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É a nossa convidada nesta edição das oito manhã, a secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, a quem agradeço a disponibilidade para estar conosco. Bom dia, em que estado está a nação?

Bom dia também, obrigada pelo convite. A nação não está bem, como se constata por aquilo que vemos todos os dias da situação dos trabalhadores, dos reformados e pensionistas. Portanto, é preciso que haja aqui alteração nas opções que o governo tem vindo a tomar e também uma política que garanta a resposta aos direitos e aos interesses dos trabalhadores, às suas condições de vida, que se têm vindo a degradar imensíssimo com este aumento brutal do custo de vida. E o que precisamos, de facto, é que o governo olhe para o descontentamento, para o protesto, para a exigência que muitos milhares de trabalhadores em todo o país têm vindo a fazer, que os reformados e pensionistas fazem, que as populações fazem a exigir serviços públicos de qualidade, que garantam as suas necessidades, que têm que ser garantidas pelo Estado e que o Estado não está a cumprir esse objetivo, que é um preceito constitucional, que faz parte da nossa democracia, garantir a saúde, garantir a educação, garantir a proteção social, garantir a habitação, entre outros. Portanto, precisamos, de facto, aqui de uma grande alteração.

O que é que gostava hoje de ver especialmente discutido nesta sessão parlamentar?

Eu gostaria de ouvir o governo dizer que vai, de facto, mudar as suas opções e trabalhar para que haja um efetivo aumento geral de todos os salários, das pensões, que reponha e melhore o poder de compra dos trabalhadores e das suas famílias, dos reformados e pensionistas, que os tire da pobreza, porque nós, neste momento, temos dois terços dos trabalhadores a ganharem menos de mil euros por mês. Isto é completamente incomportável para um país que quer desenvolver-se. Temos os pensionistas, muitos milhares, no limiar da pobreza e muitos abaixo do limiar da pobreza. Nós temos, ao mesmo tempo que isto, o custo de vida a continuar a aumentar, porque fala-se em desacelerar a inflação. Ela, de facto, tem desacelerado um pouco, mas continuam os preços a aumentar, nomeadamente preços de bens e produtos essenciais, que precisamos que haja, por parte do governo, um controle com redução e limite aos preços, à subida de preços.

Deixe-me fazer-lhe uma pergunta a esse propósito.

E com as margens de lucro que os grandes grupos económicos e financeiros é que estão a retirar disto, porque não são as micro e pequenas empresas que têm beneficiado com isto.

Deixe-me fazer-lhe uma pergunta a esse pretexto. Hoje é notícia a decisão do governo de prolongar o IVA zero até ao final do ano. Uma medida bem-vinda?

É assim, é uma medida, é um paliativozinho, mas não resolve o problema, porque, na verdade, até mesmo alguns desses produtos, o que as pessoas constatam é que em muitos locais continuar a aumentar. Mas isso não resolve o problema. Nós precisamos também de resolver o problema da nossa política fiscal, que é muito injusta, que penaliza muito mais os trabalhadores e o fator trabalho do que o capital. A distribuição da riqueza no nosso país é de uma profunda injustiça e está cada vez mais desequilibrada a favor do capital. Esta é que é a realidade, e nós precisamos de inverter isto, como o aumento geral dos salários e das pensões significativo, de maneira a aumentar o poder de compra de todos, porque isso, aumentando o consumo, também dinamiza a nossa economia, mas, por outro lado, garantir que há uma taxação efetiva do que são as margens de lucro brutais que estão a acontecer e que já aconteciam antes. Acabar com um conjunto enorme de benefícios fiscais, isenções e outros apoios, nomeadamente para as grandes empresas. Porque enquanto que as micro e pequenas empresas precisam, de facto, de investimento, de apoio para poderem viabilizar-se, as grandes empresas não precisam, pelo contrário, têm margens de lucro enormíssimas.

Fica claro.

Mas agora deixe-me só dizer que em relação ao IVA, o que nós precisamos mesmo, que é um imposto, como sabemos, é o imposto mais injusto, porque toca igual a todos, aos que ganham pouco e aos que ganham muito, e prejudica também as micro e pequenas empresas.

Atinge a todos por igual. O que é que precisamos, Isabel?

Era de reduzir o IVA num conjunto vasto de produtos e bens essenciais, passando, nomeadamente a energia, a eletricidade, o gás para os 6%, mas também um conjunto de produtos que estão no IVA intermédio, que deviam passar para os 6% e muitos que estão no IVA máximo, deviam passar para o IVA intermédio.