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Olá, Maria Brás Pereira, Tomás Gorjão. Parabéns pelo vosso trabalho, antes de mais.
Olá, Mags, obrigada.
Muito obrigado. Olá, Mags.
Bem-vindos à RDP.
Obrigado pelo convite.
Como dois dos três diretores, penso que são três, e diretores e editores da Lote, são quem melhor nos pode dar a conhecer o projeto. Portanto, se calhar começava pelo início, cronologicamente. Como é que começou este projeto? Por que sentiram necessidade de criar a Lote? E já agora, por que o nome? Não sei qual de vocês está mais preparado para responder às perguntas do início. Como tudo começou.
Queres avançar tu?
Sim, se calhar. Nós conhecemo-nos no secundário e estávamos os três em Humanidades e já na altura borbulhava alguma coisa. Digo, talvez especialmente da minha parte, eu gostava muito, fantasiava muito com a ideia de ter uma revista e falava com eles muito sobre isso. E depois mais tarde, já estávamos na faculdade, foi para a volta de 2018 que decidimos realmente organizar-nos a sério e começar a preparar um projeto desta índole. E demorou mais ou menos um ano a organizar tudo, a recolher textos. Isto foi em 2018 e em 2019, em outubro, lançamos o primeiro número.
Já com o André Eusébio também.
Exatamente.
Exatamente. Nós estamos os três desde o início. Em relação ao título, nós andámos a ver, a estudar diferentes hipóteses. Houve uma altura que eu propus uma coisa um bocado passada, que era chamar o Lote, mas com dois T, que é o diminutivo de Charlotte em alemão. Seria uma espécie de personificação da revista que pudesse acumular as diferentes facetas que uma revista teria de textos de diferentes naturezas. Era uma forma de tentar aglutinar os diferentes textos que nós queríamos publicar, porque isso foi uma coisa que notámos desde o início, é que não havia propriamente uma ideia muito una em relação à revista em si. Queríamos era ter um projeto desse e publicar lá coisas.
Desculpa interromper, Tomás, só para acrescentar.
Diz.
É engraçado que esse nome, a primeira opção, Lote com dois T, seria uma espécie de pseudogesto heteronímico. Aliás, tu falavas disso.
Exatamente.
E é curioso que agora temos o inédito Pessoa, que é a grande revelação, provavelmente, deste quarto número. Só para fazer a ligação.
Sim, exatamente. É verdade, na altura era uma personificação, eu falava nisso, uma personificação heteronímica de uma revista. O que é que seria uma revista que seria uma forma simbólica de agregar diferentes elementos. Em vez de estarmos a explicar o conceito para a revista, era explicar o conceito de revista em si, para depois ter aí as suas diferentes facetas.
Mas sentiram que não havia algo deste género? Decidiram avançar ou foi mesmo porque sempre foi assim um sonho, entre aspas?
Quer dizer, nós tínhamos aquelas primeiras referências escolares, e não só, de revistas. Nomeadamente a Orpheu. A Orpheu acho que era o primeiro grande exemplo de revista literária, pelo menos para os portugueses.
Sim, exatamente.
E foi de certo uma primeira inspiração. Mas depois percebemos, com o avançar dos anos, que havia, de facto, e havia já na altura revistas literárias que acabamos por começar a seguir. Eu lembro-me da "Ateliê de Vidro", da Apócrifa, da "Cão Celeste".
A "Nerf" também, na altura eu lia mais a "Nerf", no meu caso.
Portanto, não seria um objeto absolutamente original, mas de resto, quer dizer, acaba por ser, enquanto objeto transdisciplinar, acaba por ocupar um lugar muito particular, penso eu. Mas de todo o modo, desde o início que nos inscrevemos em toda uma tradição que acabamos por ir acompanhando progressivamente à medida que o próprio projeto se foi desenvolvendo.
E eu estive a folhear as outras edições e sentem que há uma evolução para esta quarta, mesmo a nível de quantidade de ensaios e de poemas.
O primeiro salto nesse sentido foi, eu acho, a anterior, a terceira.
Da segunda para a terceira, exatamente.
Exato, porque a segunda ainda é um volume mais magrinho, com uns quatro, cinco ensaios, se não me engano, no máximo, e uns 10 poetas, estou a dizer do alto da minha cabeça, e tinha à volta de 100 páginas. E depois fizemos o número três, que já tinha, não sei, 200 e tal páginas. Já era muito grossa mesmo.
É muita gente, muitos criativos já envolvidos num só projeto. Acaba por ser uma colaboração bastante interessante e bastante abrangente.
Eu acho que acaba por ser interessante. Eu falo em mim enquanto editor, acredito que o Tomás sinta qualquer coisa de semelhante, porque como é uma revista com uma frequência de publicação anual, acaba por ser uma espécie de estado das coisas. Nós lançamos convites Há autores que são convidados e acordados entre os editores que serão convidados para o próximo número. Mas temos sempre um período de open call, o que permite que gente que nunca publicou, seja a primeira plataforma de publicação. E nesse sentido, acaba por ser uma espécie de balanço anual que nós fazemos daquilo que vai sendo feito a um nível evidentemente residual. Temos noção que não é de maneira nenhuma representativo, mas acaba por ser uma espécie de estado das coisas. O estado da escrita no país. Temos muita gente a escrever do Brasil. É em língua portuguesa. É escrita em língua portuguesa.
Acaba por ser o olhar das pessoas sobre o mundo e nesse caso é um balanço anual. Sim, faz sentido.
Exatamente.
E com esta quarta edição, obviamente cada edição tem o seu tema, e este conta com poemas e ensaios sobre pop. Qual foi a ideia para chegar a este tema? E pergunto também se ficaram satisfeitos com o resultado. Acredito que sim.
Sim, acho que o consenso entre os editores foi que o resultado foi ótimo. Ficamos muito contentes com o resultado final em termos de conteúdo, materialmente a revista também está muito boa. Foi um balanço muito positivo nessa perspectiva. Em relação à escolha do tema, eu sinto que é sempre uma coisa um bocado casual, na verdade. Estamos só a falar entre nós: "E se for isto, isto e isto?" E depois escolhemos daquilo que nos parece mais interessante. Não acho que haja um grande processo ou uma grande razão em específico para escolher cada tema. É aquilo que achamos interessante na altura.
É um pouco como os autores. É importante porque penso que seja um dos valores desse tipo de objetos, como as revistas literárias. Muitas vezes perguntam-nos qual o critério de seleção dos autores. Ora, é sempre um critério subjetivo. O fato de sermos três ajuda a diluir certos vícios pessoais de cada um de nós, que existem, certamente. Leva muitas vezes a algumas discussões acesas, mas é sempre um critério necessariamente subjetivo. Agora, isso tem que ver com uma dimensão contingente. É que este tipo de publicação, que não segue nenhuma lógica comercial ou eminentemente comercial, acaba por ter, mas que é também uma liberdade. Acaba por ter quanto aos autores e quanto aos temas. Uma coisa é certa, há sempre discussão envolvida, há sempre um processo rigoroso de revisão e de discussão dos textos, e o mesmo se passa com a escolha do tema.
Acaba também por ser. Diz, Diogo.
Eu só realçar que quando tu fizeste a pergunta era só para realçar o lado mais casual, e que é inerente, eu diria, de alguma forma, a um tipo de escolha que é puramente subjetiva entre três pessoas que deparam-se com o material e fazem uma escolha desse material. Não há uma grande razão para escolher, seja o tema, seja os autores, os textos, para além de nós gostarmos disso e isso interessa-nos.
Se o projeto se prolongar, também tem que dar para todos os temas. Portanto, se vão passar por todos os temas, a escolha acaba por também ser mais fácil de fazer a cada edição que passa. Todas as edições também têm a sua especialidade, são especiais, cada uma tem o tema, mas esta número 4 tem nela um poema inédito de Pessoa, já o mencionaram. Este é um poema ao estilo persa, e que não vem só, não é só o poema que acabam de publicar.
Não, vem com uma nota explicativa do Richard Zenith e é um rubai, que é um formato poético vindo da Pérsia. Consiste num quarteto, com exatamente quatro versos, em que o primeiro, o segundo e o quarto versos rimam. Está normalmente associado a um poeta persa, que é o Omar Khayyam, e não foi o único a escrever naquele estilo, mas ficou muito conhecido cá no Ocidente por causa de uma versão desses poemas que foi feita para inglês por um inglês chamado Fitzgerald, e foi o que tornou esse estudo de poesia muito conhecido no Ocidente. E, aliás, o grande incentivo do Pessoa para escrever os "Rubaiyat" foi a partir das versões, das traduções. São traduções muito livres por parte do Fitzgerald.
Diz, Maria, desculpa.
Desculpa, Magda, mas quero lembrar que temos imagens do manuscrito.
Exatamente.
Que surge no verso de um poema de Campos. E acho que essa dimensão imagética também é importante.
Não é um poema, mas é uma passagem, um daquilo escrito. Uma pequena narrativa, um pequeno conto, que foi publicado na altura, em 1929 Aliás, é com a ajuda da datação desse texto que conseguimos mais ou menos situar ou propor uma aproximação e datação daquele poema.
E como é que surgiu a oportunidade de publicar este poema, este conto, esta novela curta?
O que aconteceu foi: estamos em 2023, estávamos a falar sobre os textos que queríamos incluir e falou-se muito por alto da possibilidade de tentar abordar quem tivesse os pólios de quatro escritores que celebraram os seus 100 anos este ano, que é a Natália Correia, o Cesariny, o João Luis Andrade e o Mário Henrique Leiria. Falámos muito por alto nessa ideia. E a certa altura, eu estava a ler a biografia do Pessoa, publicada agora pelo Zénith, e deparei-me com algo que eu escrevi lá, que é: de facto, ainda há muitos fragmentos poéticos do Pessoa por publicar, normalmente associados a obras maiores que ele deixou incompletas, como uma peça em inglês que se chama "The Duke of Farmha", mas ele referiu que ainda havia coisas para publicar. E isso trouxe-me à baila uma certa questão, que já vinha a pensar há algum tempo, que era: realmente, o que está inédito do Pessoa? O quanto é que já foi publicado? Eu já tinha ouvido várias versões diferentes sobre isso e decidi arriscar, pensar: "bem, posso sempre perguntar ao próprio Zénith, que conhece bastante bem os pólios do Pessoa, o que é que poderá haver", e escrevi-lhe uma carta, porque eu não tinha e-mail. Escrevi uma carta para a Quetzal, que é a editora da biografia do Pessoa, e fiz-lhe essa pergunta. E ele respondeu por e-mail. Ele disse: "são fragmentos de obras maiores, que existem essencialmente, ou rascunhos de textos de ensaios, que também não estão inéditos, mas, por acaso, tenho aqui este rubaiyat que não está publicado. Se quiseres, faça uso dele". E foi isso. Depois fizemos um bocado de trabalho de pesquisa para ver se realmente estava inédito e para ver se não estaria escondido numa edição, mas de facto não. E pronto, foi em frente.
Como é que receberam essa, entre aspas, notícia de: temos aqui algo que nunca foi lido pelas pessoas?
Eu acho que é um dos interesses deste tipo de publicações. É sempre a ideia de dar a conhecer alguma coisa de novo, sendo que, inédito de Pessoa será sempre a grande sensação.
Mas acho interessante isso ter acontecido também. E vai de encontro com outro aspeto que eu acho muito interessante neste projeto da Lote, que é tendo em conta esse caráter, usando aqui uma palavra pessoa, intercessional, que já foi referido pela Maria, no que toca à transdisciplinaridade da revista. Acho que algo que também é muito interessante é o caráter, eu diria, transautoral da revista, porque nós conseguimos publicar textos de autores que já estão cá há muito tempo, que já publicam, que até já são consagrados, e no mesmo número conseguimos publicar também autores que às vezes ainda não publicaram nada e submeteram-nos pela open call e nós gostámos e queremos inserir, ou autores que começaram a publicar há pouco tempo, mas que ainda não têm uma obra feita ou ainda não têm imenso reconhecimento. Temos até autores do Brasil, inclusive. E de repente, temos aqui um número que consegue fazer isto tudo. Neste número nós temos autores que publicamos e que conhecemos através da open call, autores mais velhos, mais consagrados, que já publicaram e que já têm reconhecimento, mas pelo meio também temos um poema do Pessoa. E que traz até um caráter transtemporal, porque é de um poema que tem quase um século, até poemas que foram escritos atualmente. E acho que isto tudo cria uma dimensão muito peculiar, no que toca até à natureza deste projeto.
Era isso que eu ia dizer. Diz, Maria.
Aquela circunstância que me parece maravilhosa, que é haver autores na sua primeira publicação ou nas primeiras publicações, juntamente com Fernando Pessoa. Prende-se muito com essa ideia da memória viva. E sobretudo a tradição literária, que é qualquer coisa que está muito em desuso, a ideia de tradição, mas que a mim, particularmente, me é muito cara, acredito que ao Tomás também, ao André também será. Aquela ideia da memória como qualquer coisa de vivo, que está vivo.
Sim, exatamente.
Isso é mesmo espetacular, porque realmente eu trouxe a minha edição comigo e podemos ler logo o prefácio de Gonçalo M. Tavares, tantas vezes apontado pelos portugueses como um candidato ao prémio Nobel de Literatura. Margarida Vale de Gato, estou aqui a passar os olhos de repente. E depois nomes que à partida não nos dizem ainda nada e que depois vamos ler. Podemos até passar a gostar imenso dessa autora ou dessa autora. E vocês próprios também escrevem desde a primeira edição, seja poesia, seja o ensaio. E esta edição, perdoem, porque eu não tenho a terceira, já inclui também imagens e aqui uns trabalhos bastante interessantes de colagem. Portanto cruza muita coisa.
É, a colagem já era uma forma que está já noutros números.
Sim, pelo menos acho que desde a segunda revista que publicamos.
Desde a segunda tem um texto da Gorgona, é assim que se diz?
Exatamente.
Sim, mas até neste número também temos, de maneira semiótica, o último texto ou a última peça da revista, que é o ensaio fotográfico. Também é outro modo de usar as imagens para além da colagem. A colagem até agora tem aparecido especialmente em formato poesia, poesia que também é colagem. E aqui neste caso já temos uma colagem também, de fotografia, mas que tenta funcionar como um ensaio e já não como um poema. Portanto, também há já essa transição. Mas efetivamente, este número, o quarto, eleva. Eu acho que exponencia mesmo todas estas tendências que têm vindo a ser ensaiadas, até praticadas nos outros números da revista, e que aqui atingem um bom zênite.
Para usar a palavra do autor que tanto vos ajudou nesta edição, não é?
Exatamente. E a quem passamos um agradecimento muito carinhoso também.
E para ti, Maria, como foi subir a este patamar? O zênite às vezes também tem esse sentido de ponto alto, mesmo nas montanhas.
Claro. É sempre gratificante quando temos a oportunidade de trabalhar com autores que acabamos por seguir na faculdade, fora da faculdade, nos cafés, o que seja, cujo trabalho apreciamos e seguimos com entusiasmo. Claro que o Richard Zenith é um desses nomes, outros estão lá. É importante, sobretudo, mais do que essa ideia de subir, o que mais me deixa realmente alegre é perceber que há encontros que se fizeram a propósito desta revista. Quando, por exemplo, percebo que autores que começaram na Lote se correspondem com frequência. Não sei se algum dia estes encontros darão em grandes artigos, em grandes jornais ou em grandes publicações, em grandes editoras. Isso não sei, mas alegra-me a circunstância de perceber que há realmente toda uma rede e uma intimidade que se gera à volta deste objeto, que eu acho que é a grande mais-valia deste tipo de objeto literário. E acho que num tempo como o nosso é realmente de realçar esse efeito positivo. E surpreende-nos, como continua a surpreender.
É mesmo uma ideia bonita.
Sim, é verdade.
Até porque além de ligar autores, que depois se correspondem, ligam os autores aos leitores. Portanto, perguntava-vos também a quem é que se destina esta revista e depois onde é que a podem encontrar.
Nós nunca pensamos num destinatário. Acho que pensamos mais mesmo no próprio efeito de destinação.
Sim, exato.
Sobretudo isso. Até porque depois percebemos que há uma diversidade considerável nos leitores que vão acompanhando o projeto. Nunca sequer pensamos nisso.
Sim, numa espécie de público-alvo.
E acho que sempre fugimos desse tipo de pré-esquematização. Acho que as coisas depois podem eventualmente acabar por morrer um pouco se pensarmos obsessivamente, se entrarmos nesse tipo de planeamento, porque no final de contas não é possível sequer prever. Eu acho que é sempre essa dimensão contingente, para voltar ao início da conversa, que prevalece.
Sim, exatamente. No fundo, acho mesmo que tudo o que temos vindo a fazer segue essa contingência de que é uma escolha nossa, de algo que gostamos. E depois, em gostar, é mais como se nós fôssemos também nós próprios à descoberta, ver quem é que vai gostar também destas coisas que nós gostámos e que quisemos organizar desta maneira. Também é da nossa parte uma partida para a descoberta, eu diria.
Gostei da resposta, porque isto vem embrenhado naquele conceito de público-alvo, que vem do marketing. E, portanto, se o projeto não nasce naquela ideia de lucrar imensamente com o produto final, também não há de ter um público-alvo. É de quem apanhar.
Precisamente.
Exatamente.
O que se torna um pouco difícil quando autores ficam chateados porque não são selecionados. Mas nós não podemos ter uma resposta certa quando nos perguntam qual o critério. Aí torna-se aborrecido. Mas é assim.
É o que ficar bem na edição, quando as peças se montam, fica uma edição que vos agrada, vai acabar por ser isso.
Claro. A maior parte das vezes podemos nem perceber o porquê de escolhermos este e não aquele. Isto é, claro que argumentamos e há uma discussão em torno dos textos. Quando nos perguntam: "Por que é que gostas deste poema? Por que é que ele te comove?" Podemos psicanalisar, podemos tentar encontrar, mas isso vai ser sempre uma resposta insuficiente. Há sempre qualquer coisa que escapa. E, portanto, há uma justificação que nunca pode ser plenamente dada. Há, sim, uma conversa que pode ser aberta, e é isso que nos interessa, é continuar uma conversa, um diálogo com os leitores, com os autores, entre nós.
Exatamente.
Quanto à pergunta de onde-- diz, desculpa, Tomás.
Só por curiosidade, até poderíamos ir buscar, e isto entra plenamente nas questões levantadas pela estética kantiana, que é: o belo não é um conceito em si. O juízo estético é uma questão quase emotiva.
Tomás, agora vais começar a falar de Kant e eu vou desligar.
Foi muito bom.
Um pouquinho de filosofia nunca fez mal a ninguém.
Eu acho que a esta hora faz muito mal.
A esta hora da noite faz um pouquinho mal, mas há de certeza quem compreenda também essa visão.
Há tempo para tudo.
Há tempo para tudo. E para encontrarmos-- diz, Tomás, desculpa.
Não, é só mesmo para realçar a questão de que não há um interesse da nossa parte, um interesse nesse sentido, no sentido de querermos criar aqui um conceito ou querermos estar a impingir isto a uma quantidade das pessoas. Não, nós fazemos isto porque gostamos. Agora, porque gostamos, o que é que nos leva a gostar? E sim, é que é a origem de uma conversa com os leitores. É nesse sentido.
E os leitores que queiram ter essa conversa, onde é que arranjam ou esta edição, ou as quatro edições da Lote?
Nós temos uma, desculpa, Tomás, vai.
Sim, diz.
Não, nós temos.
Nós, essencialmente.
Agora.
Nós, essencialmente, vendemos diretamente, nós próprios ao público. Quem nos quiser abordar, pode mandar mensagem no Instagram ou no Facebook. Temos páginas lá. No Instagram, se não me engano, é mesmo revista_lote, tudo junto, e depois no Facebook é a mesma coisa.
Temos o e-mail também.
O e-mail, exatamente.
loterevista@gmail.com.
Exatamente. Estava-me a escapar, é isso mesmo. Em relação às livrarias, por enquanto ainda são poucas em que temos as quatro. Em Lisboa é a Tigre de Papel e a Snob. De resto, onde é que podem encontrar também as outras. Umas livrarias têm talvez a primeira e a segunda, outras têm a terceira. Podem encontrar na Ler Devagar, podem encontrar na Leitura, podem encontrar na Distopia. Isto só em Lisboa. No Porto, podem encontrar na Poetria, podem encontrar na Fanart também. Em breve, também teremos na Térmita e na livraria do Cinema Batalha. E depois também temos, se não me engano, em Setúbal, na Livraria Universo, temos também em Oeiras, na Gata Funho, e temos na Arquiv também em Leiria. Se não me engano, também temos na Figueira da Foz, na livraria do Miguel Carvalho.
É assim, em todo caso, se não houver exemplares nessas livrarias, os livrários estão dispostos a receber as encomendas. Portanto, à partida, não haverá qualquer problema em conseguirem o exemplar. Se não, têm sempre a hipótese de nos pedir diretamente a nós, nós fazemos chegar a casa dos leitores por correio.
Não são nada poucas as livrarias, até porque todas estas vão ter espaço para uma, em breve, quinta edição da Lote. Ainda devem estar a desenhá-la, não é? A arquitetá-la.
Sim, nós agora vamos passar por um período de reflexão, chamemos-lhe assim, acerca da Lote, perceber se a periodicidade se mantém anual. A ideia seria sempre aumentar, nunca reduzir. Mas vamos perceber quais são as possibilidades disso, e perceber se incluímos ou não outros estilos de texto, eventualmente entrevista, recensão crítica, mas nada está ainda muito certo. Estamos a passar realmente por um momento de reestruturação da revista.