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Estamos à saída deste Conselho Nacional do Desporto e tenho comigo Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores. Uma reunião que se realiza na véspera dessa apresentação de um plano a 12 anos para o desporto como um todo. Pergunto-lhe que balanço faz desta reunião e que perspetiva vai ser anunciada amanhã pelo governo?
Eu posso partilhar convosco três comentários que fiz no Conselho Nacional do Desporto. A minha intervenção foi pública. O primeiro: tenho estranhado a ausência do Conselho Nacional do Desporto. Enfim, passado um ano, fez prova de vida. Não o vi ativo aquando do Orçamento de Estado. Era uma matéria importante para os agentes desportivos em geral e para os praticantes também. Portanto, custa muito que o desporto seja mais uma vez excluído do Orçamento de Estado. É fundamental o peso que o desporto tem na sociedade, na saúde, na formação dos jovens, o peso que os clubes têm no PIB, nas contribuições, mereciam outro respeito por parte do Estado e outra atenção por parte do Conselho Nacional do Desporto.
E este plano estratégico que vai ser anunciado amanhã, acha que não vai continuar a dar essa atenção que se deseja?
Sobre este plano, não vi o praticante na centralidade deste plano. Não fomos ouvidos. Há uma exclusão dos praticantes e eu fiz essa crítica à ministra. Eu acho que os praticantes têm que ser ouvidos num plano nacional a 12 anos, isso não sucedeu. E as matérias que dizem respeito aos jogadores, aos praticantes, holisticamente, desde a educação, a sua formação, a saúde, a transição de carreira, têm que ser temas centrais e não fomos auscultados.
Os jogadores vão sair prejudicados, então?
Quando nós não somos ouvidos, somos obrigados a aderir às medidas que nos propõem. A própria União Europeia recentemente disse que tem que haver um diálogo efetivo, os praticantes têm que ser ouvidos, têm que ser ouvidas as suas preocupações. Não pode haver aqui um paternalismo e fazerem por nós aquilo que nós achamos que deve ser feito. Este plano pareceu-me curto. Vou esperar.
Em termos de medidas, já agora, até porque foi dito que não havia esse anúncio ainda de verbas. Não há anúncio de verbas, ou seja, em termos também de verbas, é curto para si?
Sim, mas sobretudo as medidas, que foram muito curtas e genéricas. Fiquei surpreso. Estou na expectativa para o que vai acontecer amanhã, mas vários conselheiros manifestaram essa preocupação. Eu acho que definitivamente o desporto tem que estar na agenda política, tem que estar na agenda dos agentes desportivos, tem que estar na agenda do Conselho Nacional do Desporto. Enfim, este é um órgão político, tem um peso enorme junto do governo, devia ter essa obrigação, isso não está a suceder. E os agentes desportivos têm que se manifestar nesse sentido.
E para além dessa centralidade que é necessária, segundo Joaquim Evangelista, dar esses agentes desportivos aos jogadores e também a outros, aos praticantes, aos agentes verdadeiros do desporto, pergunto-lhe que outras medidas é que pudesse agora colocar amanhã e que gostaria de ver plasmadas, independentemente deste resultado e deste desfecho do Conselho Nacional?
Eu acho que há um consenso generoso sobre aquilo que é fundamental para o desporto, desde o seu peso na saúde, o seu peso na formação, o seu peso no país desportivo, a sua transversalidade. Há uma grande unanimidade. O que falta depois é saber quais são as políticas que vão ser postas em prática e de que maneira vão ser postas em prática. Isso vamos saber amanhã e, portanto, em função disso. Agora a senhora ministra teve a oportunidade de dizer que é um documento aberto, que conta com todos. Até agora não foi o que sucedeu. E estranho o silêncio. Acho que o desporto politicamente tem andado afastado. Tem sido um rodapé dos vários programas e das várias medidas. E preocupa-me porque há vários agentes políticos que têm uma proximidade com o desporto muito grande, têm experiência desportiva, mas não têm feito pelo desporto aquilo que o desporto merece. Eu acho que é culpa própria, acho que é nossa responsabilidade não estarmos unidos na defesa do desporto.
Para terminar esta entrevista, até porque não podemos fugir muito à atualidade dos últimos tempos do futebol português, tem sido marcado por trocas de comunicados e também alguns castigos por parte não só de treinadores, como também jogadores. Pergunto-lhe se, aos olhos daquilo que já tem assistido nas épocas do futebol português, se ainda é muito cedo na época para esta troca de comunicados e esta, muitos dizem, pressão sobre a arbitragem.
Eu acho que isso é acessório. O fundamental são estas medidas importantes para o desenvolvimento do futebol português. Isso é acessório.
Mas é muito cedo?
Faz parte. Acho que podemos evitar uma escalada, acho que isso vai acontecer. Eu estou muito convencido de que esta renovação de dirigentes é positiva para o futebol português. Aliás, ontem eu vi uma entrevista do António Salvador.
Presidente do Sporting Braga.
Ele próprio a dizer isso que eu estou a dizer, que eu já tinha dito, para que tenhamos bom senso e ponderação e que nos concentremos no essencial. Eu acho que se nós, enquanto continuarmos nestas discussões, que são acessórias e vão continuar, mas se nos esquecermos do essencial, que é as medidas fundamentais para os praticantes, para os clubes, para as federações, para o futebol português, com peso político, não é possível desenvolver o futebol português. O doutor Fernando Gomes dizia que um euro investido no desporto corresponde a sete euros de retorno para o país. Isto está demonstrado, é uma evidência. Então por que não fazemos investimento no desporto? Investimento com qualidade e investimento específico. E este Conselho Nacional do Desporto devia servir para isso, para nos dar uma orientação e para nos mobilizar para causas comuns. Eu acho que isso não está a acontecer. Enfim, espero que amanhã haja novidades e que sejamos surpreendidos.