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Já esteve na campanha da Susana Garcia, hoje com o Marco Almeida, é o seu concelho, é onde vota, se não estou em erro. Sente que as coisas estão a mudar aqui em Sintra?
Eu espero que sim. Não posso dizer sinto, porque eu não tenho um contacto diário representativo do concelho. Mas sei que se fecha um ciclo. Um ciclo longo de 12 anos, e que se vai abrir uma oportunidade para poder olhar para o concelho de outra maneira. E isso eu sinto como morador aqui de Massamá e como votante em Sintra, que se trata de um concelho muito grande, é um dos maiores concelhos do país, tem inequivocamente problemas sérios que precisam de ser atendidos. É um concelho muito diferente, como provavelmente saberão, que tem zonas densamente urbanas e outras que ainda são menos urbanas, são problemas muito diferentes. O doutor Marco Almeida, que aqui está, é uma pessoa que conhece, eu direi, como ninguém, nesta eleição, Sintra, os problemas que o concelho tem. Tem um contacto muito próximo com as associações, com as pessoas que aqui vivem. É um homem muito experiente e tenho a certeza que se for presidente de Câmara, e eu gostaria muito que ele fosse o próximo presidente de Câmara e que inaugurasse um ciclo diferente, autárquico, que se pudesse viver melhor aqui e, sobretudo, que muitos dos problemas que vão persistindo pudessem ter outra abordagem.
Só perguntar-lhe porque há umas semanas criticou os governos que empurram problemas para a frente. Sente que os autarcas do PSD podem ser prejudicados com alguma inação do Governo?
As eleições autárquicas são muito específicas. Não vou dizer que o ambiente nacional não tenha qualquer interferência no resultado eleitoral. Eu já fui presidente do PSD, já fui primeiro-ministro. E sim, o ambiente nacional pode não ter ajudado em eleições que não nos correram tão bem nessa época quanto nós teríamos desejado. Tudo isso é verdade, mas vou lhe dizer uma coisa que disse na altura também. Não foi no pico da crise, mas foi nas encostas, quando estávamos a sair da crise, a sua memória ainda estava muito presente. O PSD perdeu câmaras que nunca tinha pensado perder e ganhou câmaras que nunca tinha pensado ganhar. E isto serve para dizer, portanto, que não sendo imune ao ambiente nacional, qualquer que seja a leitura que se faça do ambiente nacional, e eu creio que ele não pode ser comparado com as provações por que passámos muitos anos antes. Na verdade, as pessoas escolhem, atendendo àquilo que está em jogo, que são as eleições autárquicas. Nem sempre isso acontece. Noutras eleições, em referendos, às vezes as questões nacionais pesam bastante, para não dizer às vezes, são mesmo decisivas, mas não é tanto assim nas eleições locais. Tanto é que se se der ao trabalho de ir verificar, em cada concelho, a votação às vezes que se obtém para a Assembleia Municipal, não é a mesma que se obtém para a Câmara Municipal e não é a mesma que se obtém para a Junta de Freguesia. As pessoas votam de maneira diferente. E portanto, as eleições locais são isso mesmo. São eleições locais, são muitas, dependem de muitos fatores que não são percepcionáveis em conjunto por quem tenha de fazer uma leitura nacional, digamos assim. Há de sempre haver leituras nacionais, isso é inevitável, porque são eleições. Porém, as eleições locais, como lhe digo, são muito locais.
Só perguntar-lhe, porque já esteve em Sintra, na Amadora, ainda vai ter tempo para apoiar, por exemplo, Carlos Moedas em Lisboa?
Eu não vou ter mais tempo para estar em campanha eleitoral e, de resto, julgo, eu não estou na política ativa. Não faz muito sentido que ande pelo país a fazer campanha eleitoral. No caso da Amadora e no caso de Sintra, há razões muito específicas que têm a ver com o facto, no caso de Sintra, de eu ser aqui eleitor e, portanto, ser o meu concelho. E, por outro lado, na Amadora, porque eu fui candidato à Amadora há muitos anos, em 1997. Não se trata disso. Trata-se de eu ter um bom motivo para poder responder ao pedido que me fizeram de me juntar a momentos muito específicos de campanha. Compreende, no caso até da Amadora, dá-se a circunstância, como eu expliquei, de a nossa candidata, que é a doutora Susana Garcia, querer suplantar o resultado que eu lá fiz há muitos anos, e eu espero que sim, que isso aconteça, e de preferência, que ela possa mesmo ganhar a Câmara, pareceu-me uma pessoa muito combativa e uma pessoa muito capaz. E no caso aqui de Sintra, porque se dão essas duas circunstâncias. Primeira, de eu ser aqui eleitor e, em segundo lugar, de eu poder contribuir para fazer uma coisa que eu acho que está certa. E sabe, quando nós fazemos alguma coisa que achamos que está certa, talvez não precisemos de dar muitas explicações nem a nós próprios. Eu julgo que há 12 anos eu era presidente do PSD, o doutor Marco Almeida talvez pudesse ter sido o presidente da Câmara Municipal de Sintra. Mas na altura, por variadíssimas razões, não vamos mergulhar tanto atrás, isso não aconteceu. O PSD de Lisboa entendeu apoiar uma outra pessoa. E eu acho que nós perdemos, nessa época, uma grande oportunidade de ter tido uma pessoa muito experiente e uma pessoa que gosta muito de Sintra, conhece muito bem Sintra, como presidente de Câmara. E acho que desta vez não devíamos falhar essa possibilidade e, portanto, estou aqui também a dar uma ajuda A mim mesmo, de tentar corrigir uma coisa que deveríamos ter feito bem e que talvez não fizemos, e que agora temos a possibilidade de fazer bem. E quando fazemos bem, é o que está certo.
Então, contribuir para uma candidatura de Carlos Moedas não seria contribuir para algo que está certo?
Repare, o engenheiro Carlos Moedas, como muitos outros candidatos do PSD, estão a fazer a sua campanha e eu desejo-lhes uma boa eleição e que corra bem. O facto de vir aqui a estes dois sítios não quer dizer que eu não esteja a torcer e a desejar que tudo corra bem noutros conselhos. Mas isso é diferente de uma pessoa que está fora da política destinar tempo para poder associar-se a outras campanhas. Pode acreditar que houve muitos convites para que eu pudesse fazer, mas não é possível. Daqui a pouco tenho de ir dar aulas, tenho uma vida preenchida, não posso andar pelo país, não estou em campanha no país, porque a minha função hoje não é essa. Sem desprimor para nenhum outro candidato, e são muitos os que o PSD tem no país inteiro, a quem eu desejo muita sorte, é o caso do engenheiro Carlos Moedas, evidentemente. Ele foi meu secretário de Estado, propô-lo para comissário europeu, coisa que ele fez com brilhantismo. Desejo-lhe a maior sorte do mundo, mas não posso estar em todo lado e nem sei se isso seria útil ou sequer interessante, porque, mais uma vez, estou muito fora dessa atividade e não faz muito sentido que eu ande a fazer a campanha, como andaram aqueles que hoje têm essa responsabilidade.
Se me permite só mais uma pergunta. Já aqui falou da diferença das autárquicas face a legislativas e até dentro dos órgãos autárquicos. O Chega teve um bom resultado nas legislativas, ganhou muitos conselhos. Há esse risco de entrar no mapa autárquico, que leitura é que isso se pode tirar também daí?
Eu não quero fazer grandes considerações sobre resultados possíveis que podem ocorrer, nomeadamente com outros partidos. É verdade que o Chega ganhou uma dimensão maior nos últimos anos e isso acabará por ter algum reflexo autárquico. Hão de escolher algumas pessoas que com certeza terão o seu valor e, portanto, haverá eleitores que poderão querer apoiar os candidatos do Chega ou dos outros partidos, mas eu não queria estar a fazer esse tipo de leituras. Não me cabe e eu não sou visionário e, portanto, não acrescenta grande coisa. Neste caso, como lhe digo, aconteça o que acontecer na eleição, eu acho que o PSD está a fazer aquilo que está certo, porque está a apoiar um grande candidato, um bom candidato para Sintra. E essa é a nossa responsabilidade. Se o doutor Marco Almeida tiver a confiança dos sintrenses, e ele trabalhou muito para isso, merece isso, e Sintra também o merece, como presidente da Câmara, eu estou certo que ele saberá governar a Câmara com aqueles que são os representantes dos eleitores de Sintra, sejam eles quais forem, porque essa é a missão de um presidente de Câmara, procurar depois, no seu executivo, com aqueles que foram eleitos, criar condições para que os partidos desempenhem o seu papel, mas o conselho seja primeiro. E é isso que eu tenho a certeza que o doutor Marco Almeida fará aqui em Sintra também, seja qual for o resultado que os outros candidatos tiverem.
Caso o Marco Almeida ou o PSD não consigam a maioria aqui no concelho de Sintra, acredita que existe algum parceiro preferencial ou linhas vermelhas?
Isso não me cabe a mim dizer, porque não sou o candidato. O candidato é o doutor Marco Almeida e, portanto, tenho a oportunidade de falar com ele. A única coisa que eu posso dizer é, como questão de princípio, que eu o seguiria onde quer que fosse candidato. As linhas vermelhas que os candidatos têm, têm de ser aquelas que são ditadas por consciência e, portanto, têm de estar relacionadas com coisas muito particulares, muito especiais, muito graves. Tirando isso, vivemos numa democracia, temos de nos respeitar uns aos outros e temos de saber trabalhar em conjunto, quaisquer que sejam os eleitos. E essas geografias eleitorais são muito variadas no país e o tipo de trabalho que se faz é também muito diversificado, em alianças, mais à esquerda, mais à direita. Isso depende das condições de cada conselho e, no caso de Sintra, depende daquilo que é a orientação que está a ser seguida pelos próprios candidatos e, portanto, o doutor Marco Almeida é que lhe dirá melhor do que eu, o que tenciona fazer. Mas do meu lado, como eleitor em Sintra, eu gostaria que ele fosse presidente de Câmara e que se não tivesse a maioria absoluta, às vezes é difícil ter numa primeira eleição a maioria absoluta. O doutor Basílio Horta aqui também não teve a primeira vez que foi eleito. Tem de se procurar os apoios junto daqueles que querem apoiar, que estão mais sintonizados com aquilo que queremos fazer. Temos de trabalhar com as pessoas que nos querem ajudar e que querem cumprir também um bom papel à frente do seu conselho. É isso que eu posso dizer.
Já agora, doutor Marco Almeida, o que representa este apoio de Pedro Passos Coelho? E se sente um bocadinho que o PSD está a corrigir esse erro histórico de há 12 anos?
Eu quero deixar uma palavra de profundo agradecimento ao doutor Pedro Passos Coelho. Há muito que vamos falando sobre o Conselho de Sintra, tenho procurado o seu conselho em várias matérias e o facto de estar envolvido neste apoio à candidatura, para mim, é um privilégio e de uma enorme gratidão da minha parte. O doutor Pedro Passos Coelho representa persistência, resistência, mas representa, sobretudo, aquilo que eu também quero para o Conselho, que é competência. E no âmbito da competência, os sintrenses vão ser chamados a pronunciarem-se no próximo dia 12 de outubro e, eleito o quadro de vereadores, nós avaliaremos as condições que teremos para governar o Conselho de Sintra, sendo que, para mim, a linha vermelha é a incompetência. Não podemos repetir a incompetência do Partido Socialista ao longo destes 12 anos, que provocou atraso no Conselho e fez com que os sintrenses, ao fim ao cabo, estivessem desligados das suas comunidades e que sentissem que a Câmara os deixou para trás em troca das contas bancárias municipais, porque a Câmara vai terminar o mandato com 350 milhões de euros e se nós andarmos pelo Conselho, reparamos que há muito para fazer e que esse dinheiro tem que ser investido a bem dos sintrenses.