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A OMS estima que, em 2030, uma em cada seis pessoas no mundo terá 60 anos ou mais, existindo atualmente cerca de 1,4 mil milhões de pessoas nesta faixa etária.
Entre 2015 e 2050, a proporção da população mundial com mais de 60 anos quase duplicará, passando de 12% para 22%.
Entidades médicas de geriatria e nutrição defendem que os adultos mais velhos devem aumentar a ingestão diária de proteína para 1,0 a 1,2 g por cada quilograma

Longevidade: sabe qual é o ingrediente invisível?

Além da prática de exercício físico, a gestão do sono e do stress, e a componente social, existe um ingrediente invisível para tornar esta combinação para a longevidade imbatível: a alimentação.

A longevidade constrói-se ao longo da vida. Garantir um envelhecimento saudável não começa aos 60 ou 70 anos: começa muito antes, nas escolhas que repetimos todos os dias. A alimentação de hoje pode ajudar-nos não apenas a viver mais anos, mas a vivê-los com mais saúde, autonomia e qualidade de vida.

Se pensarmos que envelhecer é privilégio reservado apenas a quem está vivo, rapidamente percebemos que não há outra postura a adotar que não seja a do copo meio cheio e celebrar a vida. Afinal, que bom que é podermos estar cá. Apesar disso, há quem continue a conjugar o verbo envelhecer com conformismo, como se não pudesse fazer nada para impedir a perda de capacidades e de autonomia à medida que a idade avança.

Felizmente, a ciência tem vindo a demonstrar que não é bem assim. A forma como nos alimentamos, movimentamos e cuidamos do corpo e das nossas relações pode fazer uma diferença decisiva, não apenas na esperança de vida, mas sobretudo nos anos que vivemos com qualidade, energia e independência. Envelhecer é inevitável, sim, mas envelhecer bem é uma escolha que se faz todos os dias.

A chave para um envelhecimento saudável

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“Longevidade” é o tema do segundo episódio do videocast “O Ingrediente Invisível”, um projeto desenvolvido pelo Observador em parceria com a Nestlé Portugal. Mafalda Quelhas, Medical & Scientific Affairs Manager da Nestlé Portugal, é a convidada de Maria João Simões, host da Rádio Observador, com quem falou sobre os pilares do envelhecimento saudável. A responsável destacou a importância da alimentação, do exercício físico e das relações sociais satisfatórias, revelando ainda aquela que considera ser a chave para uma vida longa e com saúde: a ingestão da quantidade adequada de proteína. Este episódio já está disponível no site do Observador e nas principais plataformas de podcast.

Viver mais e com saúde

Quem nasce hoje, em Portugal, pode esperar viver, em média, 81,75 anos, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística para o triénio 2023-2025. Uma fasquia elevada e que continua a confirmar a tendência histórica do nosso país, de crescimento quase contínuo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em 2050, existirão no planeta 2,1 mil milhões de pessoas com 60 anos ou mais, e 426 milhões com 80 ou mais.

Mas será que este prolongamento é acompanhado de qualidade de vida e saúde? É disso que trata o conceito de envelhecimento saudável, definido pela OMS como o processo de desenvolvimento e manutenção da capacidade funcional, que permite o bem-estar na idade avançada.

De facto, apesar da elevada esperança de vida na União Europeia (84 anos para as mulheres e 78,7 para os homens), o número de anos de vida saudável à nascença, em 2023, ficou-se apenas pelos 63,3 anos para as mulheres e 62,8 anos para os homens. O que significa que muito há ainda a fazer para garantir que todos estes anos são vividos com qualidade, autonomia e dinamismo.

84

Esperança média de vida das mulheres em anos (Fonte: UE)

78.7

Esperança média de vida das mulheres em anos (Fonte: UE)

63.3

Esperança média de vida saudável das mulheres em anos (Fonte: UE)

62.8

Esperança média de vida saudável dos homens em anos (Fonte: UE)

2021-2030 – Década do Envelhecimento Saudável

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Consciente do aumento progressivo de população nas faixas etárias mais avançadas e dos inúmeros desafios que a situação implica, nomeadamente, em termos de saúde, economia e segurança social, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2021-2030 como a Década do Envelhecimento Saudável. Trata-se de uma iniciativa global que reúne governos, sociedade civil, agências internacionais, academia, meios de comunicação social e setor privado, envolvendo-os em dez anos de ação colaborativa, com o objetivo de promover vidas mais longas e saudáveis.

Músculo: a chave da independência

A evidência científica disponível sobre envelhecimento saudável aponta, com clareza, um elemento de grande relevância: o músculo. Manter músculo e força ao longo da vida é um dos preditores mais robustos de envelhecimento saudável e autónomo, estando fortemente associado a mais saúde, maior independência funcional, menor risco de incapacidade, menos hospitalizações e menor mortalidade. Por exemplo, uma revisão publicada em 2024 descreve a sarcopenia (perda de músculo relacionada com a idade) como uma condição associada a maior fragilidade, quedas e fraturas, dependência funcional, hospitalização e mortalidade precoce. Como tal, os autores defendem que a preservação da massa e função muscular é um dos pilares para um envelhecimento saudável.

Na prática, estamos a falar de coisas tão simples como a capacidade de subir escadas, carregar compras, caminhar longas distâncias, viajar, brincar com os netos, ou simplesmente levantar-se de uma cadeira sem ajuda. Preservar o músculo significa preservar a liberdade de viver o dia a dia sem limitações. Por isso, investir na saúde muscular é investir diretamente na independência futura.

É que embora a perda de massa muscular relacionada com a idade seja um fenómeno biológico natural associado ao envelhecimento, resultante de alterações nos músculos, no sistema nervoso, nas hormonas e na capacidade de regeneração dos tecidos, tal não significa que não possa ser contrariado. Bem pelo contrário.

Proteína e exercício físico regular

A força e a função musculares preservam-se de forma simples, sobretudo através de exercício físico regular com treino de força, ingestão adequada de proteína e prevenção do sedentarismo.

Como refere Mafalda Quelhas no segundo episódio de “O Ingrediente Invisível”, a ciência mostra que a combinação entre ingestão adequada de proteína e prática regular de exercício físico, particularmente exercício de força, é uma das estratégias mais eficazes para preservar a massa muscular, a mobilidade e a funcionalidade ao longo do envelhecimento. Nas suas palavras, a proteína fornece os “tijolos” necessários para construir e reparar músculo; enquanto o exercício é o “cimento” que permite ao organismo utilizar esses nutrientes de forma eficiente. Separadamente são importantes, mas, juntos, tornam-se uma poderosa ferramenta para promover um envelhecimento mais saudável, ativo e independente.

2100000000

estimativa do número de pessoas com mais de 60 anos, mundialmente, em 2050 (Fonte: OMS)

426000000

estimativa do número de pessoas com mais de 80 anos, mundialmente, em 2050 (Fonte: OMS)

Mafalda Quelhas, Medical & Scientific Affairs Manager da Nestlé Portugal

Como garantir as necessidades?

Quanto às necessidades nutricionais da população sénior, a OMS estabelece como referência padrão a ingestão diária de 0,8 gramas a 0,83 gramas de proteína por quilograma de peso corporal para adultos saudáveis. Ou seja, para um idoso saudável de 70 kg, isso equivale a cerca de 56 a 58 gramas de proteína diárias. Ainda assim, algumas entidades médicas específicas das áreas de geriatria e nutrição defendem um maior consumo proteico. É o caso da Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo e do grupo de estudo PROT-AGE, que recomendam o aumento do consumo de proteína por adultos mais velhos para 1,0 a 1,2 g/kg/dia para prevenir a perda de massa muscular.

Em relação ao exercício e à prática de atividade física regular, além dos benefícios já apresentados anteriormente, é de salientar ainda outros importantes contributos, por exemplo, no controlo da pressão arterial, redução do risco de doença cardiovascular, prevenção da diabetes tipo 2, controlo do peso corporal e ainda melhoria da saúde mental.

Um roteiro nutricional para cada fase da vida

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Alinhada com o tema definido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para este ano, “Innovate today. Nourish tomorrow” (“Inovar hoje. Nutrir o amanhã”), a Nestlé criou um roteiro nutricional que traduz as diferentes fases da vida em necessidades e prioridades alimentares concretas, como reforço do seu compromisso com a literacia em nutrição e com a promoção de uma longevidade com qualidade de vida.

Mais do que procurar abrandar o envelhecimento, a Nestlé defende uma visão mais ampla: viver mais só faz verdadeiramente sentido se for possível viver melhor – com energia para viajar, mobilidade para brincar com os netos e autonomia para continuar a concretizar os projetos que dão sentido à vida. Neste caminho, a alimentação assume um papel essencial: é um cuidado diário e um investimento consistente na saúde e na qualidade de vida futura.

Um padrão alimentar saudável assenta num conjunto de princípios que devem ser mantidos ao longo de toda a vida. No entanto, as mudanças biológicas associadas à idade e ao próprio estilo de vida fazem com que algumas necessidades mereçam maior atenção em determinados momentos. A manutenção da capacidade funcional na idade avançada depende, em grande medida, das reservas e dos hábitos construídos ao longo de décadas. O roteiro que se segue não substitui essas bases comuns, apenas pretende destacar os aspetos nutricionais a que importa dar particular atenção em cada fase da vida:

  • 20-30 anos | Construção de reservas: Esta é a grande oportunidade para consolidar o pico de massa óssea e desenvolver competência muscular. Nesta idade, importa garantir ingestão adequada de cálcio, vitamina D e proteína, aliando uma alimentação rica em fruta, hortícolas, leguminosas, lacticínios e carne/peixe ao exercício físico e ao treino de força.
    30-45 anos | Proteção do metabolismo: Numa fase da vida em que o sedentarismo e o stress tendem a acentuar-se, o risco cardiometabólico pode aumentar silenciosamente. Deve privilegiar-se um padrão alimentar de base mediterrânica, nomeadamente rico em fibra, sem esquecer a gestão do stress e do sono.
  • 45-60 anos | Adaptação à transição: Marcada por alterações hormonais significativas (como a menopausa no caso das mulheres) que aceleram a perda óssea e muscular e alteram a composição corporal, nesta  etapa, é importante passar da prevenção para a manutenção ativa, fazendo por exemplo uma gestão mais cuidada do peso corporal. A ingestão adequada de proteína, gorduras insaturadas e fibra ao longo do dia é essencial, assim como uma ingestão calórica ajustada às necessidades.
  • 60-75 anos | Preservação da capacidade funcional: Nesta fase a atividade física tende a decrescer pelas mudanças da vida profissional. O músculo pode responder menos aos estímulos (resistência anabólica) e o risco de fragilidade óssea aumenta. Devem ser garantidas doses relevantes de proteína nas principais refeições, manter a hidratação e proteger a saúde cardiovascular e saúde cerebral através da diversidade alimentar e da manutenção da atividade física.
  • 75+ anos | Manutenção da autonomia e prazer: O apetite, a sensação de sede, a mastigação e até as circunstâncias sócioeconómicas tendem a alterar-se, aumentando o risco de desnutrição. Deve ser dada particular atenção à densidade nutricional das refeições, garantindo que as escolhas recaem em alimentos com elevado teor de nutrientes relativamente ao seu valor calórico. A ingestão adequada de água deve ser outra das preocupações garantindo a correta hidratação. O prazer à mesa e a convivialidade ganham, nesta etapa, uma importância redobrada.

Nunca é demasiado tarde para começar a preparar o seu envelhecimento ativo. Mesmo quando iniciado em idade avançada, o exercício físico melhora a força, a mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida, constituindo um dos pilares fundamentais do envelhecimento saudável. Da mesma forma, as escolhas alimentares diárias influenciam diretamente a capacidade de continuar ativo, autónomo e com qualidade de vida nas próximas décadas.

Cada refeição equilibrada, cada caminhada e cada sessão de exercício representam uma oportunidade para ganhar força, energia e bem-estar. É por isso que a melhor altura para começar a cuidar da saúde de amanhã é, sempre, hoje.

Além das necessidades específicas de cada idade, a Nestlé recorda que existem fios condutores que devem acompanhar todas as fases da vida, como o cuidado com a saúde digestiva e a microbiota, a importância do convívio social à mesa e a gestão do stress e do sono. Em qualquer fase da vida e de acordo com cada situação, pode ser recomendado o recurso a suplementação nutricional para colmatar um acréscimo pontual de necessidades ou uma ingestão insuficiente.

A Nestlé quer transformar a ciência da nutrição em soluções práticas e acessíveis e contribuir para uma maior literacia alimentar, porque as pequenas escolhas, quando mantidas ao longo do tempo, podem ter um impacto real na preservação da capacidade funcional e na forma como envelhecemos, mantendo a qualidade de vida.

Este artigo faz parte do projeto “O Ingrediente Invisível”, em parceria com a Nestlé Portugal, que procura explorar os fatores que moldam positivamente as empresas e a sociedade. Acompanhe aqui.

Este artigo complementa o segundo episódio de “O Ingrediente Invisível”, um videocast que resulta de uma parceria entre o Observador e a Nestlé Portugal e que se propõe analisar, todas as semanas, os aspetos que influenciam a essência das organizações. Acompanhe o projeto aqui.

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