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Eliderico Viegas, presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, está aqui connosco na Rádio Observador. Os festejos de fim de ano foram cancelados no Algarve por causa da situação pandémica e dos ajuntamentos. As perspectivas quanto ao Natal e ao ano novo eram otimistas. Agora, com esta decisão, qual é a sua reação?

As festas de fim de ano são, de facto, uma mais-valia importante da oferta turística do Algarve, sobretudo no fim de ano. Infelizmente, a pandemia levou ao seu cancelamento, uma situação que acontece um pouco por todo o lado, não apenas no país, mas também no exterior. Portanto, é uma situação que, de facto, se lamenta e que esperamos possa ser ultrapassada o mais rapidamente possível, assim que a pandemia for esbatendo e for desaparecendo.

Acredita que pode haver alguma alternativa aos festejos, por exemplo, manter o fogo de artifício, outro tipo de alternativas que possam acontecer para que não se acabe de todo com esta festa de fim de ano?

Como é sabido, no caso dos hotéis e dos empreendimentos turísticos, de uma maneira geral, todos eles organizam os seus próprios réveillons e, portanto, penso que o impacto, sendo negativo, como é óbvio, não será tão negativo como isso. E uma vez que haverá menos nacionais a viajar para o exterior, que são aqueles que procuram a região nesta altura do ano, o Algarve não deixará de registar uma procura importante e assinalável durante o fim de ano, tal como havíamos previsto. O que nós esperamos é que, de facto, pelo menos o fogo de artifício, em muitos dos casos, possa ser viável e que isso contribua para que tenhamos um fim de ano mais próximo daquilo que é o normal em anos anteriores.

De que forma os hotéis vão ser afetados por esta medida? Se eventualmente existem prejuízos que estejam previstos.

O que nós esperamos, na linha do que tem acontecido desde o verão passado, é um aumento da procura por parte dos nacionais, uma vez que, como sabemos, os portugueses estão a viajar muito menos para o exterior, atendendo à situação pandémica que atravessamos. O que se está a verificar, e vai verificar-se certamente, é que a procura externa, essa sim, pode ser mais afetada, uma vez que são exigidos testes negativos nos aeroportos de origem e à chegada, independentemente dos certificados de vacinação. No caso português, como sabemos, grande parte da população, cerca de 90%, está vacinada e, como tal, dispõe de certificados de vacinação, que são as condições de acesso aos hotéis. As nossas previsões para o fim de ano continuam válidas e pensamos ter um aumento da procura também por parte dos nacionais no finano.

Portanto, acredita que a hotelaria e a restauração estão preparados para estas medidas de acesso a estes estabelecimentos?

No que diz respeito ao alojamento, sim. No que diz respeito à restauração, embora não seja uma área que nós representamos, a tendência será para que haja algumas quebras. Agora, para os hotéis e para os empreendimentos, que organizam já os seus próprios réveillons, penso que a situação não será tão grave, embora, naturalmente, a falta de festas de fim de ano possa desmotivar muita gente a viajar para o exterior.

Da parte dos alojamentos e da restauração, tem tido alguma reação negativa dos proprietários, do staff destes estabelecimentos?

Sim, como sabe, não representamos essa área da oferta, mas temos conhecimento que há preocupações nessa matéria, porque a não existência destas festas pode contribuir para que haja menos pessoas a deslocar-se para regiões onde havia festas de referência, como é o caso do Algarve.