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Rui Oliveira, presidente do Conselho Nacional de Juventude. Começava por lhe perguntar o que pensa sobre o regresso do serviço militar obrigatório. Não sei se é algo que o Conselho Nacional de Juventude gostava de ver ou se, pelo contrário, não apoia.

Sim, o serviço militar obrigatório, principalmente no contexto que estamos a falar, tem ligação com aquilo que hoje vemos, o cenário atual que vemos, e o Conselho Nacional de Juventude tem sido muito vocal naquilo que é o apelo a uma resolução pacífica dos conflitos. Por isso, até escalar para aquilo que estamos a falar a nível militar é sempre uma coisa que o Conselho Nacional de Juventude não vê com bons olhos. E por isso não nos parece que seja a solução. Aliás, nós entendemos que o serviço militar obrigatório, o seu término, foi um avanço no nosso modo de viver em sociedade e por isso não acreditamos que o retrocesso desse avanço seria positivo. Acreditamos que esse não é um caminho que devemos fazer e que isso seria o assumir daquilo que são outros caminhos, principalmente no campo diplomático, para a resolução dos conflitos, que não teríamos em opção, que era voltar a esta questão do serviço militar obrigatório. Nós somos, naturalmente, contra aquilo que seria esse regresso e principalmente quando algumas das questões que vemos têm a ver com questões de matéria de participação e de cidadania ativa na sociedade. Há muitas outras formas, até no nosso entender, nós temos nos pronunciado muitas vezes sobre isso. A educação nas escolas, a forma como nós participamos e promovemos a cidadania nas escolas, o associativismo, a forma como isso também acontece, é provavelmente o caminho mais interessante de isso acontecer, não o serviço militar obrigatório.

Preferem, por isso, a via do diálogo. Uma realidade é que há falta de recursos humanos nas Forças Armadas. Compreendo que também terão outras soluções para resolver este problema.

A falta de recursos humanos nas Forças Armadas é certamente uma questão que deve ter a sua preocupação, como naquilo que são serviços de garantia globais à nossa sociedade. Estamos a falar das Forças Armadas, sabemos que tipicamente os médicos e os profissionais de saúde têm esse problema, a questão dos professores têm esse problema. Aquilo que nós temos apelado e dito muitas vezes é que é preciso tornar as carreiras mais competitivas, mesmo a carreira militar é uma das carreiras que é preciso torná-las mais competitivas. E isso não é por via da obrigatoriedade das pessoas participarem naquilo que é o serviço militar obrigatório. Parece-me que aí o caminho é por quem sente essa vontade, por quem sente esse interesse e poder ter carreiras que não sejam impeditivas disso mesmo acontecer. Ou seja, estamos a falar dessas pessoas e de muitas das pessoas que experimentaram e que tiveram essa ligação, depois não têm que abandonar, porque a carreira não tem as condições para poder ser atrativa para as pessoas se manterem lá. Por isso acho que esse é um percurso que nós devemos fazer enquanto sociedade, ao invés de criar aquilo que me parece estranho, que é quase uma obrigatoriedade. Também temos vindo muito a debater sobre isto com várias pessoas, até dentro do campo militar, a discordar e até a falar muitas das vezes que depende muito da própria recomendação do campo militar, que dependeria muito daquilo que era o modelo. Mas aquilo que nós tipicamente, à primeira vista, conseguimos ver é que seria obrigatório, como a palavra diz, e por isso parece-me um bocado contra aquilo que nós quereríamos que acontecesse. Aliás, seria muito mais interessante uma via de criar carreiras competitivas, carreiras com esse chamamento.

Tem-se falado numa configuração de 10 a 12 meses de serviço militar, por exemplo, com, claro, uma componente militar. Se os jovens não se veem nesse caminho nas Forças Armadas, perguntava-lhe de que é que precisam os jovens neste momento?

Nós temos feito um percurso, quer dizer, isso seria atrasar imenso aquilo que é um percurso que nós temos feito, que é um percurso principalmente de aposta no conhecimento. Aquilo que Portugal fez com as suas gerações mais novas tem sido abrir portas a que essas pessoas acedam ao conhecimento, consigam, através do conhecimento, criar um novo valor acrescentado naquilo que é a economia. Sabemos que essa também é uma dificuldade, depois, à saída para o mercado de trabalho, disso usufruir aquilo que são salários, em manter as pessoas cá. Temos visto que essas pessoas muitas vezes acabam por sair do país, mas esse é um caminho muito importante para Portugal. Portugal tem começado a transformar aquilo que é a sua parte económica, também nessa parte da produtividade, do aumento da economia do conhecimento. Parece-me que esse é o caminho que Portugal escolheu ou tem vindo a escolher e por isso, esse outro caminho, até de adiar aquilo que são as vidas profissionais, ao mesmo caminho que vemos muitos militares e pessoas tipicamente mais velhas a defender isso, temos visto também muitos jovens a ser muito vocais, a dizer que não lhes faria sentido esse caminho e por isso parece-me que este caminho ou esta escolha não faria todo qualquer acompanhamento daquilo que hoje é uma escolha ou um caminho que temos feito com a nossa juventude. Ainda que, atenção, há pessoas que podem escolher e isso é importante que escolham, como disse, que existam condições para essas pessoas que querem escolher o campo militar possam fazer. Mas daí a ser obrigatório, principalmente quando falamos em tanto período como mencionamos, de 10 a 12 meses, são tempos absurdos e demasiado demorados. E percebendo o contexto que tivemos na Europa e mesmo noutras zonas do globo, é para nós claro e temos a prazer, mais uma vez, reforçar isso, que é nós termos apelado muitas vezes a isso, que é o caminho do diálogo, é o caminho que nós acreditamos que deve ser seguido, não o caminho da subida militar e do escalar militar.