos sobre os balanços.

Só um detalhe aqui pela coligação que temos em Lisboa, porque ouvimos Luís Montenegro e Carlos Moedas apontar uma maioria. Eu gostava de saber, Carlos Moedas e Luís Montenegro apontar uma maioria em Lisboa. Se tem alguma reação ou uma palavra a dizer, quando houve pedidos de maioria, numa eleição que parece estar muito disputada.

Tenho a profunda convicção que Carlos Moedas vai perder a Câmara Municipal de Lisboa e que Alexandra Leitão vai ganhar, e esta coligação vai ganhar a Câmara Municipal de Lisboa. E vou-vos dizer por quê. Porque acho que, por um lado, Carlos Moedas deixou Lisboa numa situação desastrosa, foi incapaz de responder pelo seu mandato e foi incapaz de apresentar uma ideia política para Lisboa durante toda a campanha. E, pelo contrário, a coligação que o Bloco de Esquerda integra e que é encabeçada por Alexandra Leitão, mostrou que tem um projeto para a cidade. E é um projeto para todos. E é um projeto de habitação, é um projeto de transportes, é um projeto de quem quer viver a cidade, é um projeto que respeita as pessoas. E por isso eu estou muito convicta da capacidade de Alexandra Leitão de vencer estas eleições autárquicas.

É falado muito numa frente de esquerda que é necessária para, no fundo, mudar o rumo do país, numa viragem que diz ser mesmo avassaladora à direita. O PCP não faz parte desta coligação de esquerda. Não teme que a dispersão de votos possa fazer com que o PS acabe por não conseguir retirar Carlos Moedas dos comandos da capital?

A matemática é sempre a matemática. Mas cabe-me a mim responder pelo Bloco de Esquerda e não por nenhum outro partido. O Bloco, a seguir às legislativas, não estas, mas as anteriores, disse que era preciso encontrar espaços de convergência à esquerda entre os partidos protestistas e ecologistas. Dissemo-lo desde o início e fizemos por cumprir aquilo que dissemos. E acho que esse é o balanço que temos que fazer agora sobre o trabalho do Bloco de Esquerda. Fazer convergências é trabalhar para elas, é querer que elas aconteçam, perceber que os partidos têm diferenças, mas que a responsabilidade de cada partido, no momento político difícil, em que as pessoas estão a viver mal, é responder pela vida das pessoas. E foi isso que fizemos. E hoje somos capazes de dizer: cumprimos aquilo que dissemos que faríamos.

O PCP não seria inesperado que houvesse uma esquerda unida neste momento? Por que neste momento não haver uma frente, no fundo, para conseguir acabar com esta direita?

Infelizmente, como vos dizia, cada município tem a sua realidade, cada município tem a sua especificidade. Acho que, felizmente, dentro de geometrias muito diferentes, houve capacidade em muitos locais para juntar forças de esquerda, para juntar movimentos cívicos, para que as eleições autárquicas possam ser um reflexo da diversidade que existe em cada território e da vontade de trabalho conjunto.

E em Lisboa vai ser suficiente isso?

Eu acredito que Alexandra Leitão e que esta coligação vai ganhar Lisboa. E já vos disse exatamente por que acredito e por que acho que merece ganhar Lisboa.

Ainda assim, já referiu aqui por diversas vezes que o Bloco se quis apresentar às autárquicas com projeto alternativo. Não entende que estas várias coligações, nomeadamente em Lisboa, acabam por diluir um bocado esta dita alternativa que o Bloco quer apresentar?

Pelo contrário, um partido que é capaz, em alguns territórios, de fazer uma convergência e ser capaz de perceber que o momento político exige uma convergência, ser capaz de estar à altura das suas responsabilidades, eu acho que isso não é uma diluição. É um partido muito confiante sobre a sua identidade e que é capaz de integrar uma coligação, de saber que as coligações são isso mesmo. É preciso, às vezes, fazer uma cedência aqui, mas conquista-se muito do outro lado. E eu tenho a certeza que Lisboa ganhará com a capacidade de responder pela habitação, com a capacidade de responder pela inclusão, com a capacidade de responder pela qualidade de vida. Noutros territórios, em que não foi possível fazer essas convergências, e nós tentámos em todos, porque achámos que era um momento político importante, o Bloco de Esquerda está cá, e está cá para defender o seu projeto político e está cá para defender a sua visão do que é um território inclusivo, com qualidade de vida para todos, com solidariedade e empatia. Eu acho que essa é a marca que deixamos nestas eleições.

Ainda assim, permita-me uma ligeira provocação, se não entende que o eleitorado, ao ver tanta coligação do Bloco em tantas autarquias, não vê isto como quase um ato de desespero depois do mau resultado das legislativas?

Mas repare, para haver coligações é porque há outros partidos que participam dela. Essa pergunta pode ser feita a todos os partidos que participam em coligações. Logo, a lógica não se aplica.

Mas as coligações são mais de 20 este ano, é uma grande diferença face a há quatro anos, significa que, no fundo, há alguma coisa que vos leva, neste momento, a ingressar em tantas coligações.

É a viragem de direita no país. E nós pudemos explicar a seguir às legislativas. Nós entendemos que perante uma viragem de direita, que não é só partidária, uma viragem ideológica, cultural, política, perante o ataque e a violência de um governo de direita aos direitos do trabalho, aos serviços públicos, ao direito à habitação, nós entendemos que era muito importante que a esquerda que saiu fragilizada, todos os partidos de esquerda que saíram fragilizados das eleições legislativas, tinham a obrigação de se juntar e de apresentar projetos credíveis à população para as autárquicas. E cumprimos isso. E acreditamos que esse esforço dará os seus frutos. E acreditamos que vai ser possível, em muitas zonas deste território, eleger autarcas, em coligações nuns casos, noutros não, mas que respondem por esta vontade de um país mais justo e mais solidário. Obrigada.

Muito obrigado.

Obrigada.