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João Falcato, o Oceanário de Lisboa celebra o seu 25º aniversário. Hoje são oferecidas entradas gratuitas para creio que 9 mil visitantes. Deixe-me perguntar-lhe, destes 25 anos, qual é que é a memória, a mensagem que o Oceanário de Lisboa passa não só aos portugueses, aos lisboetas, mas também a quem o visita um pouco por todo o mundo?

Eu diria que as memórias são mais do que muitas, são um acumular de sucessos e de situações muito positivas ao longo de 25 anos, que permitiram que já mais de 28 milhões de visitantes viessem ao Oceanário, e que o Oceanário conseguisse sensibilizar todas essas pessoas para a conservação da natureza, para a conservação do oceano. É essa a principal mensagem do Oceanário, é tentar inspirar cada uma das pessoas que nos visita a proteger a beleza daquilo que conseguem ver, a vida debaixo d'água, a vida submarina, a biodiversidade que a grande maioria das pessoas não conhece e que julga que está muito bem, porque o oceano é enorme, mas afinal não está assim tão bem como nós julgamos e todos nós temos que contribuir cada vez mais para a sua conservação.

E como é que o aniversário vai ser celebrado? Eu estou aqui a ler que, pela primeira vez, o maior aquário do mundo disponibilizou mais de 9 mil bilhetes gratuitos, que presumo que já estejam todos esgotados.

Sim, nós não somos o maior aquário do mundo. Fomos considerados várias vezes o melhor aquário do mundo, mas maior não somos. E decidimos, pela primeira vez em 25 anos, abrir as nossas portas gratuitamente para que todos pudessem festejar em conjunto conosco. Abrimos estas entradas online, porque seria demasiado caótico ter o Oceanário aberto sem sabermos quantas pessoas viriam. Disponibilizamos o nosso máximo, que eram 9.600 bilhetes, e em menos de uma manhã esgotaram. Por isso vai ser um dia de grande festa, um dia cheio de gente no Oceanário de Lisboa, e acho que vamos todos poder em conjunto festejar a beleza do mundo subaquático e se fosse possível, todos nós pensarmos um pouco como cada um de nós pode conservar o oceano também.

Deixe-me perguntar-lhe se há outras iniciativas para os próximos dias, para quem já não tem ainda tempo de conseguir este bilhete gratuito.

Sim, ao longo desses próximos dias vamos ter visitas guiadas gratuitas, vamos ter uma série de iniciativas no Oceanário de Lisboa para quem visita normalmente nos próximos dias, que normalmente não estão disponíveis e que vamos disponibilizar gratuitamente. Por isso, ao longo de toda essa semana, quem visitar vai poder encontrar outro tipo de iniciativas. O ideal será as pessoas reservarem-nas online. Está tudo disponível no nosso site, são gratuitas também. Por isso, quem estiver interessado em ter uma visita diferente ao Oceanário de Lisboa, poder até ver os bastidores, faz parte das ofertas que temos. Vão online e marquem a vossa visita. Como é óbvio, a quantidade de bilhetes disponíveis para estas atividades são limitadas. Não temos a capacidade de ter disponível para todos, mas gostaríamos de festejar com a maior quantidade de pessoas possível este momento tão bonito que são os 25 anos do Oceanário de Lisboa.

Começou por falar na principal mensagem do Oceanário, de sensibilizar as pessoas para a conservação do oceano e da biodiversidade. Eu pergunto-lhe qual é que tem sido o papel do Oceanário de Lisboa neste objetivo: conservação do oceano, preocupações ambientais, preocupações ecológicas. Qual é que tem sido o papel do Oceanário nestes últimos 25 anos?

O Oceanário tem vários tipos de atividades que levam a contribuir para a conservação dos oceanos. O primeiro, com certeza, a sensibilização da maior quantidade de pessoas possível através dos nossos visitantes. O nosso programa educativo, em que nós vamos diretamente sensibilizar, normalmente a maior parte são os mais novos, mas também os mais velhos. E ao longo desses 25 anos, já demos aulas a mais de 1.600.000 crianças, tanto no Oceanário como nas escolas. Temos também vários projetos de conservação in situ, ou seja, no local, que nós financiamos. Mais de 40 ao longo desses 25 anos que nós financiamos o desenvolvimento. E por último, temos muita atividade no Oceanário de Lisboa, mais ao nível científico, de conhecimento das próprias espécies, de saber qual é o seu ciclo de vida, que nos vão permitir ter as ferramentas que permitam manter essas espécies vivas em caso de alguma necessidade, que esperemos que não venha a acontecer. Temos também muita atividade com o IUCN, que é a maior instituição de conservação da natureza do mundo. Temos cinco colaboradores a trabalhar conosco e com eles também, a fazer a avaliação do estado de ameaça de cada uma das espécies. Atualmente, estamos a fazer o Livro Vermelho, a analisar as 1.100 espécies marinhas existentes em Portugal. Há mais de 30 anos que essas espécies não são avaliadas e estamos aqui a tentar saber qual é o estado de ameaça que cada uma delas está. Ou seja, a diversidade de atividades em prol da conservação do oceano, do Oceanário de Lisboa é enorme, é muito diversificada. Em alguns pontos é única, impossível de replicar por outras instituições, em outros será mais em colaboração com outras instituições, mas é muito diversificada e graças a Deus, muito grande também.

Então podemos, agora que estamos a falar dos 25 anos do Oceanário de Lisboa, falar nesse sentido de uma missão cumprida?

Eu acho que esta missão nunca está cumprida. Acho que temos um contributo muito positivo ao longo desses 25 anos Mas parece-me também que nos próximos 25 anos vamos ter muito mais que fazer, vamos certamente ter muito mais sucesso e o nosso impacto tem de aumentar, cada um de nós tem que fazer cada vez mais, porque apesar do sucesso do Oceanário, a realidade é que quando olhamos para o oceano, o oceano não está melhor. E nós temos de continuar a trabalhar todos em conjunto para garantir que os nossos filhos, os nossos netos, continuam a ter o oceano como nós o tivemos há uns anos. Porque neste momento ainda não conseguimos inverter este processo de degradação ambiental que está a acontecer no mundo todo e todos em conjunto, todos a visitar, todos inspirados, tenho a certeza que vamos conseguir.

E quais são os objetivos do Oceanário para o futuro? Ou seja, nos próximos 25 anos, como é que o Oceanário de Lisboa pode ajudar com esse objetivo de manter a conservação do oceano?

Eu acho que passa muito por aquilo que já estamos a fazer, mas a aumentar. Diria que o potencial de criação de ciência, de conhecimento sobre as espécies no Oceanário de Lisboa tem vindo a aumentar muito nos últimos cinco, seis anos e provavelmente será esse o caminho que o Oceanário vai continuar a trilhar, cada vez mais envolvido com as universidades, com as entidades que trabalham na conservação do oceano, em parceria também com a população em geral. Vamos estar cada vez mais ativos, vamos estar cada vez mais envolvidos em processos científicos para dar um conhecimento aos decisores que lhes permita assumir aquilo que será necessário assumir com conhecimento. É esse o muito do papel que o Oceanário pode ter e irá certamente ter nos próximos 25 anos, ainda mais do que teve nestes primeiros.