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O que eu acho em relação a isto, e neste momento não vou falar como candidato à Câmara Municipal da Nazaré, na medida em que este assunto, a meu ver, não pode de forma alguma servir como arremesso político. Falamos de uma situação que é deveras séria e preocupante. Estamos a falar de uma situação que já acontece na Nazaré há muitos anos, já deveria ter sido resolvida, sem dúvida alguma. Estamos a falar de uma situação que já vem de há 15 ou 20 anos. É uma situação que tem que ser resolvida rapidamente. A Nazaré nos últimos anos teve um crescimento muito grande. Estamos a falar de um sistema de esgotos e pluviais com mais de 50 anos e que nunca foi revisto, nunca foi remodelado e não acompanhou o crescimento que a Nazaré teve nos últimos anos. E neste momento estamos a sofrer relativamente a essa questão. Na minha opinião, é um assunto que tem que ser tratado rapidamente. É uma obra que tem que ser feita muito rapidamente, mas neste momento, e tendo em consideração que já é a segunda vez que está a acontecer agora durante o mês de agosto, com consequências muito graves para a Nazaré, quer em termos de imagem, quer em termos de quem neste momento está na Nazaré, e principalmente para o tecido empresarial e para o comércio da Nazaré. Estamos a falar de proporções muito grandes. Tem que ser feita alguma coisa de imediato para que não possamos vir a ter esta situação mais daqui a uma semana ou duas semanas.

Com certeza. Pode continuar.

Eu estava só a querer dizer que existem soluções, a meu ver, para tentar travar o problema rapidamente, que seria através da execução rápida de uma caixa antes do final das tubagens dos esgotos que vão para o mar, uma caixa de retenção, de forma que se consiga prevenir esta situação no imediato. Era uma forma que havia de resolver a situação no imediato, na minha opinião.

Disse que não quer utilizar a situação como arremesso político. No entanto, o que a Rádio Observador conseguiu apurar nas redes sociais realmente não deixou de mostrar o desagrado para com o executivo atual. Inclusive, disse que o vereador do ambiente, no caso o Salvador Formiga, está de certa forma a tentar normalizar a situação?

Nós intervimos na reunião de Câmara, que é o local próprio para falar sobre esta situação. Achamos este assunto demasiado grave para usarmos como arma política. Neste momento, a população da Nazaré tem que estar unida para a resolução do problema. Não podemos estar, de forma alguma, a usar isto como fator político. Não. É um assunto que envolve todos os nazarenos, toda a população da Nazaré e como tal, neste momento temos que estar unidos para a resolução rápida do problema. Esse é o nosso objetivo. E quando tivermos que dizer alguma coisa sobre o assunto, diremos no local próprio, que é nas reuniões de Câmara do município.

Dê-me só um contexto. Qual é que foi a última vez que o PSD teve a Câmara da Nazaré?

Há 13 anos, sensivelmente.

Seguindo a cronologia que o senhor me deu, o PSD também teve alguma responsabilidade.

Claro, muitos executivos, tanto do Partido Socialista como do próprio PSD, têm responsabilidades neste assunto. Não há a mínima dúvida disso. Eu sou o primeiro a assumir. Nós somos um movimento independente apoiado pelo PSD. E estamos cá também para assumir as responsabilidades que o próprio PSD tem que assumir, como é evidente. Agora, isto foi algo que passou por bastantes executivos e que nunca foi devidamente tratado. Há poucos anos atrás, foi feita uma obra muito grande na marginal da Nazaré, que fez a remodelação toda da marginal da Nazaré, e que este assunto na altura não foi devidamente tratado e deveria ter sido, efetivamente. E isso foi feito no último mandato.

Há instantes estivemos à conversa com o atual presidente da Câmara, Manuel Sequeira, e o presidente, o autarca, não deixou a dúvida de que isto poderia ser, de certa forma, um boicote político, uma jogada política com as eleições já à porta. Como é que encara estas acusações?

O senhor presidente da Câmara deve saber o que está a dizer. São muito graves as acusações que ele está a fazer. Extremamente graves. Eu acho que ele deve pensar muito bem no que está a falar. Muito sinceramente, isto é um problema que não é de agora, pelo fato de estarmos em ano de eleições. Não, isto é um problema de há muitos anos. Toda a população da Nazaré conhece este problema e toda a população da Nazaré sabe que durante estes últimos anos nada foi feito para resolução deste problema Portanto, as acusações que o senhor presidente da Câmara está a fazer, não sei a quem ele está a direcioná-las, não faço a mínima ideia, mas têm que ser bem pensadas, porque é bastante grave o que ele está a afirmar. E não acho, sinceramente, que as pessoas da Nazaré gostam demais da Nazaré para pensar em boicotar o mês de agosto, que é um mês tão importante para toda a população nazarena, a pensarem por uma questão eleitoralista, estarem a boicotar o que é o ganha-pão de grande parte da população. Quer dizer, isso era demasiado grave, como é evidente. Portanto, eu desmarco-me completamente das palavras do senhor presidente da Câmara.

Não acredita que possa ter tido essa motivação?

Não, não acredito, sinceramente.

Nem de outros partidos?

Não acredito. Mesmo de outros partidos, sinceramente, não acredito. Vamos ver. É um problema crónico que afeta a Nazaré há anos. Ainda há pouco falámos, mesmo durante a governação do PSD, este problema nunca foi resolvido. É um problema crónico da Nazaré. Agora, por alguma razão, este ano vamos na segunda vez que nos está a afetar, efetivamente. Mas nos outros anos já aconteceu também. Se me dissesse: "Ok, é a primeira vez que está a acontecer." Sim, possivelmente, até podíamos pensar nisso. Agora, desta forma, não. As pessoas da Nazaré não são assim. As pessoas da Nazaré, de forma alguma, são dessa forma.

O autarca disse que o setor da hotelaria e do turismo não parece estar a sofrer imenso com estas situações. Discorda ou concorda?

Discordo por completo. Na medida em que quando se passou a primeira vez, na semana passada ou há duas semanas, nesses dias e na semana seguinte, notou-se por completo uma quebra muito grande na Nazaré, quer em termos das pessoas, quer em termos do mercado. Mas não nos podemos esquecer de uma coisa muito mais importante que tudo isso. Estamos a falar da saúde pública. Estamos a falar que da primeira vez foram cerca de 100 pessoas ao hospital. Portanto, estamos a falar aqui de um problema de saúde pública. Um problema de saúde pública é grave e sobrepõe-se às questões económicas, como é evidente. Agora, isto tem repercussões muito graves. Nós próprios também estamos ligados aqui à hotelaria e neste momento, da primeira vez tivemos quebra e tivemos cancelamentos nas reservas e agora vamos ter novamente, como é evidente. Volto a dizer, os nazarenos têm que estar unidos, tem que ser resolvida a situação o mais rapidamente possível. Eu próprio estou à disposição da Câmara Municipal para poder participar na resolução do problema, mesmo não estando relacionado com a Câmara Municipal neste momento. Sou candidato à Câmara Municipal, mas estou disponível, como é evidente, para tentar ajudar a Câmara também na resolução deste problema. E acho que temos que estar unidos e não temos que estar a pensar na coisa política. A coisa política é o menos importante neste momento. E o senhor presidente da Câmara devia se preocupar mais neste momento com a saúde pública, com os nazarenos, do que estar aqui a tentar arranjar um bode expiatório com o boicote. Quer dizer, isso nem lhe passa pela cabeça. É impensável uma situação dessas.