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Coronel Francisco Rodrigues, ontem houve então esta notícia de que o grupo Armilar Lusitano, grupo neonazi, estaria a planear um atentado contra o primeiro-ministro, Luís Montenegro. Havia também uma lista com outros nomes, como Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Aníbal Cavaco Silva, também noutras áreas, o Moro, Nuno Markl. Pergunto, primeiro que tudo, se esta notícia deve preocupar-nos ou, por outro lado, é a prova de que as autoridades estão preparadas e têm a capacidade de conter estes ataques.

Eu penso que é mais uma das provas de que as autoridades, principalmente serviços de informações, o SIS, Polícia Judiciária e naturalmente a Polícia de Segurança Pública e a GNR, mas principalmente os dois primeiros, estão muito atentos a estes fenómenos e têm vindo a procurar monitorizar tudo aquilo que pode colidir com, como se costuma dizer, um Estado de direito democrático. Portanto, tudo aquilo que possa pôr em causa o Estado de direito é obrigação das entidades e principalmente destas autoridades que têm à sua responsabilidade a monitorização deste tipo de situações. Portanto, faz com que elas estejam de facto e acompanhem estes fenómenos muito de perto, exatamente para evitar que cheguem à concretização daquilo que são as suas intenções. Indo diretamente à segunda parte da sua questão, é uma prova de que de facto as entidades estão muito atentas.

Tendo em conta que neste processo está envolvido um agente, aliás, um chefe da PSP, isto porque foi apurado que a morada de Luís Montenegro, ao contrário do que o primeiro-ministro dizia, que a morada teria sido divulgada tendo em conta o contexto do processo do caso Pino Viva, foi apurado que não foi assim e que a morada foi conseguida por um chefe da PSP através de documentos da Polícia Municipal. Vai haver medidas pesadas ou uma fiscalização mais apertada nestas autoridades?

Repare, quem está dentro deste tipo de organizações tem mais facilidade de tentar apurar situações, elementos, informações que tendem a ficar mais resguardadas daquilo que é naturalmente a vida pública. Isto para dizer que não é difícil para quem esteja dentro de uma organização como a PSP, GNR ou Polícia Judiciária, conseguir determinar onde é que o senhor primeiro-ministro ou outras autoridades governamentais, ou o senhor presidente da República, é mais fácil de identificar, porque já foi público. Isto são questões que num país como o nosso, felizmente, não têm trazido grandes problemas, exatamente a divulgação dos locais de residência ou muitas vezes de trabalho, que podem não coincidir com a residência de algumas entidades, que têm naturalmente residências oficiais que podem utilizar para o desempenho das suas funções. É fácil ou, por menos, não é difícil arranjar estas localizações. Portanto, não podemos ficar surpreendidos que um elemento, neste caso da PSP, tenha conseguido obter a morada do senhor primeiro-ministro.

Considera que é grave que haja um membro da PSP envolvido neste caso?

Repare, claro que é sempre grave. É grave quando um elemento de uma força de segurança ou de um serviço de segurança está envolvido em organizações que estão à margem da lei. Portanto, é evidente que é grave. Mas eu estou perfeitamente convencido que a generalidade, neste caso concreto, dos elementos da PSP ou elementos da GNR, mas os elementos da PSP, já que se tratava de um elemento desta força de segurança, não se identificam naturalmente com esta situação. Portanto, é evidente que é grave, mas eu estou perfeitamente convencido que a PSP também está atenta a esta situação e vai naturalmente tomar todas as diligências no sentido de perceber o porquê, se há outros envolvidos e com certeza dará resultados desses inquéritos internos, da investigação interna. Mas temos que acima de tudo, e é isso que eu acho que é mais importante, passar a mensagem de que temos força e serviços de segurança com capacidade de responder em tempo a fenómenos que passam e procuram mover-se à margem da lei. Portanto, sejam eles estes relacionados com extremismos políticos, quer aquilo que diz respeito à criminalidade organizada, como é a questão do tráfico de droga.

Esta foi uma notícia que foi dada ontem. Hoje, o primeiro-ministro, a partir de Bruxelas, falou sobre este assunto e vem contestar a forma como esta notícia foi tornada pública e diz mesmo que o próprio Luís Montenegro só teve conhecimento deste ataque planeado através da comunicação social. Como é que olha para esta divulgação? Podemos estar perante alguma falha de segurança? O primeiro-ministro não deveria ter sido avisado antes?

Na minha perspetiva, não querendo pôr em dúvida as afirmações do senhor primeiro-ministro, se ele não teve conhecimento, a não ser pelos órgãos de comunicação social ou pela leitura do acordo, desta situação em concreto, acho que deveria ter sido feita essa comunicação ao senhor primeiro-ministro antecipadamente. Isso não tenho a menor dúvida. Portanto, eu quero acreditar, sem pôr em dúvida exatamente a questão levantada, a dúvida ou a negação de ter conhecimento desta situação, a não ser pela comunicação social, acho que lhe devia ter sido comunicada anteriormente a situação, tanto mais que faria com que ele próprio também estivesse, de certa forma, atento a qualquer situação que poderia estar relacionada com a questão em si. Portanto, fazia eu estar também ele próprio alerta, embora naturalmente tendo a sua equipa de segurança por perto, ele próprio também teria cuidados acrescidos. Portanto, acho que as entidades devem ter conhecimento de algumas situações, não quer dizer que sejam todas, mas desta em concreto penso que o senhor primeiro-ministro devia ter tido conhecimento. É a minha opinião pessoal.