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Os técnicos dos serviços prisionais estão em greve às horas extraordinárias desde a meia-noite de hoje até junho. Pergunto-lhe, Miguel Gonçalves, o porquê desta paralisação.

O sindicato está a reivindicar, já há alguns anos, basicamente a revisão da carreira, tornar a carreira mais atrativa, porque são carreiras que já não são revistas desde o milénio passado, e que nessa revisão e nessa atratividade permita a contratação de mais pessoas, porque estamos a ficar numa situação insustentável. Não há ninguém para essas carreiras, porque as carreiras hoje não são atrativas. Veja-se o último concurso, de 50 entraram 10. É impossível abrir um concurso e ao fim de um ano ficarmos com um déficit de trabalhadores. Portanto, é necessário e urgente a revisão destas carreiras. Está agendado ou está acordado para o primeiro semestre deste ano. Contudo, continuamos ainda sem datas, não temos datas, não temos nada de concreto. E sem essa data, nós vamos partir agora à greve, às horas extraordinárias, porque o que se está a fazer, em virtude da falta de atratividade e da incapacidade de fixar trabalhadores nestas carreiras a auferir o salário mínimo, é recorrer a horas extraordinárias umas atrás das outras sistematicamente. Extraordinárias sim, e a partir de março, se não tivermos data, iremos partir para outro tipo de luta.

Então o que é que está a falhar por parte do governo, do ministério? Não se sentem ouvidos?

Não, nós fomos ouvidos. Fomos ouvidos e há um acordo já assinado para este semestre. Contudo, esse acordo foi assinado no ano passado e continuamos sem uma data efetiva, apenas promessas que será para março, poderá ser para breve. Portanto, continuamos sem datas. Enquanto não houver datas concretas, nós vamos reivindicar e continuar a chamar a atenção para esta situação que está a tornar-se completamente insustentável. Não há trabalhadores, não se consegue fixar ninguém e as pessoas não podem continuar a auferir o salário mínimo nacional. São todos, têm todos o 12º ano, licenciaturas e alguns mestrados e ganham o salário mínimo nacional. Isto por serem carreiras não revistas, isto é impensável.