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Nós assim que detetámos a escorrência cancelámos logo. Decisão tomada em conjunto com todos os parceiros, porque achamos que a saúde pública está acima de tudo. Foi detetado o entupimento e deixe-me dizer que o entupimento resulta da acumulação de material que é pouco normal correr pelos saneamentos. Desde toalhas, trapos, panos de cozinha, toalhetes. É muito difícil lutarmos contra isso. Eu começo a duvidar, atendendo que estamos às portas de umas eleições, se não há aqui boicote, se não há aqui alguém que está a tentar prejudicar a imagem da Nazaré. Mas pode dizer, pode avançar se quiser, que eu estou a começar a recear isso, porque acho muito estranho uma coisa que não é normal correr em zona de saneamento, numa zona central, este tipo de material. Nós retirámos das condutas, que temos registado em vídeo, material que normalmente não é encontrado naquelas condutas. O que é certo é que atacámos o problema, estamos a fazer a recolha da água, interditámos a praia toda, que achávamos que não era uma coisa que seria necessária, mas atendendo que a primazia da saúde pública está acima de qualquer interesse político, interditámos a praia toda e agora aguardamos que as análises, que vão ser entregues em mão no Instituto Ricardo Jorge, em Lisboa, nos deem o resultado que nós aguardamos, que nós esperamos.
E os resultados destas análises serão conhecidos amanhã ao final do dia, correto?
Sim, este tipo de análise, como sabe, demora entre 24 a 48 horas, porque é necessário fazer a deposição da amostra para perceber, havendo bactérias, se elas se multiplicam. Demora um pouquinho mais do que o normal. Da outra vez demoraram 24, 25 horas e desta vez também nós esperamos que não vá para além disso, que é isso que nos importa.
Com certeza. E diga-me uma coisa, quando é que detetaram este problema no saneamento?
O problema, como eu comecei por dizer, foi detetado por volta das 11:00, 11:15. Fomos alertar, foi visto logo.
Mas ainda de hoje, correto?
De hoje, foi logo atacado. E pode registar, teve uma escorrência de uma hora e 15 minutos.
Uma hora e 15 minutos, correto.
Uma hora e 15 minutos é o que ele teve até que foi encontrado o local do entupimento e atacado esse entupimento. Teve a escorrer uma hora e 15 minutos.
Mas novamente para a água do mar.
Sim, pela zona pluvial que sai ali junto às rochas na base da nossa falésia, do nosso promontório.
Correto. E interditaram a praia a que horas?
Nós interditámos por volta de meio-dia, foi logo assim que soubemos. Até deve ter sido 11:30, por aí. Mas foi logo. Os timings, nós ficamos tão atordoados com a notícia e começámos a atuar imediatamente. Portanto, foi logo imediato, antes de detetar inclusive o próprio entupimento, porque a praia estava interditada e os nossos serviços estavam a tentar localizar o entupimento.
Com certeza. E ainda outra questão em torno deste problema no saneamento. Já têm resultados do estudo da saúde pública, já conseguem dar uma estimativa ou o número correto das pessoas que foram contaminadas da última vez?
Sim, e a saúde pública também nos dá conta do mesmo. Nós não conseguimos distinguir porque achamos, e isto são os técnicos da saúde pública a falar, e nós também temos essa percepção, que estamos a falar em dois focos de infeção totalmente diferentes. Houve um da água, isso é inegável, não podemos desmentir, porque houve muita gente que foi à praia e foi à água e veio infetada, mas houve muita gente que não indo à praia, não esteve na praia, não teve contacto com a água, porque a infeção foi bacteriana, foi uma infeção por Escherichia coli. Não há transmissão de pessoa para pessoa, só há transmissão a partir da água. Houve aqui uma simultaneidade de infeções. Há aqui dois focos diferentes que nós ainda não conseguimos descobrir qual foi o segundo, mas estamos a monitorizar no sentido de perceber o que é que terá havido também. Eu não estou a dizer com isto que não houve contacto com água, nem quero que isso seja interpretado como tal. Houve sim, mas há muito contacto, muita infeção que não teve a ver com a água. E nós estamos a tentar perceber o que é que terá acontecido.
Com certeza, então ainda não têm o número.
Não, nós não temos o número. Felizmente, a partir daquela altura deixou de haver registos no hospital, não houve entradas no hospital, o que para nós nos dá aqui algum conforto, que é mesmo assim. Mas ainda continuamos a saber que há uma pessoa ou outra que sente algum sintoma, porque também sabemos que a bactéria pode ter um período de incubação de um a 10 dias. Portanto, até 10 dias a coisa pode acontecer. Mas felizmente que agora, nesse aspeto, nós temos as coisas mais ou menos controladas. Portanto, o número que nós tivemos conhecimento, que foi o último que vocês recebiam, que eu recebia, não há outros registos.
Ou seja, não passou dos 116, sendo que quando comuniquei com a Unidade Local de Saúde, tinham dito que iriam fazer o estudo também retroativo à quinta-feira.
Exatamente, esperar receber informação de casos Possivelmente podiam ter ficado por casa, porque sendo sintomas, felizmente para todos nós, suaves, uma pessoa pode estar por casa a sentir vómitos, sentir alguma diarreia. Isso são, felizmente para todos, sintomas suaves que podem ter dar resposta e que nós também queríamos monitorizar, saber se esses casos têm a relação à praia e principalmente à água, que isso é que nos importa. Não é só a praia, que é mesmo a água.
Com certeza.
É que o contacto com a água também tem que ser através de ingestão. É curioso também isso. Não é só o contacto, a gente pode molhar os pés e não fica contaminado. É mesmo através de ingestão, pelas vias respiratórias ou até pela boca, que mais perto das vias respiratórias.
Com certeza.
Sim, senhor. Diga.
Diga-me só uma coisa. Referiu aqui um boicote político, como estamos em altura de pré-autárquicas. Tem alguma...?
Não, não tenho. Eu posso estar a ser tremendamente injusto. Eu digo, já disse ao colega seu que não quero acreditar nisso, mas como dizem os espanhóis: "No tributo mas que es aha".
Mas não descarta a possibilidade?
Eu não descarto. Não sei quem é que tem que ganhar com isto, mas é um facto, começo a perceber que há aqui um grande conjunto de coincidências que me levam, se calhar, a não pôr de parte, a não descartar qualquer outra possibilidade.
Motivação política.
Sim. Eu não sei quem é que tem a ganhar com isso, se estão no caminho certo, se a verdade é que assim é, não sei. Mas começo a ter, na verdade, esse receio, porque o que está a acontecer, está a acontecer de forma estranha. No caso anterior, isto aqui para nós que ninguém está a ouvir, em jeito de brincadeira. Nós tínhamos no emissário submarino, tínhamos monitorizado o início, que estava limpo. Ou seja, se o início estava limpo, à partida, tudo o que saísse, sairia limpo. E a meio havia ali intromissões. Até pode haver, e isso é uma coisa que tem que ser investigado, ligações ilegais, digamos assim, em que há alguma mistura. Pode haver, mas tudo isso vai ser monitorizado e vai ser identificado. Pode haver, se pararmos a pensar aqui em sabotagem, pode haver isso. Pode haver alguma troca de efluentes que saem por sítio que não deviam sair. Mas isso também vai ser descoberto e vai ser atacado. A existir, vamos tirar isso claro.
Mas a autarquia está a trabalhar em conjunto com as autoridades para tentar perceber.
Estamos, sim senhor.
Com certeza. Ainda uma última questão: o sector da hotelaria e turismo, como é que tem reagido a este foco?
Infelizmente há um caso ou outro que tem referido isso, que tem surgido. E nem é surgido, é dando conta. Mas o colega seu que fala em 30% das reservas é uma coisa completamente surreal. Mas eu acredito que haja um caso ou outro pontual. Houve uma pessoa que enviou um e-mail, uma pessoa particularmente, a dizer que ia ficar, mas que ia abandonar Nazaré, porque não podia ir à praia. Eu acredito que haja um caso ou outro, não é naquela percentagem que foi referida, mas acredito. Mas não tive esse feedback outra vez e espero que não tenha agora, porque infelizmente agora não há caso mesmo para isso. É mesmo um momento muito pontual e amanhã já estamos em condições de retomar.