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Luís Soares, pergunto-lhe porque é que decidiram fazer este pedido?

Esta é uma matéria que, como temos tido a oportunidade de dizer, merece o esclarecimento cabal. E a audição desta manhã, que foi requerida pelo Partido Socialista para ouvir a senhora Presidente do Conselho de Administração, trouxe já dados que, na nossa perspectiva, são importantes para a avaliação que queremos fazer deste processo. O conhecimento que tivemos da existência ou da conclusão deste caso, o relatório da auditoria interna que se estava a realizar no Hospital de Santa Maria, é uma notícia importante e nós queremos, naturalmente, com a maior brevidade possível, poder ter acesso a este relatório para que o possamos analisar com detalhe, sem prejuízo daquilo que foram já as declarações da senhora Presidente do Conselho de Administração do Hospital de Santa Maria, que nos disse que este caso em concreto foi tratado exactamente nos mesmos termos em que foram tratados os outros 10 casos que também ocorreram no hospital, sobre crianças com a mesma patologia e doença. Portanto, este relatório é uma parte importante do trabalho que estamos a realizar para que possamos esclarecer a verdade do que se passou sobre esta matéria.

E o PS repensa de ter bloqueado a audição a Sérgia Celas depois destas novas revelações?

Nós estamos convictos de que o papel do Parlamento é um papel que tem que ser encarado no quadro daquilo que a lei determina. Nós estamos, dentro das regras que estão definidas, a escrutinar aquilo que é o trabalho do Governo e não vamos deixar que alguns partidos, aproveitando o período pré-eleitoral, queiram transformar o Parlamento num tribunal, porque não é um tribunal. Sobre esta matéria, há outros inquéritos a decorrer, um inquérito dirigido pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde e, pelos vistos, também tanto quanto foi tornado público pelo Ministério Público, e essas sim, são as instituições que têm competências, neste caso, investigatórias sobre a matéria. E, portanto, nós não vamos fazer com que o Parlamento se substitua a essas duas instituições. Pela circunstância de ser um momento político que possa interessar a alguns partidos, nós não podemos agora atirar as regras de funcionamento, que põem em causa o nosso sistema, para o lado. E portanto, estamos fiéis a este princípio. Fazemos o escrutínio político dos órgãos que têm a responsabilidade sobre esta matéria, mas deixamos a matéria da investigação, seja criminal, seja disciplinar, para os órgãos próprios, tal como está a acontecer.