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Sensivelmente quatro meses das eleições autárquicas, pouco mais do que isso, talvez. Temos conosco a candidata do PSD à Câmara Municipal da Amadora, Susana Garcia. Bem-vinda.
Muito obrigada pelo convite.
Sem mais demoras, pergunto-lhe, Rui Rio, líder do PSD, disse recentemente que é bom que não tenha uma linguagem parecida com o Chega. Foi esta a expressão. Ainda há bem pouco tempo, também tinha dito que se a sua liberdade estivesse a ser coartada, não entraria neste projeto. Desta forma, não está aqui a condicioná-lo, o líder do PSD.
Não, o senhor presidente do PSD disse que era bom que eu não tivesse uma linguagem parecida com o Chega ou que era bom que eu não tivesse uma linguagem como aquela que eu usava no meio televisivo?
Disse ambos.
Por acaso não ouvi a primeira, ouvi a segunda. Mas eu penso que faz todo sentido. Uma linguagem parecida ao Chega, eu acho que não havia necessidade de o dizer, porque eu nunca tive uma linguagem parecida com o Chega. Em relação à outra sua questão, que era por que eu, aparentemente, de um momento para o outro, mudei aquela que era a minha posição relativamente à política. Porque o projeto que me foi apresentado e o convite que me foi feito não coartou a minha liberdade. Veja bem, eu estou a concorrer à presidência da Câmara da Amadora como independente. Isso quer dizer muito.
Não, eu quando dizia coartou é que...
Apoiada pelo PSD.
Dizia que ninguém lhe ia impor balizas, ninguém ia condicionar.
E não me impuseram nenhuma.
O facto de alguém dizer que é bom que não tenha os excessos de linguagem que tinha na televisão...
Mas isso é uma questão de sensatez, isso não é nenhuma imposição, isso decorre de critérios mínimos de sensatez. Vamos lá ver. Eu quando estou a falar com pessoas que têm a quarta classe, adapto o meu discurso às mesmas. Quando estou a falar com doutorandos, adapto o mesmo discurso aos mesmos. Quando estou a falar consigo, adapto um discurso distinto àquele quando estou a falar com crianças. Quando estou a falar num programa televisivo da informação, como fiz durante quatro anos e meio na TVI 24, adapto um discurso distinto àquele que adapto num programa que está na secção do entretenimento. Portanto, isso decorre das regras do bom senso, do meu ponto de vista. Não me sinto nada coartada. Eu acho que isso é que é muito importante eu dizer, e quem me conhece sabe bem. Eu sou uma candidata independente, apoiada pelo PSD, e em momento nenhum deste percurso, deste namoro, que não foi agora, que é um namoro que já dura desde o ano passado, me senti limitada na minha liberdade, seja essa liberdade de que dimensão se quiser pensar.
Não viu as declarações como uma ameaça de, se pisar o risco, pode ser retirado o apoio?
Não, não vi. Compreendo que possa fazer essa interpretação, acho-a muito simplista, mas compreendo.
Mas não acha estranho que as vozes que falaram sobre a sua candidatura, nomeadamente da direção do PSD, quer Rui Rio, quer José Silvano, que é secretário-geral do partido, tenham tido alguma dificuldade e até tenham usado a questão do "ah, não é uma deputada à Assembleia da República, é uma candidata à Amadora". Parece que há sempre aqui uma desvalorização da sua candidatura, ou uma tentativa de justificá-la, pelo menos.
Não, eu não senti.
Não se sente melindrada, não se sente diminuída?
Não, eu diminuída não me sinto sempre.
Estou a falar da sua candidatura, obviamente.
Sim. Também não sinto que a minha candidatura esteja diminuída. Veja bem que eu penso, com todo o respeito que os demais candidatos me merecem, não há mais nenhuma candidatura que esteja a ser propalada como a minha.
Compreendo, mas eu estava a falar sobre o PSD e sobre as declarações do Rui Rio e do José Silvano.
Agora, em relação à direção. As declarações do senhor deputado José Silvano foram também muito...
Ex-secretário-geral do partido.
Sim, foram também muito descontextualizadas. Em bom português, aquilo que ele disse foi: "Se a senhora quisesse e ambicionasse entrar para o Parlamento, teria que passar por um crivo muito mais apertado". E foram exatamente estas expressões que ele usou, um crivo mais apertado. Ora, um crivo mais apertado não é um crivo mais difícil. Não é um crivo impossível, aliás, é só um crivo mais difícil, mas difícil é para aquilo que eu fui talhada, por isso é que eu estou na Amadora.
Certo. Já teve a oportunidade até de falar sobre essa questão. Vamos avançar para não andarmos sempre à volta deste assunto.
Eu estou certa que vocês, como pessoas inteligentes que são, terão perguntas difíceis e muito mais interessantes do que aquelas que me têm sido feitas até agora.
Neste momento, se o PSD retirar seu apoio, manteria a sua candidatura?
Até o fim.
Como independente, sempre?
Até o fim. Como aliás, estou.
E acha que existe esse risco, ou pelos sinais que têm recebido, não?
Não. Olhe, eu tenho que ser mesmo muito honesta. Eu tive muito receio na primeira semana, e digo isto com a transparência com que eu gosto de gerir a minha vida. Na primeira semana, em que ainda não tinha sido cá para fora o meu nome, confesso-vos que me senti profundamente injustiçada, porque quer dizer, eu vou dar se calhar um paralelismo um pouco naïf, mas tive um homem que me cortejou durante meses e meses a fio, e este homem é o PSD. Tive muitos outros pretendentes, mas muitos, todos da direita, menos um só partido, e um partido que nem sequer é de direita.
Que é qual? Já disse isso várias vezes em entrevistas.
E eu tenho assumido sempre este pressuposto. Vou lhe abrir uma exceção que não abri às outras pessoas. E faço pelo respeito que tenho por este órgão de comunicação social e também por vocês. Não falei dos outros partidos todos porque acho que não o devo fazer, a não ser quando algum der dois passos à frente. Falei do Chega, porque o líder do Chega assumiu com a frontalidade que lhe é característica e, portanto, eu posso falar sobre isso. O estarmos a pôr cá para fora conversas e convites que são feitos em privado, para mim, é de uma deselegância inqualificável. Vou lhe dizer isto A si, porque também tenho a autorização deste mesmo partido para eu dizer. Eu fui contactada há muito tempo por um partido que eu nunca imaginei que pudesse ter interesse em mim. Era o partido do Mário Pinto, que neste momento tem à frente o meu ilustre colega Bruno Fialho. E para ser franca, há múltiplas coisas com as quais eu até me identifico em relação a esse partido e também à coragem dos dirigentes sucessivos que o mesmo foi tendo. E portanto, foi esse o partido, que não é conotado ainda, não sei o que pode acontecer no futuro, com o espectro da direita. Indo ainda de encontro àquilo que eu estava a dizer. Em determinado momento, cedo à pretensão desta pessoa na petição de casamento que foi feita. E eis quando se não, o mesmo vai falar com a mãe e a mãe se calhar diz: "Não é a candidata que esperava."
Quem era a mãe?
Desta mãe? Não sei, não tenho o rosto.
É porque é público que houve alguma hesitação na direção do PSD em relação a si.
É público que houve essa hesitação, eu não sei é quem são essas pessoas que hesitaram e portanto, seria injusto eu estar a partir do pressuposto que sei quem são e entregar-lhe aqui os nomes. Não o faria jamais. Se soubesse, dir-lhe-ia também com a mesma transparência que me caracteriza. E portanto, eu senti-me nesse impasse que houve, eu senti-me, confesso-lhe, injustiçada. Pois que então, tanto tempo que eu estive a ser cortejada pelos outros, escolho o único que poderia ser aquele em quem eu me revejo. E depois temos uma circunstância dessas, mas depois também apercebi-me de uma coisa. Na realidade, não era tanto a direção que estava a vacilar em relação a mim. E digo-lhe isto com frontalidade, porque sei. Porque depois fui contactada por diversas pessoas que me disseram: "Estamos aqui, estamos consigo, mas isto tem um timing." Agora, o meu timing, o vosso timing, não é igual ao timing desta mesma direção. Aliás, para esse efeito, nenhuma direção de nenhum outro partido político. Há uma forma correta de fazer as coisas. Eu gostava que fosse mais célere, vocês gostavam que fosse mais célere, mas esta é a questão, e eu tenho que aprender. Eu estou a entrar num jogo em que não sou eu que vou fazer as regras, e isso é algo que é muito importante as pessoas perceberem. Eu aceitei entrar neste jogo e vou ganhá-lo e vou jogá-lo com as regras desse jogo, não as vou desvirtuar.
Disse sempre que teve ou teve e tem uma grande afinidade com o PSD, embora seja candidata independente. Em 2019, numa entrevista à Rui Unas, no podcast que o Rui Unas tem, disse que PS e PSD, sinceramente, eram a mesma coisa, vira o disco e toca o mesmo. Mudou de opinião?
Disse até mais.
Até disse mais.
Disse mais. Não mudei de opinião, de todo. Até escrevi sobre isso. Até escrevi no próprio Observador, que aliás agradeço a oportunidade, porque é uma forma de eu me defender de todos estes ultrajes que são cometidos contra mim. E já agora também contra o PSD. Eu disse que eram faces distintas da mesma moeda. E são. É minha convicção que o panorama político português está bipolarizado nestes dois grandes partidos, PS e PSD. E quando há uma falência do discurso destes partidos para o eleitorado, e para esse efeito acontece em Portugal o que acontece nos outros países que infelizmente nós vamos ouvindo as notícias e nos vamos confrontando com essas realidades perigosas. Quando há uma falência do discurso para o eleitorado, há um divórcio deste em relação a estes partidos centrais que existem em todos os países.
E na altura, pelas suas palavras, depreendo que estivesse divorciada do PSD.
Não, não.
Ou aproximou-se entretanto?
Não, nunca estive divorciada, mas onde é que está o divórcio? Estou a reconhecer na altura o que estou a reconhecer agora. São faces distintas da mesma moeda. Atenção que a cara não é a mesma coisa que a coroa.
Sim, mas também disse, abre aspas: "Sinceramente, eram a mesma coisa, vira o disco e toca o mesmo." Portanto, presumo que haja semelhança ou na altura achasse que havia.
Ouça, não. Vamos lá ver. São partidos que se encontram num eixo de governação similar, que nada tem que ver com os eixos polarizados que pululam agora por aí na nossa democracia. Que aliás, não é por agora. Um dos partidos em causa já pulula por aí há 20 anos. Estou a falar do Bloco de Esquerda.
Já lá vamos.
Pois. Esses partidos oportunistas que encontraram nas brechas dos partidos do eixo da governação um coio onde pululam e onde graçam a unidade nacional, são uma demonstração da falência do partido PSD e do partido PS. Ponto. Essa é a minha convicção.
Só para terminarmos este capítulo, a sua candidatura encara pelo menos como uma forma de inverter essa falência que diz que o PSD atravessa? É assim que a vê?
Sim, mas atenção, não meta em mim esse mérito, porque a mim nunca me passou pela cabeça. Esse mérito cabe às pessoas do PSD, como coube a outras tantas de outros partidos que me contactaram, em ter percebido que era necessário uma pedrada no charco, em ter percebido que ou nós mudamos a nossa direção aqui e ali, ou então estamos a abrir porta a uma maior representatividade de outros partidos extremistas que estão às portas da nossa democracia. E portanto, encarou-se nessa mudança de paradigma, que eu aliás saúdo, e penso que todos nós devemos saudar, a minha candidatura. Portanto, não fui eu que acordei um dia e pensei: "Eu vou ser a solução, a panaceia para os problemas do PSD."
Já teve uma repercussão nacional. Aliás, o próprio primeiro-ministro referiu-se a si numa entrevista como a senhora do Chega. Sente que está a ter uma dimensão nacional no debate?
Era um ataque ao líder do PSD, isso quer dizer?
Não, mas a questão é essa. Deixe-me só dizer-lhe isto, quando diz que se referiu a mim, está a dizer muito bem, toda a gente percebeu que era a mim, muito embora o senhor primeiro-ministro, de uma forma esquiva, que lhe é característica, não tivesse tido a frontalidade e a verticalidade, que eu acho que deve existir a qualquer estadista, a dizer: "Aquela senhora com aquele nome que veio do Chega", que, como sabe, aliás, é falso, é uma mentira escandalosa. Mas também penso que não é nada a que os portugueses não estejam acostumados vindo do senhor primeiro-ministro António Costa e, já agora, também do PS.
Mudando ligeiramente de tema, mas sem sair do tema, eu vou ler esta frase, certamente deverá reconhecê-la, que é: "Portugal não é um país racista, há episódios de racismo no país". Sabe quem é que disse esta frase?
Sei, fui eu.
A frase é de André Ventura, a sua é muito parecida, que é: "Não somos um país racista, Portugal é um país com racistas".
Olhe, e sabe também quem é que diz essas frases? Todas as pessoas com o mínimo discernimento e com a mínima honestidade intelectual, se ir à rua e perguntar a 100. Se perguntar a 100 portugueses indiscriminadamente na rua, eu dir-lhe-ia que pelo menos 90%, senão mais, estou a ser generosa, irão dizer exatamente isso. Irão dizer que Portugal não é um país racista, Portugal é um país como tantas outras democracias que existem no mundo, que têm incidentes racistas e pessoas racistas. O racismo é um mal moral e obviamente que nós não somos perfeitos. Nós temos defeitos e esses defeitos têm que ser combatidos. E o racismo é um daqueles que nós temos que começar logo em tenra idade. O racismo vem da ignorância. E, portanto, nós temos que começar a dar instrumentos às crianças desde muito cedo para perceber que esse mal moral existe, que é injusto, é pernicioso e não tem fundamento.
O próprio Chega chegou a fazer manifestações que tinham esse lema, "Portugal não é um país racista", e já repetiu isso várias vezes.
Eu, apesar, não sabia que eles tinham feito manifestações. Eu confesso-lhe que eu não sigo muito o partido Chega. É uma falha minha, penitencio-me profundamente.
Mas essa coincidência de opiniões não a deixa desconfortável? Pensar o mesmo que o...
Não. Eu, aliás, disse na entrevista que dei, que já vi que ouviu, paciência a sua, por me ter ouvido tanto tempo. Eu vejo propostas muito positivas em diversos partidos políticos. Diz-me que a frase é do Chega. Eu já vi frases do PAN que eu subscrevia sem pestanejar. Já ouvi frases do PCP que não hesitava em aplicar.
Consegue dar um exemplo ou não? De alguma dessas.
Vou-lhe já dizer. Confesso, talvez seja por ter da parte do meu pai um tio que é comunista até à sétima casa, passe a expressão popular. E quando eu era muito pequenina, raptava-me para pôr na cadeira dele, a única em que ele se podia sentar, e eu a ouvir diversos discursos de estadistas comunistas. E uma das coisas que eu sou obrigada a reconhecer é que no poder local, o Partido Comunista tem efetivamente muito trabalho positivo feito e eu seria uma cretina intelectual, e quem quer que contrarie isto é um cretino intelectual, não reconhecer esse mérito de trabalho.
Menos na Amadora, claro.
Menos na Amadora. Mas sabe que na Amadora não é só o PCP. A Amadora é uma tragédia. São quatro décadas. É a sua vida, é a minha vida, não, você ainda é muito jovem, mas é a minha. São quatro décadas de políticas de esquerda. Primeiro o PCP, como disse e bem, e 24 anos de Partido Socialista. Nós estamos a falar do concelho mais central da área metropolitana toda de Lisboa. Qual é o pior?
Teremos oportunidade de falar sobre a Amadora. Estamos só a...
Peço desculpa, mas é que eu tenho a Amadora tanto na minha cabeça que eu vou tentar desviar. Perdoe-me, todas as perguntas que fizerem, eu vou tentar desviar já para aquilo que me interessa, que é a Amadora.
E queremos muito saber também o que pensa para o concelho em si e iremos a essa parte.
Ótimo, muito obrigada.
Deixe-me só, para terminar aqui esta questão, algo que escreveu também num artigo no Observador, que era geneticamente antirracista, queríamos só compreender o que é que...
Que é uma coisa que me suscitou particular curiosidade, foi as pessoas depois de lerem aquilo, e está em português, porque eu poderia tê-lo escrito em chinês também, mas acho que as pessoas continuariam a não perceber. Eu escrevi em português e antes de ter essa palavra, geneticamente antirracista, está localizada precisamente na última linha desse parágrafo, que são cinco linhas. Eu expliquei antes disso qual é que era o meu legado genético. Portanto, quando eu digo que sou geneticamente antirracista, estou a dizer que é porque a minha mãe é mulata, a minha avó é preta. E as pessoas dizem-me assim: "Ela pode ser racista, porque o racismo". Eu dei uma entrevista há pouco tempo, muito corajosa, do Manuel Luís Goucha, na TVI, em que eu teci determinadas considerações e as pessoas disseram: "Mas como é que ela pode dizer que sabe o que é o racismo, se quem sofreu o racismo foram os familiares?" Você acha que eu posso estar numa fila e ver a minha mãe ser separada de mim na fila? Você acha que alguém decente pode achar que eu não sinto na minha carne aquilo que a minha mãe sentiu? São crápulas. Quem acha que eu não sinto em mim aquilo que sentiram os meus, os meus primos, o meu irmão, a minha mãe, os meus, então desculpe. São pessoas tão desonestas intelectualmente que eu recuso-me a discutir com elas. Eu aceito divergência de opiniões, não aceito desonestidades intelectuais.
Eu acho que a questão era mais relacionada até com o termo genético, mas não nos vamos perder aqui, ser essa ligação afetiva e familiar, naturalmente, que lhe traz uma experiência e traz uma ligação até afetiva, que lhe permite ter essa relação. A questão era mais geneticamente, porque não é isso que define se a pessoa é racista ou não, não é o código genético. E acho que era mais essa a dúvida.
Eu penso que as pessoas perceberam o que eu quis dizer. Eu nasci em Moçambique e vou lembrar-vos Mia Couto Que é um dos maiores escritores da minha pátria. Nós temos a mania em Moçambique de inventarmos palavras, que vocês todos nascidos na metrópole compreendem. Metrópole, agora estou a usar a expressão. Compreendem. E no fundo a comunicação é isso. Eu no meu processo de comunicação quero que você me compreenda. Não quero exibir as minhas palavras, não quero esconder-me. E portanto, eu usei a expressão, que voltaria a usar e vou usar sempre, que aqui não se usa, mas que nos Estados Unidos, como sabe, se usa, "geneticamente antirracista". E toda a gente percebeu o que eu quis dizer.
Falemos então de outra questão controversa.
Ainda não.
Vou-lhe ler uma ideia para perceber o que pensa sobre ela. "Entende-se por castração química a forma temporária de castração suportada pela indução de medicamentos hormonais e medicamentos inibidores da libido, aplicada em estabelecimento médico devidamente autorizado e credenciado para o efeito." Concorda com esta ideia genérica?
Na íntegra. Até sei de onde é que foi buscá-la.
De onde é que foi buscá-la.
Está a citar o doutor Afonso Albuquerque.
Eu por acaso estou a citar a proposta do Chega nessa passagem, na íntegra.
Pronto.
Por isso é que eu lhe perguntava, o que a distingue, de facto, do Chega nesta matéria? É que ainda não foi claro.
Eu já tentei explicar. Já disse a alguns colegas seus, que decidiram foi cortar essa parte da entrevista porque não era importante. E o objetivo é continuarem a fazer uma colagem, um partido que eu já declinei tantas vezes. Não li o projeto do Chega, penitencio-me sobre isso, mas de facto não tenho tempo para tanto. Ouvi o que as pessoas foram dizendo. Ouvi o que os jornalistas foram escrevendo. Tomando por verdadeiro aquilo que escrevem os jornalistas, e portanto, com essa ressalva, eu creio que o mais importante que me divorcia dessa visão é que eu vejo que as pessoas encaram a castração química, deixe-me só fazer aqui uma ressalva. Eu uso a expressão castração química tal como a comunidade científica usa, que é para o povo entender. Mais uma vez, a comunicação é para as pessoas entenderem, porque a palavra castração não quer dizer o que na realidade o tratamento defende, uma terapia hormonal, de controle da libido. Portanto, é por isso que eu estou a usar a palavra castração. E isso, apesar de ser usado mundialmente, de facto tem o estigma das pessoas que não têm conhecimento científico pensarem que eu estou a falar de alguma ablação que está inerente à palavra castração. Feita esta ressalva.
Que, em rigor, deixe-me só interrompê-la, chegou a admitir pelo menos a castração física, enquanto hipótese. Numa entrevista ao Expresso, também recente.
Sim, uma entrevista ao Expresso não me interessa nada, porque essa entrevista foi completamente distorcida e eu tenho a gravação. Mas isso eu já o disse até publicamente noutras plataformas. O que a mim não me repugna na sua pergunta, não é a castração física, não é isso. O que eu disse, e volto a repetir, o que não me repugna é o respeito pela soberania do povo. É que eu de facto sou uma democrata. Há muitos que são democratas só quando o povo diz algo que eles defendem. Eu não. Se o povo, e foi isso que eu disse, se o povo, num contexto constitucional distinto daquele em que nós nos encontramos, numa proposta referendária, viesse a determinar que queria a aplicação da castração física, desculpe, eu respeito o povo. Eu sou assim, estou estruturada desta forma, mesmo que eu não defenda a mesma possibilidade em diversas outras coisas. Espero que isso nunca venha a acontecer em Portugal. Era um retrocesso civilizacional. Esse sim, é que é um retrocesso civilizacional, não a castração, que é usada na Dinamarca. Alguém honesto pode-me dizer que nós estamos civilizacionalmente acima da Dinamarca ou do Canadá? Com honestidade, estamos? Não estamos. Nós não somos mais do que a Alemanha. Nós não somos mais do que o Canadá, nós não somos mais do que a Nova Zelândia. Poderíamos dizer que somos mais do que a Coreia do Sul? Eu acho que sim. Poderíamos dizer que somos mais do que a Rússia? Eu também acho que sim, somos mais democratas.
E faz essa ressalva várias vezes, que são países mais civilizados e outros menos. Depende aí.
Não, desculpe. Eu nunca digo que são mais civilizados do que Portugal. Por favor, peço-lhe a gentileza.
Ou que têm mais avanços civilizacionais.
Não, eu peço-lhe é que respeitemos, que não estão, e digo isto com frequência, porque eu não gosto de pôr a minha pátria abaixo da pátria de ninguém. Tratamo-los como iguais. Nós não estamos acima deles, mas seguramente que eles não estão abaixo de nós.
Muito bem, eu só lhe ia dizer que-
Mas deixe-me só, não quero fugir à pergunta que foi feita pelo seu colega, que acho que é importante.
Com certeza. É só porque estamos a terminar a primeira parte e precisava depois voltar à segunda e podermos reforçar a tabela.
Eu vou tentar apressar. Peço desculpa, às vezes perco-me nos raciocínios, mas isto é importante. As pessoas normalmente quando falam da castração química, pensam nela como uma pena, pensam nela como um castigo, quase numa visão judaico-cristã. Estão enganados. Não percebem que quem inventou isso foram médicos psiquiatras cientistas. E o que está por trás disso é o resgate do indivíduo. E é importante compreendermos que, para mim, meter um pedófilo na cadeia é profundamente injusto. Você está a meter uma pessoa na cadeia, não está a dar mecanismos de ressocialização, nem instrumentos para voltar a reintegrar-se no seio social. Eu quero puni-lo pelo ato que ele fez, porque eu sei que é muito difícil ele lutar contra esse impulso que ele tem. Ele não escolheu ter uma parafilia, ele não escolheu ser um doente mental, mas escolheu aquele ato e tem que ser punido pelo ato, mas eu quero resgatá-lo para a sociedade. Os cientistas inventaram isto para conseguir permitir que esta pessoa continuasse a florescer para a sociedade. Sabe quantos cientistas são pedófilos? Quantos se ofereceram para fazer este tratamento, para não ter que lutar com este fantasma? É uma luta hercúlea esta. Eu estou a dar uma forma destas pessoas continuarem a ser úteis na sociedade, como fazemos com os bipolares. Portanto, não há aqui uma visão judaico-cristã punitiva, apenas. Há aqui um resgate. Eu quero que estas pessoas consigam controlar-se, porque sei que no demais são muito úteis. E essa pedra de toque faz de mim mais humanista, e sem soberbas, do que os outros que acham que é só uma punição. E isso distancia-me do Chega.
Com essa ideia de distanciamento do Chega, chegamos ao fim da primeira parte desta entrevista. Regressamos em breve para a segunda parte, só para um compromisso publicitário. Voltamos à segunda parte da entrevista com a candidata do PSD à Amadora, Susana Garcia. Tínhamos terminado com o Chega. Vamos agora voltar ao tema para depois podermos seguir em frente para o tema que quer falar.
E eu vou ter que ter isto. Eu vou passar a cobrar uma taxa por cada vez que me falam e que me tentam fazer perguntas do Chega. Estamos a fazer aqui publicidade e propaganda.
É um método de financiamento.
Olhe, preciso para a Amadora.
Não sei se o tribunal constitucional irá permitir. Mas queria lhe perguntar. Disse que queria exterminar o Chega. Com que propostas extremas? Eu sei que disse há pouco, na primeira parte da entrevista, que não segue muito, não é?
Não.
Mas quais são as propostas que lhe fazem mais confusão e que levam a ter uma palavra tão forte também relativamente ao Chega? Eu sei que começou por falar, nessa entrevista que falava há pouco ao Manuel Luís Goucha, do Bloco de Esquerda, e depois é que disse o Chega, quando questionada.
Claro, porque o Bloco de Esquerda, que está no nosso cenário democrático há 20 anos, é aquele que já tem criado múltiplas metástases à sociedade democrática portuguesa. O Chega só agora chegou. Passo a redundância. Portanto, os efeitos nefastos do Chega são menores do que os efeitos nefastos do Bloco de Esquerda. Neste momento, deem-lhe espaço. Eu não sei se é verdade, porque aquilo que fui lendo, propalado por alguns órgãos de comunicação social, que de vez em quando leio, e por acaso até este assim um bocado na diagonal, não é o vosso caso. Fiquei com a ideia que havia propostas de pena de morte e propostas de prisão perpétua. Oiça, claro que não. Por exemplo, está-me a fazer uma pergunta direta, eu estou a lhe dar uma resposta direta. Não, eu não preconizo a pena de morte. Sabe por quê? Porque o sistema judicial, penal, civilizado, é humanista. E quando nós aplicamos a pena, temos dois objetivos fundamentais. Castigar o indivíduo, sim. Impedir que outros também o façam, mas nesse castigo que fazemos do indivíduo, queremos resgatá-lo. Se eu aplico a pena de morte, qual é a possibilidade que eu estou a dar ao indivíduo de interiorizar o desvalor da conduta que ele fez a alguém ou a alguma coisa? Eu acredito, mesmo, e já disse isto uma vez, que nós até ao último suspiro somos resgatáveis.
Já percebemos.
E o mesmo para a prisão perpétua. Que eu fico perplexa, porque há muitos comentadores por aí que pululam exatamente na mesma cadeira em que eu estive sentada, que preconizam a prisão perpétua. Ninguém cai em cima deles. Eu faço ideia o que fariam se fosse eu a preconizar a prisão perpétua. Mas por que não caem em cima deles? A prisão perpétua é exatamente a mesma coisa do que a pena de morte. Oiça, eu preferia que me retirassem a vida do que me retirassem a liberdade. Viver sem liberdade não é viver.
E se essa questão fosse referendada, teria de aceitar a vontade democrática.
Mais uma vez, se o povo português soberanamente o determinasse, eu respeitaria a vontade do povo. E essa é a diferença que faz de mim uma democrata em relação àquele partido de que falou há bocado, que eu não quero dar mais tempo de antena porque não merece, mas que é um partido extremista, de esquerda e que é uma muleta vergonhosa do PS.
Mesmo assim, se pudesse hoje não utilizar a palavra extermínio, não teria utilizado?
Não, não seria eu. Extermínio. Aliás, como sabe, eu escrevi para que dúvidas não existissem.
O Rui Rio ficou bastante incomodado em relação ao uso dessa palavra. Teve de a explicar em entrevista ao Vítor Gonçalves.
Percebi que muitas pessoas estão pouco habituadas a usar as palavras todas disponíveis na língua portuguesa.
Incluindo Rui Rio.
Não. O Rui Rio, coitado, foi confrontado com a pressão a sair de um determinado local.
Não, foi a entrevista ao Vítor Gonçalves na SIC.
Sim, isso depois. Mas foi confrontado ainda sem ter visto as minhas declarações. E o que ele tentou fazer, de uma forma muito didática, foi ensinar as pessoas lá em casa que a forma como eu usei a expressão só poderia ter um entendimento que era extermínio eleitoral. O Bloco de Esquerda não é uma pessoa. O Bloco de Esquerda é um partido político. E portanto, eu não poderia estar a falar de pessoas, estou a falar de um partido político. E que eu saiba, os partidos políticos só se exterminam nas eleições. E portanto, foi um exercício, que aliás, louvo, muito paciente, paciência essa que eu confesso-vos, não teria, tentar explicar às pessoas aquilo que era uma evidência.
Entrando aqui na questão de Amadora.
Eu respondi à sua pergunta, já não me lembro.
Sim, perfeitamente.
Eu vou deixar-lhe uma pergunta que respondeu. Muito obrigada.
Mais de estratégia política. Disse que admitia fazer coligações com todos os partidos, nunca com o Bloco.
Não.
Faria com o Bloco?
Não. Não faria jamais com o Bloco.
Pós-eleitoral. Pós-eleitoral.
Sim, pronto, OK. Porque eu também disse que não faria nunca com o Chega.
Pós-eleitoral. Pós-eleitoral. No entanto, equipara-os em relação aos extremos, são dois extremos que quer exterminar. Por que o extremo do Chega é mais coligável que o extremo do Bloco?
Mas quem é que disse que era coligável?
Então brigavam num executivo camarário, pós.
Isso é um desconhecimento das regras.
Se precisar de uma maioria de vereadores, precisa de...
Mas vocês acham mesmo? Peço desculpa, as pessoas que estão a ouvir.
Vai dizer que o Chega não vai eleger, portanto...
Por amor de Deus, convenhamos. Acha mesmo que o Chega vai ter a hipótese de eleger pessoas na Amadora? Perdão, vai ter hipótese de ter votos na Amadora? Acha? Com a minha candidatura? Para quê? Por quê?
Mas há um José Dias, que é presidente do sindicato. José Dias, que é vice-presidente.
Espere, vou lhe só pedir um favor.
Um candidato que é José Dias?
Sim.
Não, não foi um com o partido.
Pronto. E vou lhe dizer por quê. Porque é um elemento que pertence às forças e serviços de segurança, não é um operacional, mas eu gosto sempre de tratar estas pessoas que são responsáveis pela nossa paz, ordem e tranquilidade pública, com o devido respeito.
É presidente do sindicato do pessoal técnico da PSP.
Pronto.
Não ficamos por artigo.
Ele ainda é, ainda não desistiu? Não sei.
Creio que não, mas é alguém com o conhecimento a nível da área das polícias e que também é uma das que defende. Isso não seria razão suficiente para ter esses votos que diz que não vai ter?
Vou ter os votos dele, claro que vou.
Não, ele próprio não merece esses votos? Ou pelo menos esse benefício da dúvida de que poderá ter alguma votação, mesmo com uma candidata.
Eu acho que todos os candidatos poderão merecer votos. Agora, o eleitorado português é um eleitorado muito inteligente, ao contrário daquilo que as pessoas possam pensar. E portanto, eles fazem este raciocínio: se eu quero pôr termo a 40 anos de governação autárquica de esquerda, eu tenho que inteligentemente votar na única candidata que consegue erradicar por completo esse cancro que tem sido a governação de esquerda na Amadora. E portanto, não estou com isto a querer parecer arrogante, mas acho que a única hipótese sou eu.
Cova da Moura. Tem sido um tema que tem falado também ao longo desta pré-campanha eleitoral.
Que nem sei por quê, porque há mais bairros sociais, mas as pessoas gostam sempre de falar da Cova da Moura. Vamos a isso.
Vou usar uma frase que disse, creio que em entrevista à Visão: "A Cova da Moura não precisa de ser toda erradicada."
Pois não.
Tem uma parte que precisa de ser erradicada. Eu pergunto-lhe: qual parte, exatamente?
Eu digo-lhe, se você entrar na Cova da Moura, mais acima, vou lhe já dizer, há lá moradias com piscinas, muito melhores do que aquelas em que eu vivo em Cascais.
Portanto, essa parte, presumo que não vai erradicar.
Não, nem faz sentido nenhum. O problema da Cova da Moura é o mesmo problema de todos outros bairros de lata, bairros degradados, que existem na Amadora. A Amadora tem cerca de cinco mil a seis mil barracas. A Amadora está localizada a menos de 10 km da Assembleia da República. Eu acho vergonhoso que num Estado europeu, numa democracia como Portugal, que neste momento tem a presidência da União Europeia, existam pessoas, cinco mil a seis mil barracas, portanto, pessoas que vivem em condições infrahumanas.
E qual é o plano que tem? Pergunto-lhe mesmo concretamente o que é que pretende fazer.
Nós vamos requalificar aquelas habitações que já estão com parâmetros razoavelmente aceitáveis para um padrão mínimo de dignidade humana. Eu tenho que olhar para aquilo e pensar: "Eu também vivia aqui". Qualquer pessoa também vivia aqui.
Portanto, requalificação e...
Requalificação urbana. E as outras, erradicação. Disseram-me: "Não use a palavra erradicação". E eu respondi: "Mas por quê?"
Quer erradicar habitações. Já disse também que queria manter o tecido social. Ou seja, não tem como plano separar famílias.
Não, não pode.
Certo.
Isso é uma visão. Oiça, se nós queremos fazer da Amadora uma força...
Curiosamente, é uma crítica que fazem a Rui Rio em relação à Torre do Aleixo, no Porto.
A governação do Rui Rio no Porto, confesso-lhe, sei que tem que ter sido muito boa, porque senão não era eleito com maioria tantas vezes.
Claro, mas podia falar sobre o seu plano. Quanto é que custa, como é que vai ser feito?
Voltando à Cova da Moura e a todas as outras barracas que existem na Cova da Moura. Quem acha que estes realojamentos que têm sido feitos a conta-gotas na Amadora, estão a ser feitos, não percebe nada das valências daquilo que é um melting pot. O capital mais importante da Amadora é o capital humano, e é esse que tem sido desvirtualizado. E eu não quero deixar ninguém de fora. Eu não posso tirar pessoas de uma barraca para meter num bairrozinho social em que as pessoas quando passam por ali tentam virar e não olhar.
Precisamente, mas qual é o plano? Pergunto-lhe o que é que vai construir edificado.
Vamos construir novas habitações.
Naquele mesmo espaço?
Não. Naquele mesmo espaço, algumas, poucas. Outras, no tecido social onde eu vou viver.
Ok. E quanto é que custa esse investimento?
Nós estamos à espera, neste momento, de uma orçamentação de três dos grandes projetos que nós temos. A Supa Esquadra, já tínhamos uma orçamentação há cerca de duas semanas, que vai ter que ser alterada, porque tivemos que fazer uma alteração na parte de baixo, onde eu quero que existam também unidades residenciais para as nossas forças e serviços de segurança e onde eles mesmos possam fazer as suas respectivas refeições. Portanto, isto vai alterar o orçamento que estava inicialmente previsto. Estou à espera da orçamentação da construção de unidades habitacionais com padrões que eu considero que têm que ser superiores àqueles que têm sido usados e, portanto, por isso estou à espera da orçamentação ser apresentada. O meu programa vai ser apresentado no espaço de 15 dias, 20 dias, e está só à espera disso, e ainda uma outra história, uma outra questão Estou à espera da orçamentação de todos os centros de saúde que pretendo requalificar e outros que pretendo construir. Como sabe, há pouco tempo fui confrontada com um programa do "Polígrafo", em que determinada pessoa dizia que era falso quando eu disse que o Hospital Amadora-Sintra serve 600 mil pessoas. Que falsidade enorme, porque afinal o Hospital Amadora-Sintra serve 581.333. Penitencio-me profundamente por essa clivagem que há entre os 581 e os 600 mil. Só que quem fez isso, quem disse isso, também não sabe do que está a falar. Eu sei e vou lhe explicar por quê. Porque há uma população flutuante que não aparece nos números, é aquilo a que nós chamamos os imigrantes ilegais, e que são seguramente, garanto-lhe, mais do que 10 mil em Sintra e mais do que 10 mil na Amadora.
Há um problema de imigração ilegal, considera?
Há um problema de imigração ilegal.
O que é que vai fazer para isso?
Deixe-me terminar este raciocínio e já vou falar da outra questão. Ainda um outro problema na Amadora, governados que estão pelo socialismo e seguindo o adágio do governo socialista, a mentira é dita tantas vezes e de forma tão escandalosa que as pessoas levam-nas como verdade. Na Amadora existem casos, e eu sei, um deles tive conhecimento há pouco tempo e estou a fazer a compilação deles mesmos, existem muitas pessoas que não têm médico de família. Sabe por que não têm médico de família? Porque quando chegam ao local e o peticionam, dizem que elas não vivem na Amadora, vivem no estrangeiro. Isto aconteceu há pouco tempo com uma colega minha, inclusive, que felizmente a utente tem 92 anos, que é a senhora sua mãe, e a minha colega conseguiu mover mundos e fundos. Mas há muitas pessoas que não têm estas, vou usar a expressão popular, costas quentes, alguém com o conhecimento para ir para a frente, e portanto desde que lhes sejam prestados serviços de saúde, eles não fazem muito barulho. Mas isto é escandaloso. Esta pessoa de que eu estou aqui a falar sempre viveu a vida toda na Amadora e o único sítio em que ela esteve fora de país foi em Badajoz. Portanto, isto é o mesmo que aconteceu há uns tempos atrás, em que o mesmo Polígrafo, nós víamos no portal de saúde da Amadora a aquisição de múltiplos médicos e afinal depois verificamos que só tinham sido adquiridos mais seis médicos para 182.984 habitantes, o que é escandaloso.
E sobre a questão da imigração ilegal que diz ser um problema na Amadora, o que é que pretende fazer?
Vou ter que, e nesta matéria infelizmente, vou ter que articular políticas com o governo central, porque não tenho suficientes instrumentos no modelo local.
Naturalmente, mas terá um plano de resposta a nível autárquico.
Pois tenho, mas tem que passar por eles. É o único impedimento que eu tenho. É mesmo o único impedimento que eu tenho, porque todos os outros eu consigo tratar sozinha. A construção daquilo que eu pretendo, há bocado falei da questão da superesquadra na Amadora. Como sabe, a Amadora é o concelho da área metropolitana de Lisboa, com exceção de Lisboa, com maior registro de criminalidade. Se nós olharmos para os índices de violência doméstica, estão muito acima de Loures ou estão muito acima de Oeiras. Se nós olharmos para os furtos no interior de residências, para os furtos de veículos motorizados, para os furtos de unidades comerciais, a mesma coisa, a Amadora está no primeiro plano. Portanto, se eu tenho um concelho tão pouco seguro e eu pretendo fazer da Amadora o concelho mais seguro do país, eu tenho que dar instrumentos, e estes instrumentos obviamente passam também pela construção de uma superesquadra. E isso as pessoas disseram-me no início, mas quem tem essa responsabilidade é o Ministério da Administração Interna. Como sabe, o Sócrates, numa das suas múltiplas bajulações populares para tentar com isto arcar votos, fez um protocolo com a Câmara Municipal da Amadora em agosto de 2009, que eu vou denunciar e vou dar como letra morta, porque já tiveram tempo suficiente para tratar desse assunto. E disseram que eu tinha que esperar pelo ministro da Administração Interna. Qual ministro? Este, que devia ser, se fosse de fato ministro, devia já ser cessante? Não, eu vou construir, como fazem outros conselhos, como fez Oeiras. Eu vou construir e depois vou dizer ao senhor ministro o que posso.
A superesquadra resolve o problema de segurança da Amadora?
Não. Sabe que o problema da segurança não pode ser encarado só a passar pela polícia. O polícia está no vértice. Deixe-me explicar. O problema da segurança é um problema que passa por três questões fundamentais e que, por isso, são esses os três vetores fundamentais do meu programa. Não há segurança se não há uma educação conveniente desde muito cedo para a cidadania. Se eu formar o indivíduo muito bem desde pequenino, e eu sou filha de um cientista, eu sei do que estou a falar, o conhecimento liberta o indivíduo. Se eu formar o indivíduo desde muito cedo, muito bem, com boas escolas, eu diminuo a possibilidade da incidência criminal. Mas mais, passa também por outra coisa, por igualdade de oportunidades. É escandaloso, desculpe, eu ter pessoas que vivem em unidades habitacionais boas e outras que não sabem o que é ter habitação digna. Eu tenho que dar isso também. Mas passa ainda por outra coisa. Não há segurança onde não há pão. E há fome na Amadora, há falta de trabalho qualificado na Amadora. Eu tenho que criar emprego. E eu vou conseguir isso através do meu cluster farmacêutico. E quando eu contactei as duas primeiras empresas farmacêuticas e lhes disse: "Está aqui este formulário. Digam-me, por favor, o que é que vocês precisam para investir na Amadora?" Aquilo que a primeira pessoa me disse, o primeiro diretor me disse foi: "Doutora, eu adorava, porque em Lisboa não há espaço suficiente para nós crescermos. Onde há, é caro e nós precisamos de estar perto da capital, mas na Amadora enquanto houver barracas, não." Está a ver como é importante eu olhar para estas três questões? Educação Habitação, saúde e depois segurança. O polícia está no vértice quando todas estas coisas de que eu aqui falei falharam. Mas não é só a polícia, está também a Polícia Municipal. Sabe quantos polícias municipais há na Amadora?
Não, mas-
Em 182 mil habitantes, quase 183, há 13 polícias municipais. Eu creio que nós estamos a brincar. Só pode ser. Eu vou triplicar, no mínimo. Sabe por quê? Porque há funções. Um polícia não serve para estar a ver se o carro está bem estacionado ou mal estacionado. Um polícia não serve para fazer aquilo que eu quero fazer, porque nós temos 30% da população da Amadora é idosa, é sénior. E agora nesta pandemia verificamos coisas como pessoas que não conseguiam descer as escadas para pôr o lixo à rua. Verificamos pessoas que faleciam e ninguém sabia que tinham falecido.
E a polícia pode também fazer isso.
A Polícia Municipal vai fazer isso, desonerando assim de outras funções, que não têm que ver com as nossas forças e serviços de segurança stricto sensu, para que elas possam ser, efetivamente, polícias.
Deixe-me só, muito rapidamente, tinha-se referido a alguns residentes da Cova da Moura como marginais e parasitas da sociedade que faziam reféns a maioria de quem vivia naquele bairro. Estas pessoas também é daquelas que quer trazer de novo para a sociedade e dar-lhes uma segunda oportunidade? Nesse nível, com a formação, educação.
Quando eu falei nesse debate, a expressão que eu usei foi essa, com uma pequena alteração, e desculpe que é importante.
Sim, claro.
Que na Cova da Moura, há uma maioria de habitantes corretos, profundamente trabalhadores. Foi exatamente a expressão que eu usei há cinco anos, de pessoas profundamente trabalhadoras. E sabe por que são profundamente trabalhadoras? Eu conheço-as bem. Porque eu voo com frequência à Cova da Moura, ao contrário desta elite de esquerda que fala sem saber daquilo que está a falar e só conhecem ali uma associaçãozinha bonita, aquilo a que eles chamam as favelas democráticas. Sabe por quê que elas chamam favelas democráticas, cheias de cor e frufrus, e frissons e confetes? Porque não vivem lá, porque vivem no Chiado. Essas pessoas ruidosas, que são uma minoria, e que aliás devo lhe dizer que a maioria dos criminosos não são mesmo residentes na Cova da Moura, aproveito para partilhar isso consigo, mas são pessoas que vêm de fora da Cova da Moura para ir ali traficar. Entregam as suas respetivas substâncias a crianças. E essas mesmas crianças fazem esse mesmo tráfico, crianças e jovens.
E qual é o plano para travar esse fenômeno?
Uma delas é precisamente a requalificação da Cova da Moura. Outra é um aumento de patrulha naquelas zonas. E por fim, também uma terceira: a educação, mais uma vez lhe digo. A educação é muito importante. E outra coisa também, eu pretendo construir, à terceira questão que me colocou, que estou à espera de orçamentação e esta semana ou é para a próxima terça-feira, vocês vão ver. O desporto é algo muito importante. E a Amadora tem uma tradição nessa área. Eu tenho que puxar as crianças para o desporto, mas não há equipamento desportivo na Amadora. Sabe que a Amadora tem um problema? Para cada habitante só há nove metros quadrados de espaços verdes. Como é que é possível? Ainda à questão há bocado, 28% das crianças até seis anos não têm pré-escolar. As pessoas às vezes não pensam. Consegue imaginar o drama de uma mãe que quer trabalhar, que tem que trabalhar, porque é aquilo a que o rap chama suburbanos. As pessoas todas olham para a Amadora como suburbanos. Têm mesmo que trabalhar, têm contas para pagar. O salário médio mensal de uma pessoa na Amadora, de acordo com as finanças para o ano 2018, é €835. Com €835 nós temos uma população profundamente ressentida, porque é trabalho não qualificado. Elas têm que trabalhar, mas não têm onde deixar os seus filhos até aos seis anos. Eu estou a dizer o que a estas mulheres, para não irem trabalhar. Por que acha que há tanta violência doméstica na Amadora também? O trabalho para as mulheres é uma forma de emancipação, é uma forma de libertação do jugo misógino, sexista, chauvinista, é uma forma de termos oportunidade de partirmos para outras vidas. Eu a estar a brigar mulheres até aos seis anos, e atenção, que a Amadora é também aquela que tem pessoas que trabalham até mais tarde possível nas suas vidas. Portanto, não há alternativa de eu deixar ficar como outras, junto dos avós, das avózinhas, embora eu queira criar também uma figura que se chama o avô social e a avó social, como acontece nos países nórdicos, que é muito importante. Eu quero resgatar os séniores para terem mais e melhor na cidade da Amadora. Não vão pagar transportes públicos quando andarem em transportes públicos, todas as pessoas com mais de 65 anos. Não vão pagar espetáculos, sejam eles eventos da Câmara Municipal da Amadora, mas também eventos particulares, porque eu vou falar com essas instituições particulares e vou fazer acordos com eles, porque não tem que ser uma fatalidade que os cidadãos séniores na Amadora tenham apenas e só que esperar pela morte. Não tem que ser uma fatalidade que morram nos prédios sem elevadores e ninguém saiba que morreram. Não tem que ser uma fatalidade que não tenham o que comer. Não tem que ser uma fatalidade que tenham que ir para a mesquita, fazer filas e filas para ir buscar um saco de arroz, feijão e óleo.
Já falou aí de alguns aspetos programáticos. Diz que está a tornar a Amadora uma espécie de Singapura.
Isso mesmo. Até nisso fui atacada pela esquerda extremada. Disseram: "É uma ditadura!" São uns ignorantes completos, que Singapura é uma democracia, por favor.
Tem um partido dominante, mas não era essa a minha questão, era mais qual é a relação, se tem a ver com ter ali um foco de exportações tecnológicas, de inovador, de empresas.
Está a ver como você é um jornalista inteligente. Claro que tem, o conceito de smart city é isso mesmo. Quando eu falei em Singapura, como sabe, a Singapura quando se tornou independente, era uma ilha que ninguém dava nada por aquilo. Não tinha recursos humanos, as pessoas não tinham casas. E, portanto, o primeiro ministro, o primeiro primeiro-ministro que houve, passa a redundância, fez inclusive a primeira grande política capitalista popular do mundo inteiro Construir unidades habitacionais com dignidade e dá-las ao povo de Singapura. Primeiro ponto. Segundo ponto: criação de emprego. E essa criação de emprego passando por plataformas digitais, passando por plataformas tecnológicas, e assim se construiu isto tudo. E outra questão muito importante para mim: a construção num espaço tão pequeno, Singapura tem 5,6 milhões de habitantes e tem uma ilha tão pequena, agora é considerada a pérola da Ásia. Mas veja bem, não tenho espaço, eu só posso ter dois caminhos. Ou continuo a construir desenfreadamente, como foi construído durante estas políticas de esquerda na Amadora, só até o máximo de sete andares, ou então construo na vertical. E eu quero construir na vertical. Eu quero dar o chão ao povo da Amadora. Nove metros quadrados de espaço verde é absolutamente insustentável e, portanto, nós vamos construir na vertical. Para isso, o que eu vou ter que fazer? Vou ter que alterar o plano diretor municipal, que como sabe, com certeza, tem quase 30 anos. Aquele plano diretor municipal era ótimo há 30 anos, mas as contingências existenciais hoje em dia são completamente distintas e, portanto, eu tenho que atualizar. Não são as pessoas, não são as necessidades da população que têm que se ajustar ao plano diretor municipal de 30 anos. É o plano diretor municipal que tem que vir ao encontro das necessidades das pessoas na Amadora. E, portanto, sim, eu vou construir uma smart city na Amadora.
Já agora, posso fazer um pequeno desafio? Eu não sabia, tive que ir ver, confesso, e o Miguel também. Mas Lisboa tem 24 freguesias, a Amadora só tem seis. Já consegue saber quais são ou não? Ainda me causa doubt.
Ainda bem que está a fazer essa pergunta, mas deixe-me só dizer uma coisa. Tenho a certeza que depois do meu mandato, essas outras vão querer ser nossas. Tenho a certeza absoluta. Massamá vai implorar por ser parte da Amadora. Mas deixe-me dizer. Repare, inicialmente eram oito, depois passaram a 11 e finalmente, através da Lei 11/A, de 28 de janeiro de 2013, passaram a ser as atuais seis freguesias.
Já percebi que conhece na plenitude.
Espere. A Sul, Alfragide. Pomos uma zona assim chamada Encosta do Sol, onde tem habitações que eu gostaria que você um dia verificasse, que nem passa lá às vezes um carro de bombeiros. Se acontecer uma tragédia, não consegue passar por lá. Depois temos Águas Livres. Até é um nome bonito. Mina da Água, Falagueira, Venda Nova e Venteira.
Não só sabe os nomes, como sabe perfeitamente identificá-los graficamente.
Conheço como a palma da minha mão.
Muito bem.
Agora sim.
Só uma questão muito rápida. A empresa municipal Amadora Inova, assim é que é, e tem também uma plataforma que é a Amadora Tech, já tem uma incubadora de empresas. Parece num bom caminho, vai extinguir essa empresa, vai manter?
Não, vou fazer algo diferente. Vou aproveitar as pessoas que já estão e o know-how que já têm. Eu não quero fazer uma rutura. Eu quero é regenerar, que é coisa diferente. Em relação a essas pessoas, eu não quero fazer uma rutura. Aliás, como os funcionários que estão lá. São um património importante, que têm conhecimento, agora vão ter é que se adaptar às novas regras. Em resposta à sua pergunta. Oeiras, por exemplo, agora quando aconteceu a pandemia, que foi muito mal gerida na Amadora, como todos nós sabemos. Desculpe, outra questão do polígrafo. Eu disse que havia uma rutura de abastecimento de oxigênio, eles disseram: "Não, o que houve foi uma enorme pressão na distribuição de oxigênio, que obrigou a que nós tivéssemos que fazer face a 65% de aumento das nossas capacidades, 100% de pessoas ventiladas e tivemos que retirar muitas outras para outras unidades hospitalares". Enfim, em resposta à sua pergunta, Oeiras tem secções específicas apenas e só para receberem qualquer pessoa que queira investir em Oeiras, do início ao fim. O que você quer fazer? Isto. Tem estas oportunidades, tem estes sítios. Nós damos estas facilidades, tem estes caminhos. Eu quero isso para a Amadora.
E por falar em caminhos, em 2017, um comentador televisivo candidatou-se a uma autarquia vizinha de Lisboa e acabou por tornar-se uma figura nacional.
Quem?
Acho que vai perceber quem é. Formar um partido.
Sim.
Ser deputado.
Desculpe.
Candidato presidencial, onde é que termina a sua ambição?
Olhe, eu tive muita pena.
Mesmo cotada com cargo executivo.
Não.
Já nem lhe pergunto se se vê como presidente da Câmara da Amadora, porque já percebi que sim.
Sim, isso é um dado adquirido.
Mas durante quanto tempo? Quatro, oito anos, 12 anos?
Olhe, eu vou ser franca consigo. Quando começamos a reunir a papelada toda, quando comecei a ter reuniões com os conselhos limítrofes, com os presidentes das câmaras, que eu entendia que eram os meus referenciais, sobretudo um deles, estou a falar do Isaltino. Eu gosto de dizer o nome das coisas. Perdão?
É um exemplo para si, de governação, o que fez ao nível das empresas.
A nível das empresas e a tudo mais. O senhor presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, é um exemplo de presidência autárquica para qualquer pessoa neste país e, já agora, para outros países também.
Aparentemente menos para o PSD, que não o apoiou.
Eu acho que temos um candidato que é o Alexandre Poço, não é? Eu compreendo as dificuldades da gestão deste processo, mas compreendo também necessariamente a urgência de termos um candidato se não quisermos apoiar a candidatura do Isaltino. Se me diz se eu tive pena? Mas com certeza que tive. Estaria a ser hipócrita se eu dissesse o contrário, e eu isso não vou ser.
Voltando à sua ambição.
Sim. Deixe-me só dizer aqui uma coisa. Eu tenho muita pena que o André Ventura não tenha seguido o seu mandato até o fim. E tenho pena porque as pessoas de Loures que votaram nele queriam mesmo que as coisas mudassem E como o mandato não foi até o fim, ficaram suspensas. Percebe o que eu quero dizer? Eu acho que quando nós assumimos um compromisso, temos que o honrar até o fim. Mas esta é a minha forma de estar na vida. Não sei que contingências é que aconteceram com o doutor André Ventura, mas esta é a minha forma de estar. E não é um juízo de valor em relação a ele, é um juízo de valor em relação a mim. Quanto à Assembleia da República, dispenso. E quando estava a fazer isto tudo, eu pensava: "Isto em quatro anos eu ponho isto tudo a andar." Não, já cheguei à conclusão que para aquilo que eu vou fazer, o programa que eu tenho, é quatro anos. Mas depois vou precisar de mais quatro anos para melhor concretizar aquilo que eu fiz. Agora, há uma coisa que eu quero que saiba. Eu entrei para isto numa postura de Cincinato. Por acaso, quando eu estava a falar com uma jornalista que me fez as primeiras reportagens, e você já disse até qual é o órgão de comunicação social aqui, quando eu falei do Cincinato, ficou a olhar para mim como um boi olha para um castelo. Não fazia ideia que era possível um senhor jornalista não saber do que eu estou a falar. Mas adiante, ainda bem que eu estou perante dois que sabem. Eu quero fazer aquilo que tenho que fazer, entregar as chaves e ir-me embora. Sabe, eu tinha uma vida antes disto e vou continuar a tê-la. Vai passar a ser mais enriquecida, precisamente por causa disto.
Faço-lhe a pergunta ao contrário.
E este voto, que nunca me tinha passado pela cabeça, este voto de confiança que o partido PSD me está a dar a mim, esta hipótese que eu tenho de ter um impacto enorme, de fazer da minha vida ainda mais e melhor do que aquilo que eu algum dia poderia imaginar, é um voto de confiança que eu vou honrar leoninamente até ao fim.
Faço-lhe a pergunta ao contrário, muito rapidamente e temos mesmo de terminar. Se perder as eleições, fica como vereadora?
Tenho que ficar. Eu não posso trair as expectativas das pessoas que apostaram em mim.
Muito bem, Susana Garcia, chega assim ao fim a nossa entrevista.
Muito obrigada, foi um prazer.
Nós agradecemos a sua presença.
Eu é que agradeço.
E chega assim ao fim a entrevista à candidata do PSD Amadora.
Muito obrigada.