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Contamos neste jornal com o Major-General João Vieira Borges. Obrigada por estar connosco em directo. Temos aqui um primeiro passo para o fim deste conflito ou seria sermos demasiado otimistas? Pelo menos mais dois meses é o horizonte traçado por Israel.
Muito boa tarde. Ao fim de 49 dias de guerra, eu acho que é um primeiro passo para uma paz que há de aparecer mais tarde ou mais cedo, independentemente de nós termos ouvido o primeiro-ministro e o ministro da Defesa dizerem que após estes cinco dias ou estes quatro dias, a guerra continuará com a mesma ou ainda com mais intensidade. Faz parte da narrativa israelita, uma narrativa que tem a ver fundamentalmente com o fato de associarem a pressão militar àquilo que foi a resposta do Hamas em termos da concessão dos reféns, deste cessar-fogo. Portanto, é uma interpretação que poderá não estar correta, até porque a interpretação da comunidade internacional, designadamente dos três países que tiveram maior intervenção, o Qatar, o Egito e os Estados Unidos, é de que isto sirva como referência, como dizia na sua questão inicial, para uma maior proximidade da paz. Não é esse o entendimento de Israel, em função da sua narrativa, mas poderá ser, e pelos vistos é, esse o entendimento do Hamas, com ações que inclusivamente ultrapassaram aquilo que estava previsto. Esta situação que estavam a relatar, e bem, relativamente aos 12 tailandeses, anunciada pelo primeiro-ministro tailandês, para além dos 13 que fazem parte do acordo, é uma concessão adicional do Hamas, no sentido de criar uma imagem positiva. Nesta parte, é muito importante a questão mediática, e estão a trabalhar de tal maneira que isto foi uma surpresa para nós, que estamos a acompanhar quase em direto, e é uma surpresa no sentido de criar uma imagem positiva de um grupo que é um grupo terrorista, independentemente destas e de outras ações que venham a ter lugar.
E o cessar-fogo está mesmo a ser cumprido, general João Vieira Borges?
Está a ser cumprido, até porque a pressão é muito grande. Quer a pressão dos três actores diretamente relacionados com o acordo, quer a pressão da comunidade internacional que tenha posições deliberadamente de apoio a uma ou a outra das partes. Ou seja, quer a Rússia, quer os Estados Unidos, quer a China, quer todos os países árabes ali envolvidos, quer os países muçulmanos, todos fazem uma pressão enorme no sentido de resultar. Portanto, de um lado, Irão com maior influência no Hamas, do outro lado, os Estados Unidos com maior influência sobre Israel, fazem uma pressão enorme. Israel tem depois as questões internas de pressão interna também para que, obviamente, haja cumprimento do acordo. Independentemente de um ou outro incidente que possa vir a ter lugar, eu penso que pelo menos a questão que está acordada, que foi dificílima, como dizia o primeiro-ministro do Qatar ontem, e nós compreendemos isso perfeitamente, até porque já sabemos algumas dessas histórias, das pressões que foram feitas. E portanto, toda essa pressão, quer interna em cada um dos países, quer externa, há uma unanimidade internacional no sentido de pressionar ambas as partes para pelo menos esta primeira parte do acordo dos reféns ser cumprida. Veremos se a segunda parte será por pressão militar ou será por pressão humanitária, e espero é que seja pela segunda e não pela pressão militar.